“Antonianos” comemora 50º aniversário a ponderar reentrada no mercado

“Antonianos” comemora 50º aniversário a ponderar reentrada no mercado

O emblemático conjunto musical era contratado muitas vezes por emigrantes da Venezuela que estavam de férias na Madeira

Sónia Gonçalves

O conjunto musical ‘Antonianos’ comemora 50 anos de existência em 2018 e pondera reentrar no mercado. Os emigrantes da Venezuela e a comunidade luso-venezuelana a residir na Madeira recorreram muitas vezes aos serviços prestados pelo emblemático grupo. O CORREIO entrevistou José Manuel Pereira, um dos elementos mais antigos que ainda vibra quando partilha as suas memórias.

“A nossa base de apoio era a Venezuela. Os venezuelanos foram os maiores clientes que tivemos”, afirma o artista, saudoso dos bons tempos em que os emigrantes eram festeiros cheios de dinheiro e pagavam muito bem para garantir uma animação memorável. “A nossa base de apoio era a Venezuela. Os emigrantes pediam uma e outra vez para fazer festas. Falta o braço do emigrante”, lamenta.

A primeira atuação dos ‘Antonianos’ foi em 1968, junto à Igreja de Santo António, nos arredores da cidade do Funchal, sendo que os fundadores foram Hilário Capelo, Vítor Pereira, José Manuel Correia (“Necas”) e Rogério Martins.

Conforme nos conta José Manuel Pereira, desde então, as contratações surgiram umas atrás das outras, como cogumelos. Apesar do sucesso, tem pena de o grupo nunca ter atuado fora da Região, sendo que o expoente máximo em termos de viagens que o grupo conseguiu foi realizar vários espetáculos na vizinha ilha do Porto Santo.

Este artista só ingressou no conjunto musical em 1971, mantendo-se até 2007, altura em que, devido à entrada do Euro, decidiram suspender as atuações. «Os valores cobrados eram os mesmos, mas as pessoas começaram a achar caro porque com o Euro o custo de vida aumentou», lamenta, referindo que outros conjuntos musicais concorrentes optaram por baixar os preços e eles não. Preferiram sair do mercado. «Há uma questão que se chama dignidade! Quem fez a valorização da moeda não a fez bem feita», explica.

José Manuel Pereira tem muitas memórias. Embora durante 39 anos de existência de grupo muitos membros tenham entrado e saído, ele foi o elemento mais persistente. Mas dispensa protagonismos e louva sempre o espírito de equipa. Os ensaios eram na garagem da sua casa e a emoção com que descreve os episódios deixam antever saudosismo.

TRÊS TIPOS DE ATUAÇÕES

O grupo tinha essencialmente três tipos de atuações: os arraiais, as festas particulares e as atuações em hotéis.

O modus operandi dos arraiais naqueles tempos era bem diferente dos dias de hoje. O conjunto era contratado para animar, se fosse preciso, a noite toda. E enquanto houvesse público, muitas vezes, não arredava pé! Eram muitas vezes doze horas seguidas, das 18h00 às seis da manhã!

«Às vezes, já estávamos cansados, mas quando cantávamos a última música o festeiro ou algum emigrante com dinheiro dava mais algum dinheiro de última hora para prolongar a atuação com mais um ou duas músicas», lembra o artista, com um sorriso nos lábios.

Nas festas particulares, a animação também não podia falhar pois essencialmente a festa era classificada como boa ou má se a música tivesse sido ou não um sucesso! E, muitas vezes, não havia horas para acabar!

Nos hotéis, os horários já se cumpriam com mais rigor, mas a exigência em termos de qualidade era a mesma e a apresentação tinha que ter, obrigatoriamente, mais glamour.

Dos seus anos como membro, conta como foram pela primeira vez à Ilha Dourada a bordo da lancha ‘Milano’ (uma embarcação muito rudimentar), na sequência de um convite do pároco daquela freguesia, que decidiu dar à festa local, em setembro de 1973, uma animação nunca antes vista na Vila Baleira.

COMEMORAÇÕES DOS 50 ANOS

Para comemorar os cinquenta anos dos ‘Antoniamos’, José Manuel Pereira, com a ajuda do seu filho e dos restantes elementos da banda, está a programar um evento em local a definir que pretende trazer à memória de todos os êxitos do conjunto musical, com uma festa que promete animação.

O filho, Bruno Pereira, também artista na área musical, que outrora percorria diversos espaços de restauração e hotelaria a cantar, explica-nos que o intuito é reintroduzir o conjunto musical no mercado, oferecendo aos interessados uma atuação de, no máximo, uma hora e meia, com canções nacionais e internacionais das mais badaladas nas décadas em que o grupo fazia furor.

NO COMMENTS

Leave a Reply