Editorial

1.- Com a proximidade de eleições começam a fervilhar os partidos com as suas propostas e, como habitualmente, a prometer aos emigrantes que as suas reivindicações serão levadas em conta, assim como as de todos os estratos eleitorais interessantes. Não é novidade e de um lado a outro do espectro político nacional surgem as propostas que recebemos com interesse, mas sempre com alguma desconfiança.

E a desconfiança não está na falta de seriedade dos proponentes. Ela está na falta de alicerces e de apoio que, muitas vezes, essas ideias saídas das cúpulas partidárias, acabam por esbarrar nos estudos e pareceres das comissões parlamentares e jurídicas que, pelos mesmos motivos político-partidárias, acabam por emperrar a aprovação de novas leis que facilitem a vida aos Portugueses e, nomeadamente, aos que vivem fora da sua terra natal.

Vem isto a propósito do direito de voto para os emigrantes. Em cada legislatura se levanta o mesmo problema, as mesmas questões e dificuldades, mas, e isso é curioso, todos ouvimos os diversos partidos dizerem que estão de acordo quanto à ampliação do direito de voto dos emigrantes. Mas nada ou pouco avança nesse sentido.

Contudo, há questões que gostaríamos de, mais uma vez, alertar a Comunidade Portuguesa. É sobre a falta de participação dos emigrantes nas questões político-partidárias. Porque se é verdade que muitos pedem para votar e intervir na vida pública portuguesa, começando pelo mais elementar que é, naturalmente, o direito de voto que não pode ser sonegado aos cidadãos,  o certo é que na hora de mostrarem a sua participação e a sua presença poucos se apresentam, nas urnas ou participam nos atos para os quais reivindicaram os seus direitos.

É neste dilema que se constrói ainda a democracia portuguesa no que atina aos nacionais que vivem fora do País.

De uma maneira mais simples, o que pretendemos dizer a todos é que devem mostrar interesse, participação e entusiasmo. Porque não tenhamos ilusões: será um verdadeiro disparate reivindicar direitos quando na realidade e no concreto não se pretende fazer uso deles.

2-. Portugal continua enredado nos assuntos relacionados com a banca. Diariamente os telejornais e as primeiras páginas dos jornais abordam a situação dos bancos portugueses. Uns dias porque os lesados do Ex-BES e do ex-Banif foram para a rua se manifestar exigindo a devolução dos milhões investidos e não devolvidos ou, sequer, garantidos, ou porque outros bancos ameaçam também cair na mesma desgraça. Há ainda ao caso da Caixa Geral de Depósitos, em que se anda há tanto tempo a discutir a constituição da sua Administração (parece que agora se encontra resolvido o caso) de uns tantos doutores com ordenados milionários.

É este o cenário que todos os dias nos chega a casa, em Portugal, com intermináveis debates e discursos de temas que a maioria do povo Português não entende e que só nos desvia de outros temas mais interessantes que poderiam estar a debate e que pertencem a uma realidade escondida que é a verdadeira situação sócia-política do País, em que se deveria valoriza mais a pessoa humana e as suas terras, na busca de maior produção e riqueza.

Mas num tempo em que a Europa ameaça desagregar-se como edifício construído para atuar num todo intercontinental, Portugal começa a ganhar pontos a mostrar potencialidades e a arrumar ideias para novos investimentos, tendo em conta que a sua pequena dimensão e a idoneidade dos seus cidadãos mitigam riscos e valorizam linhas de produção ativas que poderão contribuir para o desenvolvimento e progresso futuro.

Não nos faltam oportunidades, o que tem faltado, pelos vistos, é sabermos lidar com a competitividade e com a valorização dos nossos recursos, ser mais confiantes e colocar acima de tudo as boas práticas, porque a cultura do desenrasca… já lá foi o tempo.

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1.- Embora incorrendo na deselegância de sermos repetitivos ou maçadores, não podemos deixar de voltar a escrever sobre as muitas centenas de Portugueses que vivem em Venezuela, e de uma maneira geral na Diáspora, que foram lesados pelas falências dos bancos portugueses.

O tempo que passou já é demasiado e o silêncio a que agora se remeteram as autoridades, depois do período de graça dos novos Presidente da República e Primeiro-Ministro acarreta demasiados prejuízos e matam as esperanças de quem viu o seu dinheiro desaparecer num ápice.

