8,4% dos desempregados vieram da Venezuela

8,4% dos desempregados vieram da Venezuela

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Desde 2016, dos 4.759 do país inscritos no Desemprego, quase 74% já deixaram as listas

Francisco José Cardoso

DN MADEIRA

Praticamente oito em cada 100 desempregados na Madeira em Julho era oriundo da Venezuela. Há dois anos, a relação era de menos de 4 em cada 100. Não obstante uma rápida e mais que evidente boa integração das pessoas que vieram da Venezuela nos últimos dois a três anos, sendo certo que a maioria dos que já se inscreveu no Instituto de Emprego da Madeira já encontrou trabalho, a realidade é que ainda há muita gente que está inscrita e à espera que surja a oportunidade de trabalho, contribuindo ainda assim para termos actualmente pouco menos de 15 mil pessoas sem trabalho.

Nos dados de Julho de 2019 – que constituem um novo mínimo (vide destaque) – “entre os inscritos no fim do mês contavam-se 1.254 candidatos provenientes da Venezuela, que continua a representar um aumento significativo (+19,5%) face ao número que se registou no mês homólogo (1.049 inscritos em Julho de 2018) e em Julho de 2017 (669 inscritos)”, apontou o IEM em nota de análise aos dados divulgados esta semana.

Por outro lado, frisa, “ao longo de 2019, registaram-se já 886 inscrições de oriundos da Venezuela, correspondendo a uma média de 127 inscritos por mês. No total, desde 2016 já se inscreveram no Instituto de Emprego da Madeira 4.759 pessoas oriundas da Venezuela”, aponta.

Ora, a estes dados é preciso acrescentar duas ou três observações: a primeira é a de que dos 4.759 inscritos desde há três anos, já saíram dos registos 3.505 ou quase 74% dos que se inscreveram. A outra é que destes 1.254 actuais, mais de dois terços (886) inscreveram-se já este ano, ou seja dos actuais desempregados oriundos da Venezuela quase 71% inscreveram-se nos últimos sete meses. Por fim, sem estes 1.254 cuja inscrição se deve a uma situação dramática vivida no país de origem, o desemprego registado na Madeira estaria, neste momento, em cerca de 13.700, seria o valor mais baixo desde Dezembro de 2009, quase 10 anos.

Números positivos no verão não é surpresa

“No final do mês de Julho de 2019 o desemprego registado fixou-se em 14.971 inscritos (…), o que representa menos 186 inscritos do que no fim do mês anterior (-1,2%) e menos 899 desempregados do que em Julho de 2018 (-5,7%)”, afiança o IEM.

A Região “teve um bom desempenho face às demais regiões do país na redução do desemprego registado no fim do mês, em relação ao mês anterior (-1,2%) sendo apenas ultrapassada pelo Algarve (-8,2%)”, as duas regiões que, habitualmente, mais beneficiam com a maior procura do trabalho sazonal de Verão.

“Por outro lado, destaca-se que, o arquipélago apresenta o melhor desempenho face à média nacional no número de novas inscrições de desempregados, apresentando um decréscimo de 7,7% na RAM contrariamente ao nível nacional que registou um acréscimo de 5,7%, em relação ao mês homologo”, garante.

Esta diminuição face a 2018 “teve como base a diminuição do desemprego masculino (-810 inscritos; -10,6%), uma vez que a redução do desemprego feminino foi menos significativo (-89 inscritas; -1,1%)”, dá conta de outra particularidade. Por isso, “verifica-se que o número de homens desempregados diminuiu em praticamente todos os grupos profissionais, embora se verifique um crescimento do número de inscritos em profissões associadas ao sector primário orientados para o mercado (+44 inscritos). As diminuições mais significativas registam-se nos grupos profissionais directamente ligados à construção (-253 inscritos no grupo “71-Trabalhadores qualificados da construção e similares, excepto electricista” e -80 no grupo “93 – Trabalhadores não qualificados da indústria extractiva, construção, indústria transformadora e transportes)”.

O mais baixo em 107 meses

Há precisamente 107 meses que o desemprego registado não atingia um valor tão baixo como ocorreu agora em Julho de 2019. Tendo baixado a barreira dos 15 milhares pela primeira vez desde Agosto de 2010, como fez notar a DREM, feitas as contas são quase nove anos.

“Observando um período mais alargado, constatamos que o mês de Julho de 2019 apresenta o menor volume de desemprego registado neste mês desde 2010, e corresponde a menos 7.691 desempregados (-34%) do que o valor do mês de Julho de 2013 (22.662), o mês de Julho mais elevado na última década”, sendo que o máximo continua a ser Fevereiro de 2013, com os seus 24.976 desempregados. Ou seja mais 10 mil pessoas do que actualmente.

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