Amolando de rua em rua

Amolando de rua em rua

Os amoladores de tesouras percorriam as ruas de Portugal com uma grande estrutura de madeira às costas para ganhar a vida.

Yasireth De Aguiar

A imagem desta semana foi registada na década de 40 por um fotógrafo anónimo que se encarregou de retratar os trabalhos desempenhados pelos portugueses nessa época. Os amoladores de tesouras eram indivíduos que andavam pelas ruas onde existiam residências ou espaços comerciais, tocando um instrumento musical formado por tubos de diferentes tamanhos que produziam um som harmónico. Esta melodia, inconfundível, anunciava a chegada do amolador: Homens que não só afiavam tesouras como tudo o que tivesse lâmina, desde as ferramentas de trabalho dos barbeiros às facas das donas de casa, e todos vinham à porta para solicitar estes serviços.

O instrumento com que realizavam o seu trabalho era uma armação de madeira com uma roldana de grandes dimensões, que era movida pisando uma correia, que fazia girar a pedra amoladora. Este instrumento de trabalho era carregado às costas.

Os amoladores, que também reparavam guarda-chuvas, tiveram a sua origem no mundo rural da Europa, sendo considerado um dos ofícios mais antigos: Estes trabalhadores ambulantes existem há três séculos, e alguns ainda mantêm as suas famílias com esta ocupação.

Nos dias de hoje, ainda existem, em Portugal, homens que praticam este ofício, mas já com uma amoladora mais moderna e pequena; para além disso, já não percorrem as ruas a pé, mas sim de bicicleta. Outros amoladores decidiram montar os seus próprios locais, situados perto dos mercados, com o propósito de oferecer os seus serviços e vender também todos aqueles objectos que podem ser amolados, pois hoje em dias as pessoas não sentem necessidade de amolar facas ou tesouras, mas sim de as renovar.

Muitos emigrantes lusos estabelecidos em Caracas trouxeram este ofício para ganhar a vida. Ainda podemos ouvir, de tempos a tempos, nas ruas caraquenhas, bem cedo, o som da flauta de paus e as vozes destes homens gritando “o amolador” para anunciar a sua chegada.

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