As últimas edições do CORREIO têm demonstrado, através de notícias de diversas origens e com declarações e intervenções concretas e identificadas de pessoas que perderam poupanças de uma vida, que o drama agudiza-se. E, nomeadamente, que a esmagadora maioria dos lesados são pessoas que não estavam no mercado da especulação, mas sim que confiavam demasiado nos funcionários das instituições bancárias e seguiam os seus conselhos e recomendações quanto a uma melhor colocação e rendimento dos seus dinheiros.

Esta é que é, na verdade, a grande questão. Os bancos, os seus intermediários – devidamente identificados e ao serviço de quem trabalhavam – induziam os aforradores em erro, apresentando-lhes propostas que eram – e isso comprovou-se – desonestas, porque resultado de práticas inaceitáveis, do ponto de vista financeiro e ético.

É neste cenário que não podemos deixar de acusar o Estado Português como complacente e, porventura, culpado, num esquema aldrabão que deveria ter sido parado pelas autoridades de supervisão, neste caso pelo Banco de Portugal, instituição tutelada pelo Estado.

E, sem dó nem piedade, tudo se agravou num período de crise e entre disputas político-partidárias, que levaram a mudanças conjunturais no aparelho governativo, com novos cristãos na arena a riscar nomes e a engolir dinheiro de quem, apenas, cometeu o pecado de os colocar nas instituições financeiras do país de origem, nalgumas intervencionadas pelo próprio Estado.

Dois passos para a frente e quatro para trás, tem sido o ritmo desta dança que inquieta e desespera… Mais de um ano depois aparece agora uma comissão de deputados a querer entender melhor a situação dos lesados que vivem na Venezuela. Tão distraídos andam estes representantes do Povo, pagos a peso de ouro! Ainda precisamos “falar grosso” para sermos entendidos.

2.- A falta de tolerância e o xenofobismo que se alimenta com determinadas decisões tidas como de grande poder político e de proteção dos naturais e residentes de certos países são temas que estão na ordem do dia, nomeadamente depois da eleição de Donald Trump, para liderar os destinos de uma nova América. Nova porque, na verdade, parece haver uma nova abordagem num país (EUA) que se tornou conhecido pela América e que, é inegável, qualquer atitude que se tome em Washington, se reflete em todo o continente.

É um caso para seguir, com as devidas precauções, porque não podemos ignorar que hoje vivemos num País que se abriu à Imigração, e que nos deu esta oportunidade de refazermos ou começarmos vidas, de construir famílias e de seguir trabalhando para o progresso e desenvolvimento destas nossas terras de adoção.

O controlo de fronteiras exige responsabilidade e rigor, mas não pode esquecer aqueles que têm direito à nossa fraternidade, sobretudo quando chegam por bem e deles precisamos para construir e criar riqueza. Este sentimento de partilha agradece-se, é verdade, mas é uma exigência dos dias de hoje, pois quando há lugar em nossas casas devemos dar guarida aos que precisam e a quem nós precisamos.

Vendo bem, de olhos abertos e espírito lúcido, chegamos à fácil conclusão de que nenhum território americano viveria hoje sem o trabalho e o capital humano de milhões de imigrantes que aqui desembarcaram desde os tempos da colonização até aos levantamentos republicanos que criaram novos países, a maioria em regimes democráticos, que vivem com os povos indígenas e com eles se misturaram num plena mostra da fraternidade e do envolvimento de todos pelo progresso e pela dignificação das pessoas.

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1.- A notícia que publicamos nesta edição da distribuição de mais de 5,2 milhões de computadores portáteis ‘Canaima’ (conhecidos em Portugal por ‘Magalhães’) é bem o exemplo da dimensão que a cooperação portuguesa está a ter na vida dos Venezuelanos desde há vários anos.

Iniciada pelo falecido Presidente da República Hugo Chavéz Frias em 2008, aquando do Governo socialista liderado por José Sócrates em Lisboa, a cooperação entre os dois países tem reflectido benefícios mútuos, em que se destaca por um lado a continuidade de produção e a manutenção de muitas centenas de postos de trabalho em terras lusitanas, assim como a transferência de tecnologia e de conhecimentos para novos quadros bolivarianos, uma atitude que tem sido recompensada com a instalação de diversas fábricas em território venezuelano, resultado das várias parcerias que têm sido concretizadas ao longo desta última década.

