Ilustre filho de Portugal disse adeus aos 75 anos, deixando um legado empresarial ímpar

Agostinho Sousa Macedo, o empresário natural da Ribeira Brava que fundou, entre outras empresas de sucesso, a Central Madeirense, cadeia distribuição alimentar líder na Venezuela e uma das maiores da América Latina, faleceu aos 75 anos, no dia 23 de Fevereiro de 2009, vítima de doença prolongada.

O destacado membro da comunidade portuguesa radicada na Venezuela encontrava-se doente há algum tempo, como foi evidente no VII Encontro de Gerações, evento que o DIÁRIO, o Banif e o CORREIO promovem anualmente para homenagear os portugueses e que, desde o primeiro momento, contou com o seu apoio e contributo.

No último Encontro, o primeiro-ministro de Portugal, José Sócrates, de visita à Venezuela, entregou uma placa de reconhecimento, a pedido de João Machado, administrador do Banif, que expressava, com a palavra “Obrigado” o que cerca de 100 mil portugueses sentiam por quem lhes tinha dado a mão, apoio e trabalho na terra a que acabavam de chegar vindos de Portugal.

Durante as décadas de 60, 70 e 80 do século passado, anos em que tanto da Madeira como de Portugal continental saíram milhares de portugueses para a Venezuela em busca de melhores condições de vida, foi nos supermercados da Central Madeirense que muitos emigrantes começaram a trabalhar e conseguiram os meios para abraçar outros desafios. Foi também ali que encontraram apoio na legalização ou regularização da entrada e permanência na terra de Simón Bolívar.

Agostinho Macedo, que teria celebrado 76 anos a 28 de Fevereiro de 2009, emigrou para a Venezuela no final da década de 40, respondendo à chamada de alguns dos seus sete irmãos (apenas uma irmã acabou por partir para a África do Sul). Trocou o ‘emprego’ na única farmácia da Ribeira Brava por outro numa frutaria em Caracas. Em poucos anos, juntamente com o irmão Câncio, ergueu um império com ramificações em vários segmentos de negócio, destacando-se a distribuição alimentar e a banca. A cadeia Central Madeirense emprega actualmente cerca de 6000 pessoas e dispõe de mais de 50 supermercados.

O ribeira-bravense era também presidente do Banco Plaza, que em 2008 ficou cotado entre as três principais instituições financeiras da Venezuela (conta actualmente com 30 agências e emprega mais de 1.500 colaboradores) e ‘Chairman’ do Ocean Bank, que também co-fundou há mais de 20 anos no Estado da Florida, nos Estados Unidos.

Agostinho Macedo foi igualmente um grande apoiante do associativismo, fosse este desportivo, cultural ou social, como o hoje emblemático Centro Português, em Caracas.

O empresário, que também era comendador, recebeu a Insígnia Autonómica de Distinção nas comemorações do Dia da Região do ano passado. Foi também o primeiro presidente honorário do Conselho das Comunidades Madeirenses.

Alberto João Jardim considerou que a morte de Agostinho Macedo foi, sobretudo, “uma grande perda, na Nação madeirense”. O presidente do Governo Regional considerou que Agostinho Macedo era uma figura histórica da Madeira. “Poucos representaram tão bem a diáspora madeirense”, garante. “Era um homem que tinha consideração da sociedade venezuelana em geral”, recorda. Jardim acredita que “os filhos, genros e filhas farão o possível para continuar a obra que ele ergueu”.

Recorde-se que o empresário ofereceu a primeira ambulância que passou a prestar serviço na Ribeira Brava e também ajudou a tornar possível a existência do primeiro campo de futebol desta vila.

No 27 de Agosto de 2009 concretizou-se a atribuição ‘física’ do topónimo Rua Comendador Agostinho Sousa Macedo, a uma das mais importantes artérias da vila da Ribeira Brava. A placa onde está inscrita a designação ‘Rua Comendador Agostinho Sousa Macedo’ foi descerrada pelos filhos Agostinho e Olga Macedo, poucos minutos antes do penúltimo pôr-do-sol de 2011, num acto simples mas de grande significado, testemunhado não só pelas entidades oficiais e diversos autarcas locais, entre os quais o presidente da Câmara e proponente desta homenagem, mas também por dezenas de familiares e amigos do homenageado.

O então presidente da Câmara Municipal de Ribeira Brava, Ismael Fernandes, lembrou que Macedo nunca esqueceu as suas raízes. “Prestou grandes serviços à Madeira, proporcionando trabalho aos nossos compatriotas que emigravam para a Venezuela, à procura de melhores condições de vida. A Central Madeirense foi a escola de aprendizagem de muitos e grandes empresários de hoje na Venezuela. Ajudou o nosso concelho com a aquisição do edifício do antigo Centro de Saúde da Ribeira Brava e a aquisição de uma ambulância. Apoiou o Clube Desportivo da Ribeira Brava, na construção da sua sede social e arranjo do campo de futebol. Por tudo o que foi atrás exposto, o autarca propôs à Comissão de Toponímia, que aprovou por unanimidade, e propôs que o executivo camarário aprovasse a atribuição do nome ‘Comendador Agostinho Sousa Macedo’ ao antigo troço da Estrada Regional 104, hoje Estrada Municipal desde a marginal da Vila da Ribeira Brava até a rotunda junto ao campo de futebol. Após análise do exposto, a Câmara deliberou, por unanimidade, a aprovação da proposta apresentada”.

 

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