Caracas e as suas esquinas, parte II: Da Padre Sierra à Sociedad

Caracas e as suas esquinas, parte II: Da Padre Sierra à Sociedad

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Carla Salcedo Leal

Kenner Prieto

A Plaza Bolívar de Caracas, situada no centro histórico da Paróquia Catedral do Município Libertador, é o ponto de partida para o percurso pelas famosas esquinas do centro de Caracas. Rodeada de construções importantes como o Museu Sacro, a Catedral de Caracas, o Palácio Municipal, a Capela de Santa Rosa Lima, o Palácio Arcebispal, a Casa Amarela e a do Governo do Distrito Capital, este é um dos espaços públicos mais importantes da Venezuela.

Acompanhe-nos, nesta edição, num percurso por cinco esquinas, cujos nomes perduraram na história e hoje fazem parte dos pontos emblemáticos que devemos visitar e conhecer. Por trás destes nomes há muitas histórias, lendas e episódios, e é bom lê-los para assim conhecer um pouco mais sobre a nossa querida capital.


PADRE SIERRA_800x600Padre Sierra: É uma das poucas esquinas que conserva o nome recebido na época de colónia, há mais de 300 anos. Foi assim denominada em honra a D. Joseph de Sierra, capelão das monjas Concepciones, que, em 1766, viveu na casa que se situava naquela zona. O padre Sierra foi um homem muito humanitário, que fez um grande trabalho durante a epidemia de 1766, ao ajudar a curar os doentes, pondo em risco a sua própria vida. Teve uma atitude similar a 21 de Outubro desse ano, ao socorrer as vítimas do terramoto que sacudiu Caracas. O padre Sierra morreu vítima de uma doença que contraiu quando se dedicava a curar e a proteger os doentes.


LA BOLSA_800x600La Bolsa: Alguns associam o nome ao facto de, nessa esquina, existir a casa da bisneta de Don Diego de Boiza, o homem de ‘maus instintos’ encarregue da governação da Província de Venezuela em 1542. Ou seja, o nome provém de uma decomposição do apelido de Boiza. Também se diz que foi nessa esquina que se estabeleceu um tal de Barão de Corvaia, que possuía um negócio de empréstimo de dinheiro, com tal fama que o Presidente Guzmán e os políticos o visitavam frequentemente para as suas operações monetárias. O escritório obteve então o nome de ‘Bolsa de Caracas’.


Los Angelitos: Nesta esquina, diziam os povoadores da cidade, o Presidente Páez, nos seus exercícios de patriota, cortejava uma mulher alheia. Para não ser surpreendido em flagrante em actos de machismo que lhe poderiam acarretar confrontos, colocou, nessa esquina, que mantém o nome, um grupo de guardas, bem armados, cuja missão era impedir a chegada de ‘chaperons’ ou visitantes não desejados. Aqueles ‘anjinhos’ (‘angelitos’) colocados em plena rua permaneceram na história da cidade.


SAN FRANCISCO_800x600San Francisco: O nome tem origem no Convento Máximo da Imaculada Conceição, fundado por uma comunidade franciscana em 1575. A igreja de São Francisco foi desenhada em 1593. Em 1813, Simón Bolívar foi consagrado neste templo com o título de Capitão Geral dos exércitos de Venezuela e com o nome de Libertador. Posteriormente, o templo recebeu os seus restos mortais, a 17 de Dezembro de 1842, quando se celebrou o funeral com o Requiem de Mozart, antes de serem trasladados para a Catedral de Caracas.


SOCIEDAD_800x600Sociedad: Ali se encontrava, no início do século XIX, uma casa grande com portas de madeira escura com relevo, salão de ossos, corredor de ladrilhos e um grande jardim rodeado de elegantes pilares. Esta foi a sede da Sociedade Patriótica, em 1811, onde se ouviu, pela primeira vez, Simón Bolívar motivar o povo para que lutasse pela independência. Personagens como Francisco de Miranda, Miguel Peña, Antonio Muñoz Tébar, Francisco Espejo, os irmãos Salias e Vicente Tejera  reuniram-se neste local para procurar uma solução para a opressão em que a Venezuela vivia naquela altura.

Saiba mais sobre as esquinas de Caracas na nossa próxima edição e através de ‘Histórias Mínimas de Cidade’, no Facebook e @urbanimia no Twitter.

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