Outra obra gigantesca em benefício das empresas portuguesas e dos habitantes da Venezuela é a via rápida de ligação de Caracas a La Guaira, bem como o praticamente novo porto daquela cidade do Estado Vargas, agora com óptimas condições para ser o cartão de visita de quem chega por mar a este País.

Muitos outros exemplos haveria para referir, que resultam deste intercâmbio e desta vontade de encontrar soluções para muitos anos de atraso e de falta de infraestruturação da Venezuela, nomeadamente na habitação social e nos sectores da eletricidade e das telecomunicações, bem como do armazenamento e abastecimento de bens alimentares e de primeira necessidade em que a cooperação luso-venezuelana tem tido um papel proeminente que, se acentuará no futuro, quando estiverem concluídos os trabalhos que estão em curso.

Por isso, achamos que será interessante que este envolvimento de empresas e entidades dos dois países continuem os contactos, fortaleçam os convénios e ampliem os negócios que são interessantes e úteis para todos os parceiros, colmatando as necessidades de cada um e complementando as potencialidades de cada Povo.

2.- O ensino da Língua Portuguesa e a reanimação dos diversos centros e clubes sociais lusitanos espalhados pelo território venezuelano são um binómio que interesse incentivar e importa dotar de meios para que possam garantir um trabalho mais próximo e fecundo, não só pelo alcance social que estas parecerias poderão motivar, mas sobretudo pelas oportunidades profissionais que, também, criarão para aqueles que se apetrecharem com os conhecimentos necessários para valorizarem os seus currículos e potenciarem as suas perspectivas de emprego futuro.

Vemos com alguma satisfação que a Universidade Pedagógica Experimental Libertador (UPEL) da cidade de Maracay, no Estado Aragua, pretende oficializar um curso de licenciatura para formar professores de Português e que, por exemplo, no Centro Luso Larense, no Estado Lara, foram entregues diplomas a formados no Curso de Língua e Cultura Portuguesa. São dois exemplos de que como a cooperação terá de continuar com esses dois tipos de entidades, capazes de, com o apoio das entidades competentes, criarem a massa crítica (formadores e formandos) para esses cursos existam e cresçam. Neste aspecto não podemos esquecer que há no terreno um segundo país, que é o Brasil, onde se fala Português, e que tem todo o interesse em formar técnicos para levar para as zonas fronteiriças. Não podemos encarar como uma concorrência, mas sim como uma complementaridade e mais uma hipótese de formar pessoas e de lhes abrir também perspectivas de trabalho e de continuidade profissional.

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1.- Nesta edição, como aliás é recorrente em toda a vida do CORREIO de Venezuela abordamos a vida dos clubes e centro sociais portugueses e luso-venezuelanos que se espalham por todo o território bolivariano. Pena que não se tenha encontrado uma forma de harmonizar estas designações, já que os propósitos são os mesmos e os estatutos, mais ou menos vindos de algumas décadas atrás, pretendem, afinal, regulamentar espaços de fruição e de presença de Portugueses e descendentes em diversos locais, adaptados às possibilidades e às diversidades de cada Estado. E, talvez por isso, pela diversidade encontrada e porque nem todos quiseram seguir o que já estava estabelecido, se criaram com nomes diferentes, uns em castelhano, outros com a indispensável e orgulhosa designação na Língua de Camões.

Hoje voltamos a abordar a temática dos centros. Ressalta primeiro a triste notícia de que o Centro Social Luso Venezolano de La Victoria, no Estado Aragua, foi assaltado e saqueado, sob o álibi do vasto terreno de sua propriedade ser necessário para a  construção de casas. Resultado dos tempos que por aqui se vivem, de falta de respeito da propriedade privada e de algum desmando que as opções populares encontram junto de núcleos populacionais menos instruídos e infiltrados por meliantes que nunca, como os Portugueses e os seus descendentes que aqui vivem, trabalharam para o progresso da Venezuela.

