Leer está de moda: Natercia Freire

Leer está de moda: Natercia Freire

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Poeta, cuentista y periodista. Todo eso y más fue Natercia Freire, quien nació en 1919, en Benavente, Ribatejo, aunque pronto su familia se mudó a Lisboa. Desde temprana edad su pasión fue la música y la poesía, lanzando su primera publicación oficial en 1939 con Meu Caminho de Luz. Entre sus títulos más conocidos está Horizonte Fechado (1942) y los cuentos de A Alma da Velha Casa (1945).

Su obra fue varias veces galardonadas, entre los premios podemos mencionar Antero de Quental (por Rio Infindável en 1947 y Anel de Sete Pedras en 1952), Ricardo Malheiros (1955) y Nacional de Poesia (por Os Intrusos en 1972).

Freire dirigió el suplemento literario «Artes y Letras» del Diário de Notícias, colaboró en diversas publicaciones como la revista Panorama, Atlântico y Diário Popular por nombrar apenas algunas; en la Emisora Nacional y hasta fue docente de la Escola Primária da Póvoa de Santa Iria. Fue miembro de la Comissão de Leitura da Fundação Calouste Gulbenkian, de 1971 a 1974.

Al comenzar la década de los 90 se publicó el primer volumen de su Obra Poética, cuyo prefacio fue redactado por su amigo David Mourão-Ferreira. Freire murió el 19 de diciembre de 2004 a los 85 años, dejando un legado no solamente para Portugal sino para la literatura en general.

O BAILE

Névoa em surdina/ A sombra que acompanha/ As finas pernas a dançar na tarde./ Jogo de jovens corpos./ Música de montanha,/ Num tempo teu e meu/ De eternidade / E eu, as duas estranhas./Olha quem toca o ponto/ Que há no fim!/Ao fim de mim,/ No ponto para que vim./Ao fim de mim/No ponto donde vim./
Vulto de agulha/Em fumo de água e lenha./ Eu, as duas estranhas./ É sempre pêlos outros que falamos./ Eu, as duas estranhas, por mim falam./ Em estradas como ramos/oscilamos. E vamos/ Convergentes, dispersas, disparadas/ Pêlos tiros de magos inocentes/ Do caos ao sol/ Em gradações de escadas.

Ouve-se às vezes uma voz: — Presente!/ E já no corpo as almas vão trocadas./ Foi em concretos dias de sol-posto,/ Em fábricas de fios de uma aranha,/ Que se teceram/ Em finíssimas teias de desgosto,/ (Eu) as duas estranhas.

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