Aprender Madeira dignifica a História da Madeira

Aprender Madeira dignifica a História da Madeira

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Integrado no contexto das culturas insulares, o APRENDER MADEIRA é, em traços gerais, a enciclopédia da Madeira apresentada em diversos formatos, como as tradicionais enciclopédias em papel, com dez volumes, em dvd e na Internet como um portal de conhecimento e formação da Madeira e dos assuntos com ela relacionados.

Este projeto tem por finalidade dar a conhecer ao mundo nas línguas Português, Inglês e Espanhol, os aspetos pelos quais se distingue a Madeira nos vários planos da criação humana e que fizeram dela um espaço geográfico, físico e humano de interesse para a compreensão da História portuguesa e internacional. É esta abrangência temática que faz do Aprender Madeira um projeto fundamental para o conhecimento da História da Madeira e, por essa via, um excelente instrumento educativo e constitutivo da memória coletiva do arquipélago, para além de ser um ponto de partida para futuras investigações.

Esta obra monumental só é possível devido ao esforço conjunto de várias entidades, públicas e privadas. A Agência de Promoção da Cultura Atlântica (APCA) que é a entidade gestora do projeto, a academia quer pela coordenação científica do projeto da responsabilidade do historiador Professor Doutor José Eduardo Franco quer pela participação de cerca de 700 investigadores de todo o mundo e das várias áreas cientificas, das 10 universidades de diversos países, entre as quais as de Brown (EUA), a de Oxford (Inglaterra), a Universidade de Lisboa e a da Madeira, e o Governo Regional da Madeira, através da Direção Regional dos Assuntos Culturais (DRAC).

O resultado são umas impressionantes nove mil entradas, dois mil a mais do que inicialmente previsto devido às várias sugestões que foram feitas por diversas entidades. Aliás, a auscultação do público e das instituições relativamente às sugestões de entradas é uma das inovações desta enciclopédia e que a torna própria do seu tempo, caracterizado pelo cruzamento da participação dos académicos, que lhe emprestam o rigor cientifico, com a restante sociedade.

Por outro lado, estão previstas a partir de 2015 edições em diversos géneros. Para além da enciclopédia, o Aprender Madeira recuperará algumas das mais importantes obras literárias madeirenses e editará outras de produção recente as quais contribuem para aprofundar o conhecimento sobre a Madeira. São exemplos, as atas do simpósio “Que Saber(es) Para o Século XXI? História, Cultura e Ciência na/da Madeira”, realizado em Fevereiro no Funchal no âmbito do Aprender Madeira, três álbuns de Banda Desenhada, abordando três aspetos distintos do património histórico madeirense, o Vinho Madeira, o Curral das Freiras e o ataque do submarino alemão ao porto do Funchal em 1916, a Nova História Económica da Madeira e a obra literária completa do Padre Manuel Álvares.

Pela sua dimensão e pelo seu propósito este projeto tem o contributo financeiro da União Europeia no valor de 85% do total do orçamento, o qual perfaz cerca de 1.000.000 de Euros. Os restantes 15% será alcançado pelo investimento direto da APCA e pela participação de mecenas institucionais públicos e privados.

O Aprender Madeira é extremamente importante num contexto em que a produção de conhecimento enciclopédico, nomeadamente o Elucidário Madeirense, não é atualizado desde a década de 1940, estando atualmente já incapaz de responder às exigências do público atual.

 

A reescrita da História da Madeira

Um dos aspectos a relevar no Aprender Madeira é a descoberta de novos autores madeirenses ou a atribuição da correcta naturalidade de autores já conhecidas. É neste último caso que se enquadra a descoberta de que o autor da obra “Descrição da Arrábida”, o Padre Inácio Monteiro, é afinal natural da Madeira.

Esta descoberta resulta de uma investigação realizada para o Aprender Madeira, em relação à qual o autor da entrada considerou haver motivo para aprofundar a investigação. No seguimento, António Mateus Vilhena e Daniel Pires trancreveram e anotaram o texto, apresentado como “inequivocamente barroco, para dar origem a uma edição do Centro de Estudos Bocageanos, integrada na Colecção Clássicos de Setúbal.

Para a coordenação científica do projecto, como nos referiu José Eduardo Franco, “Isto significa que o Aprender Madeira permitiu que a nossa literatura portuguesa reconheça mais uma obra no quadro português pertence a um madeirense e não um indivíduo do Norte do país. Portanto, isto permite correcção, permite pôr cá fora e ainda por cima essa obra estava manuscrita nos arquivos estando apenas referenciada e agora está disponível e pode entrar no ensino”.

Este livro foi escrito pelo Padre Inácio Monteiro no século XVII e é considerado um dos melhores exemplares de literatura de viagens. Terá sido consequência da viagem ao continente português realizada pelo autor, em 1685, para participar das festas do Cabo Espichel e o Convento da Arrábida.

 

Sobre a APCA

A Agência de Promoção de Cultura Atlântica (APCA Madeira), a entidade gestora do projeto do Aprender Madeira é uma associação privada sem fins lucrativos, criada no ano de 2004 com o objetivo de produzir, divulgar e promover a cultura produzida no Espaço Atlântico, embora com muito maior incidência no arquipélago da Madeira.

Quanto aos projetos realizados destacam-se o Festival MADEIRADIG, O Arqueomac, O Chronos, o PI Especial e mais recentemente o PATRISIG. A APCA foi ainda durante alguns anos a produtora do festival Raízes do Atlântico e participa noutros projetos quer como entidade acolhedora de estágios, quer disponibilizando as suas competências aos decisores públicos e privados.

A APCA é a entidade promotora e gestora do Aprender Madeira, sendo o Drº João Maurício Marques o director geral do projecto. João Mauricio Marques foi jornalista do DIÁRIO de Notícias da Madeira e geriu o primeiro portal Web criado na Madeira (Madinfo), antes de se tornar empresário ligado às Tecnologias de Informação e Cultura.

Licenciado em Comunicação Social e com pós-gradução em Gestão Cultural, foi fundador de várias associações sem fins lucrativos na Madeira, Açores e Cabo Verde e é neste momento consultor especializado em project finance ligado a projetos de investimento no setor das indústrias culturais e criativas.

Segundo João Maurício Marques, “a Madeira tinha um défice relativamente a este género de obras. O Elucidário Madeirense, coordenando pelo Padre Fernando Augusto da Silva, editado em 1921 e cuja última actualização data da década de 1940 era a única obra deste género realizado na Madeira. Era pois importante aproveitar o conhecimento produzido e por outro lado também recorrer ao investimento realizado no conhecimento nos últimos na Madeira”.

 

Sobre a coordenação científica

De modo a garantir a qualidade e rigor científico do Aprender Madeira, a Agência de Promoção da Cultura Atlântica recorreu à coordenação científica do Professor Doutor José Eduardo Franco, historiador e diretor do Centro de Literaturas e Culturas Lusófonas e Europeias (CLEPUL), pertencente à Universidade de Lisboa.

Doutorado pela L’Ecole des Hautes Etudes en Sciences Sociales (EHESS), José Eduardo Franco possui um vasto currículo e experiência académica, tendo sido responsável por um conjunto importante de obras históricas em Portugal, exemplo do Dicionário Histórico das Ordens, a Obra Completa do Padre Manuel Álvares, em 14 volumes, entre outras de grande importância.

Refira-se que o CLEPUL foi fundado em 1974 por Jacinto Prado Coelho e é hoje um dos principais centros de investigação de Portugal, tendo associado cerca de quinhentos investigadores presentes em diversas regiões do país, entre as quais a Madeira.

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