Uma fase muito triste. E o CORREIO não pode deixar de se solidarizar com os atingidos, na pessoa do presidente da Junta Diretiva, António Ferreira, a quem envia uma palavra de conforto e de esperança que as autoridades governamentais venezuelanas saberão resolver da melhor maneira este diferendo e chamar à Justiça quem atentou contra os bens e alastra a ameaça velada e o terror junto dos associados do Centro Social.

Mas não há só notícias tristes na temática dos centros. Hoje publicamos uma entrevista com o novo presidente da Junta Diretiva do Centro Português de Caracas. É um barco maior, que exige navegação cuidada e uma programação adequada ao expressivo número de sócios para honrar os pergaminhos do maior centro social das Comunidades Portuguesas em todo o mundo. Rafael Gomes diz-se preparado e conta com uma equipa organizada e ciente das suas funções. Tem um programa que assenta na continuidade do que de bom se tem feito, ao longo dos anos, em Macaracuay, na manutenção dos altos níveis de segurança, em dignificar o clube e resolver alguns dos problemas que hoje se colocam quanto à ampliação das instalações, num tempo que não é de grandes investimentos. A nova Junta Diretiva está ainda empenhada na modernização das atividades dedicadas aos mais novos, de acordo com as solicitações de uma juventude mais dinâmica e mais interventiva, porquanto com mais tempo para frequentar o clube.

2.- Continua a luta dos lesados dos bancos portugueses (ex-BES e ex-Banif) que viram as suas poupanças desaparecerem aquando das falências das instituições bancárias. Agora estão em curso processos de apresentação de queixas nos tribunais por parte dos lesados, a fim de conseguirem, por um lado reter o anunciado negócio da venda do Novo Banco que herdou as contas dos ex-BES, enquanto no lado do ex-Banif, entretanto adquirido pelo Santander Totta, não há novidades e o processo segue o mesmo caminho. E tudo isto acontece numa semana em que o Santander Totta apresentou lucros bastante expressivos na exploração de 2016, resultado que deve ter contado com os ativos recebidos no negócio do antigo banco com sede na ilha da Madeira.

É bom que não nos esqueçamos, sobretudo os que se sentem lesados, para recorrerem a todas as instâncias disponíveis, como forma de pressão, é certo, mas também porque, pelos vistos, não haverá outra maneira de pedir Justiça. Terá de ser através dos tribunais.

É triste que se chegue a esta conclusão e mais triste é ver ainda que a nível nacional a banca continua muito ao sabor das intrigas político-partidárias nos corredores governamentais de Lisboa. Não será dessa forma que a atividade bancária será credibilizada em Portugal. O negócio requer independência, profissionalismo e seriedade. Pois é, um trio de exigências nem sempre cumpridas ou verificadas…

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1.- Estamos no final de mais um ano que não foi fácil para a maioria dos que vivem na Venezuela. As condições económico-sociais, a que se associou um clima político-partidário muito agitado, contribuíram para que 2016 parta sem deixar saudades. Para nós, Portugueses e Luso-Venezuelanos, fica-nos a esperança, sempre acolhida em nossos corações, de que o futuro será melhor, e que Deus nos gratificará por todos os maus momentos que conseguimos aguentar e ultrapassar.

É esta resistência que todos trazemos connosco, a vontade de fazer, de trabalhar, de progredir, que nos faz acreditar no amanhã e na superação de situações que não nos esmagam, mas sim nos dão força para reerguer e continuar a contribuir para o Progresso da Venezuela.

Estamos entre duas paixões, situação séria e de difícil conjugação, mas que gerimos com muito amor, pois representam para todos nós a sobrevivência e a continuidade das nossas Famílias, o que de mais sagrado temos neste mundo.

Neste final de ano queremos deixar a todos os nossos leitores, colaboradores e patrocinadores uma Mensagem de Paz e de Fé, de continuidade da assunção do dever e da contribuição para o progresso de Portugal e de Venezuela, irmanados na fraternidade que sempre tem caracterizado a vivência dos povos destas duas Pátrias que muito nos orgulham.

2.- Em tempo de Festas os jornalistas do CORREIO de Venezuela percorreram algumas das tradições natalícias dos Portugueses que vivem no País e dos seus familiares. Há mudanças que a evolução dos tempos acentua, mas há tradições que nos embalam, como no passado, nesse vasto reportório da gastronomia, dos cantares e dos costumes da terra das nossas raízes.

