Canhas sofre efeitos da Venezuela

Numa terra de emigração, a economia débil da Venezuela influencia, e de que maneira, a localidade. O investimento privado parou ao contrário das ajudas sociais que aumentaram

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DN MADEIRA / VICTOR HUGO

Já foi apelidada de segunda Venezuela da Madeira tal era o número de emigrantes oriundos da freguesia dos Canhas naquele país da América Latina. Diz-se na localidade que não há casa onde não exista um parente próximo emigrado na terra das arepas. E, se não houver, é porque a casa está desabitada. Hoje, como no país de Simon Bolívar, existem muitas carências. Menos dramáticas, é certo, mas de acordo com o padre António Paulo, profundo conhecedor da localidade, “a freguesia parou”. No interior da casa paroquial onde recebeu o DIÁRIO, acredita que os efeitos da crise venezuelana sentem-se no estado da economia dos Canhas.

“Os únicos investimentos que se vêem são do Governo ou da Câmara. Não há investimento privado e os que há são concretizados na agricultura”, esboça o primeiro retrato.

A emigração jovem passou a ser, ao contrário de outros tempos, para a Inglaterra. Os casamentos diminuíram. Os baptismos também ao ponto de decrescerem para “metade”, com a particularidade destas crianças “residirem já na Inglaterra”, enumera, traçando o perfil dos jovens e explicando que os motivos para a escolha pelos Canhas deve-se por ser “mais barato fazer uma pequena festa”, e porque os pais preferem estar com os familiares próximos.

Cáritas ajuda 120

Não bastasse, o pároco de três paróquias, Piedade, Cristo Rei e Carvalhal, sublinha que a “Cáritas diocesana ajuda 120 famílias” a cada três meses, justamente por sentirem “dificuldades alimentares” e económicas, afirma no mesmo instante que se levanta e mostra-nos sacos de arroz e de massa que tem arrumados num armário junto à cozinha. E por falar em euros ou da falta deles, o padre admite que esta carência poderá ser por causa do desemprego. “Eu próprio ajudo algumas pessoas com dificuldades. Essa é a missão de um sacerdote” que chegou aos Canhas há uma dúzia de anos e tem sido um autêntico empreendedor, mas não deixa de estar atento às preocupações dos seus paroquianos.

Divórcios crescem

António Paulo revela um outro dado que pode ser preocupante: “O número de separações tem crescido. Esse é outro problema que me preocupa”, observa num tom entristecido.

 “Julgo que as condições precárias de alguns casais tem acentuado a intolerância e preferem separar-se ou divorciar-se”, expressa. “Nalguns casos verifica-se que preferem viver na mesma casa mas em pisos diferentes porque não têm como suportar as despesas sozinhos”, acrescenta de semblante mais entristecido.

Potencial agrícola

Mas nem tudo são desgraças. A freguesia é reconhecida como tendo muito potencial para a agricultura. É por isso que se nota a aposta na construção de estufas. António Paulo é também presidente da Associação de Produtores de Cana Sacarina diz que está prometido 12 caminhos agrícolas para que a produção cresça ainda mais. De qualquer modo, lembra a necessidade de repensar o giro de água tal como existir um acompanhamento técnico. Ademais é de opinião que tem de haver um trabalho de incentivo aos fundos comunitários.

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