Um trabalho interessante que sempre lembra aos mais velhos os bons e os maus momentos de outras idades, e sempre a recordação indelével de familiares e de tudo o que de abençoado a nossa terra natal nos dava, mesmo que essa lembrança, para alguns, os transporte a tempos cinzentos e de tristeza. Para os mais novos há um passado de gente forte e decidida, que não hesitou em procurar nova vida pelo mundo fora, sem nunca se desprender demasiado da terra madrasta, mas sempre amada, porque sua e dos seus.

Uma dualidade que nos embala, ainda nas mesas de Natal, na conjugação das misturas gastronómicas e na riqueza da tradição, novamente patente em muitos lares, concretizando na realidade dos sabores o imaginário da terra e dos cheiros que nos transmitiram…

3.- O CORREIO de Venezuela termina um ano de grande atividade. Acompanhámos algumas das datas mais significativas da Comunidade Portuguesa na Venezuela, criámos algumas iniciativas e procurámos, sempre, juntar velhos e novos, em iniciativas que os atualize e acrescente valor quanto ao que passa em Portugal.

As realizações do CORREIO estendem-se e replicam-se agora nas redes sociais, muito além da edição impressa de um jornal que é referência desde há 17 anos, criando acessibilidades que o mundo digital agora nos abre escancaradamente e aproveitando o que de bom nos confere um melhor conhecimento, uma melhor formação e preparação das novas gerações.

É difícil criar mensagens eternas. Agora temos de acompanhar, de evoluir, de adaptar aos tempos o que de bom ganhámos na vida da contribuição dos nossos antepassados. Esta, sim, é uma mensagem perene, que queremos guardar, cristalizada nos nossos corações, e que nos sirva de guia eternamente.

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1.- O Natal está à porta e com ele chega a celebração que, por tradição, junta as famílias e nos sugere a Fraternidade e o Amor que deve existir entre os Homens independentemente de todos os problemas e questões que possam dividi-los.

A Fraternidade e o Amor embalam-nos, como na Mensagem Cristã que nos trouxe Jesus Menino, há mais de dois mil anos, num caminho de Esperança, que esperamos alcançar, no qual pretendemos trabalhar e lutar para que todos se entendam e se juntem numa ampla praça de Paz e Prosperidade. É este caminhar que nos motiva, respeitando diferenças que inevitavelmente nos confrontam, mas que nos devem animar para a construção de algo melhor e mais adequado à nossa condição humana, de seres pensantes, numa época em que o conhecimento e as novas tecnologias nos trazem tudo, invariavelmente e em qualquer momento, mas que nos obrigam a ser compreensivos e tolerantes. Esta a grandeza do ser humano que devemos ter sempre presentes, mesmo quando a dor nos conduz à vingança ou o desconforto e a exaustão nos afastam do melhor caminho.

É com este espírito que queremos encarar o Natal. Ultrapassar, sem esquecer, o que passou, e tornar as coisas más num incentivo maior para que tudo floresça de novo e a Primavera nos motive para novos empreendimentos, nos impulsione para atitudes mais condizentes com os imprevistos que vamos encontrando.

Celebremos o Natal com as nossas Famílias, com a Fraternidade e o Amor, que esta mensagem nos traz e nos impele para pensamentos positivos e obras maiores, afastando as sombras que colocamos no nosso futuro.

O Natal é sempre tempo de celebração. Porque estamos vivos, porque estamos entre os nossos, porque nos sentimos capazes de continuar, porque nos sentimos capazes de ajudar outros que, sem vontade, perderam a esperança de viver ou de continuar a trabalhar. É essa força e esse otimismo que necessitamos, para ressurgir no Ano Novo, com bons começos e mais força para vencer e ultrapassar os obstáculos que, estejamos certos, não deixarão de surgir na nossa caminhada.

2.- Dois factos, nos dias desta semana, enchem de orgulho todos os Portugueses. São (quase) recorrentes e têm sido notícia nos últimos tempos. Falamos da posse de António Guterres como secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU) e da eleição de Cristiano Ronaldo como ‘Bola de Ouro’ deste ano.

Para Guterres vai todo o nosso apreço, pois a sua nomeação é a sagração de um dos melhores Portugueses no seio das nações de todo o mundo. E não devemos desmerecer este facto, nem tão-pouco minimizá-lo, mesmo que a política pouco nos diga, quando por questões diversas não apreciamos o desenrolar de certos acontecimentos. António Guterres é o exemplo da idoneidade moral, da excelente postura e de entrega incondicional ao serviço público, na busca do bem, da concordância entre os povos e da melhoria das condições de vida de quem menos tem neste mundo. Foi essa a mensagem que deixou e que confirmou na dezena de anos que foi Alto Comissário das Nações Unidas para os Refugiados.

Quanto a Cristiano Ronaldo, não é por ser futebolista que a sua ação é minimizada. Antes pelo contrário: a sua áurea corre mundo mais rápido e conduz-nos aos sítios mais recônditos, onde não fora ele, Portugal não seria conhecido, nem procurariam no mapa onde fica essa exótica ilha da Madeira de onde partiu, tal como muitos dos Portugueses que hoje nos leem na Venezuela. Ganhou a sua quarta ‘Bola de Ouro’, uma relevância que nenhum outro futebolista europeu conquistou até hoje, numa época brilhante em que ganhou quase tudo o que havia a ganhar.

Portugal  não é um País cinzento, como alguns cangalheiros do mal-dizer apregoam. Em Portugal brilham muitas estrelas, como António Guterres e Cristiano Ronaldo, de brilho maior, é certo, mas integrados numa constelação que nos enche de orgulho e de vontade para caminhar mundo fora.

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1-. Esta semana marcou uma reviravolta para todo o continente americano. A inesperada eleição de Donald Trump (será que o foi, tal como certos meios ocidentais, ou politicamente corretos, o dizem?!…) terá certamente reflexos muito interessantes de seguir em toda a América.

Há uma personalidade diferente na Casa Branca a partir de Janeiro do próximo ano e o seu estilo ou a sua política irão definir o relacionamento com outros países da mesma área geográfica, retalhados numa diversidade de regimes e de contextos político-sociais, mas todos muito dependentes do que se decide em Washington.

Depois dos acordos de paz na Colômbia – ainda suspensos porque aguardam uma saída para o chumbo referendário que ameaça tudo voltar para trás – a abertura política e comercial de Cuba, a própria situação político-social na Venezuela, são dossiês que exigem acompanhamento internacional, que despertam os analistas, a Ocidente e a Oriente, sobre qual será o futuro do Executivo que Trump irá liderar.

No caso particular da Venezuela, interessa referir que a eleição de Trump foi bem recebida em Caracas. Há um personagem diferente do proclamado ‘inimigo’ Obama, cuja política externa seria seguida, estamos certos pela senhora Clinton, que asseguraria a continuidade do regime. E talvez, por isso mesmo, Donald Trump conseguiu ganhar e ter mais adeptos, porque a democracia é isso mesmo: permitir a mudança quando em causa estão os interesses dos cidadãos e as suas condições de vida.

O futuro dirá se será essa a proposta de Trump e aqui ficamos para saber em que será diferente de Barak Obama ou das propostas de Hillary Clinton, nomeadamente no seu tratamento com a imensa América Latina. Aquela que vive dentro das fronteiras dos EUA e que faz mexer e sobreviver cidades enormes como Nova Iorque ou Miami. E, também, esta América Latina onde se levantam outras Pátrias, num rendilhado pouco alinhado, de parcerias estranhas, mas todas cientes de que têm de lidar com o novo ‘falcão’ de Washington. Bem ou mal, depende, mas certos que produzir riqueza é a ambição maior, já que de pobreza e marginalização andam fartos.

2-. A Madeira exportou para a África do Sul a sua ‘Festa da Flor’. Miguel Albuquerque, o presidente da Região Autónoma, está no Estado Livre de Orange, para assistir às celebrações de uma festa semelhante àquela que se celebra em cada mês de Maio na ‘Pérola do Atlântico’.

Foi no ano passado que as autoridades madeirenses convidaram representantes de Orange para se deslocarem à ilha, com vista a encetarem contactos com vista a uma maior cooperação, tendo em conta que vivem na área milhares de famílias madeirenses. Uma forma de agradecer o bom acolhimento que ao longo de décadas tem sido dispensado aos emigrantes portugueses oriundos da Madeira e ao mesmo tampo aproveitar para mostrar aos sul-africanos algumas potencialidades da Região Autónoma, não só no sector do turismo, como também em outra áreas económicas, com destaque para o desenvolvimento das novas tecnologias de informação e empresas tecnológicas que têm sido criadas com sucesso na Madeira.

Ao fim de poucos meses os resultados são surpreendentes. Há caminhos abertos, pontes ligadas e na região autónoma portuguesa já estão e estiveram técnicos que estagiam em empresas locais, enquanto se preparam novos acordos com o empenho e a cooperação de portugueses que vivem na África do Sul.

Mas o que terá, para já, entusiasmado mais as autoridades do Estado Livre de Orange foi o desfile da ‘Festa da Flor’ ao qual assistiram neste ano, na cidade do Funchal. Uma equipa do sector de Animação da Secretaria Regional do Turismo foi até à África do Sul para juntamente com funcionários e voluntários locais montar a Festa da Flor que à semelhança da Madeira pretende ser também um futuro cartaz turístico  do ‘Orange Free State’.

Há aqui um interessante progresso no relacionamento do arquipélago com as terras de acolhimento dos emigrantes. Um interesse regional, se bem que não desestruturado dos respectivos interesses nacionais, que mostra a evolução e o futuro da cooperação e intercâmbio interterritoriais. Não será bem uma novidade, ao longo das últimas décadas, mas é certamente a primeira vez que esta actuação é bem pensada e alicerçada com bases mais sólidas e com melhores perspectivas de futuro.

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1-. A Venezuela vive momentos de muita esperança, com a abertura das conversações entre o Governo e a Oposição, mediadas por diversas entidades internacionais e instituições e, nomeadamente pelo Vaticano, com a intervenção pessoal do Papa Francisco.

Pelas notícias que nos chegam há abertura para que o diálogo aconteça e para que se encontrem caminhos que conduzam à paz institucional, relançando o País e retornando a normalidade que se pretende para que todos trabalhem em sossego e para que os sectores produtivos sejam reativados.

Num lado e noutro exigem-se condições que são, naturalmente, imprescindíveis para tudo funcione melhor. Condições para quem foi eleito possa governar e assumir as rédeas do País. Condições para que a Oposição possa exercer em democracia e liberdade o seu trabalho de fiscalização institucional.

Esta semana foi divulgado mais um relatório internacional que publica números tenebrosos quanto à criminalidade em toda a Venezuela. Em 2015 registaram-se 27.875 homicídios e só no mês de Outubro deste ano, apenas na área da cidade de Caracas foram assassinadas 506 pessoas.

Achamos que há poucas palavras para qualificar esta situação, resultado de ocorrências dramáticas e pouco abonatórias da condição humana. Contudo, e sem retirar mérito ao que agora se anuncia nas mesas de negociações, poucos movimentos vimos na busca de uma solução para a violência e para esta insegurança permanente que vivem o cidadãos na Venezuela, sobretudo aqueles que têm de viver em comércios, em zonas de maior movimento e mais expostos à actividade de grupos de bandidos.

Sobre a mesa das negociações temos visto que é preciso libertar os presos políticos e que é preciso criar condições de paz para que a economia retome o seu caminho.

Tudo bem. Mas há questões fundamentais que continuam adiadas ou sem solução à vista. Como se pode morrer tanto nas mãos de criminosos face a uma apatia quase generalizada, que transforma milhares de homicídios e ilícitos criminais numa situação quase vulgar e característica da vida dos venezuelanos?

Há muito caminho a percorrer para pacificar a nação venezuelana. A escalada do crime está imparável e os números, grandiosos e, talvez, a pecar por defeito, não nos deixam dormir descansados.

2-. Portugal recebe na próxima semana a Web Summit, um dos acontecimentos mais importantes no mundo das novas tecnologias de informação e das start-ups. Todo um mundo de negócios, que vive baseado na Internet e nas tecnologias digitais, está de olhos postos na capital portuguesa.

Lisboa tornar-se-á, por assim dizer, numa gigantesca feira, em que empreendedores e promotores de novos negócios desembarcam para saber o que há de novo. Vêm inteirar-se dos novos inventos, das novas propostas de negócio, que também chegarão de todos os continentes, hoje baseadas no conhecimento e na evolução que se assume através do desenvolvimento intelectual e das máquinas complexas, mas simples de utilizar, que hoje povoam o nosso dia-a-dia.

A Web Summit que levará a Lisboa cerca de 75 mil pessoas e que deixará na cidade cerca de 175 milhões de euros em receitas, só na hotelaria, restaurantes e comércio em geral, é bem a prova de que os negócios agora se fazem com mais inteligência e mais conhecimento, com pessoas melhor preparadas e pró-ativas. Mas é sobretudo a prova de que Portugal soube dar o passo, que está interessado em que esse novo mundo aconteça também entre-portas e que os Portugueses sejam protagonistas deste mundo novo, de infindáveis oportunidades que se cria e amplia também a partir de onde partiram outros Portugueses que deram novos mundos ao mundo. Interessante recordar, sem saudosismos, até porque o paradigma é completamente diferente.

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1.- No início de mais um ano escolar verificamos com grande satisfação que continua o interesse pela aprendizagem da Língua Portuguesa, não só entre os filhos de Portugueses que vivem na Venezuela, como também entre muitos Venezuelanos que acedem ao Ensino Universitário.

Se é verdade que é gratificante ver que se existe procura, não menos gratificante é assistirmos ao grande empenho de diversas instituições, associações e clubes, ao longo de toda a Venezuela que têm criado condições para que os alunos tenham os melhores professores e programas que garantam a proficiência desejada.
Não podemos esquecer também o grande interesse que as autoridades diplomáticas têm dedicado ao Ensino do Português como língua alternativa nas escolas venezuelanas, muito procuradas agora, numa situação em que há que ganhar conhecimentos e valências para os jovens, sobretudo em áreas tecnológicas, encontrarem melhores colocações e concorrerem a melhores oportunidades de emprego e de progressão nas suas carreiras profissionais.

O Brasil é aqui ao lado um alternativa interessante, além do caminho para uma carreira europeia poder ser conquistada através de Portugal, onde o domínio da língua é essencial para concorrer a certificações e reconhecimentos de carreiras universitárias.

Mais que não seja para que todos possamos nos entender, também, em Português. O CORREIO de Venezuela continuará a sua cruzada pela Língua de Camões e de Saramago, como o vem fazendo há quase duas décadas.

 2.- Os últimos desenvolvimentos da política internacional, sobretudo na América Latina, apontam novos caminhos de concórdia e fraternidade, num continente no qual nos últimos anos, nem sempre se tem pugnado pela dignificação da vida humana e pelos direitos dos cidadãos.

A recente assinatura do Acordo de Paz na Colômbia com as FARC – Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia, que será referendado no domingo, dia 2 de outubro, põe fim a um conflito armado de 52 anos que custou milhares de vidas nas duas bandas da contenda. Uma autêntica guerra civil que matou cerca de 300.000 pessoas, entre mortos e desaparecidos desde 1964. Contudo, há ainda um referendo que irá determinar o fim legal das hostilidades, com ambas as partes prontas para entregar armas.

3.- Também na Venezuela, num conflito político-social de menor dimensão, e meramente suscitado pelas contradições de um sistema parlamentar com um oficialismo e uma oposição muito próximas em termos de quantidade de votos, vivem-se dias de esperança.

A recente reunião entre Nicolás Maduro e o secretário de Estado John Kerry, dos Estados Unidos da América, abre caminho para negociações que poderão relevar-se muito importantes para a estabilização do regime em Caracas.

A permanente recusa das propostas da oposição serão, na verdade, a grande questão que estará na mesa das negociações quando o Governo de Washington voltar, nas próximas semanas, à capital venezuelana, conforme prometido.

Parece haver mais abertura e um entendimento melhor do que se está a passar, nomeadamente depois da queda das sanções dos EUA a Cuba e ao Irão, os grandes aliados internacionais da actual governação de Nicolás Maduro. A queda de Dilma Roussef é outra questão a ter em conta, já que o regime perde apoiantes onde, naturalmente, os deveria ter, que é na vizinhança.

Por aqui ficamos apontando o que consideramos ser alguns factos positivos desta semana, que nos redobram a esperança e a fé num futuro mais fraterno e com mais progresso.