Comunidades portuguesas procuram apoio para problemas ligados à pandemia

Comunidades portuguesas procuram apoio para problemas ligados à pandemia

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Quase cinco mil portugueses pediram apoio para enfrentar a pandemia da covid-19 e as consequências do confinamento imposto em todo o mundo, disse o ex-secretário de Estado das Comunidades e atual secretário-geral adjunto do PS, José Luís Carneiro.

Um apoio que a secretária de Estado das Comunidades Portuguesas, Berta Nunes, garantiu ter passado a ser uma orientação específica de consulados e embaixadas portuguesas.

“As dificuldades apanharam o Governo de surpresa e passaram pelo encerramento de fronteiras e espaços aéreos, com a consequente retenção de turistas e emigrantes nos países onde estavam”, admitiu Berta Nunes, na iniciativa “Diálogos Digitais com as Comunidades Portuguesas Fora da Europa”, realizada pelo PS.

A governante adiantou que, além disso, a pandemia também causou “o fecho de empresas que deixaram muitos trabalhadores sem emprego ou não ativos”, a suspensão de aulas que, por exemplo, “deixou também em suspenso os alunos de Erasmus, além de dificuldades de isolamento, nomeadamente de idosos no estrangeiro”.

“Temos acompanhado estas situações através dos consulados e embaixadas, que tiveram orientações para ajudar nas consequências da covid-19”, afirmou Berta Nunes, admitindo que ainda restam muitos problemas, como os dos tripulantes portugueses retidos em navios.

“Estamos a acompanhar a situação dos cruzeiros que estão ao largo dos Estados Unidos e México e onde estão bastantes tripulantes portugueses”, afirmou a secretária de Estado, explicando que as autoridades desses países não têm viabilizado o repatriamento.

Para conhecer as dificuldades das várias comunidades da diáspora e, assim, perceber como ajudar, os responsáveis governamentais resolveram ouvir vários representantes.

Foi o caso de Ricardo Magalhães, do Brasil, que elogiou o apoio que tem sido dado pelo consulado português, mas também o de Carlos Miranda, do Canadá, que se queixou da difícil situação em que, sobretudo, as empresas de construção civil ficaram na sequência da pandemia e lembrou que Toronto continua a não ter um cônsul que possa ajudar mais esta comunidade.

Da África do Sul, José Luís Silva alertou para o facto de a comunidade portuguesa ter vários membros a passar fome devido às consequências laborais provocadas pela covid-19 e defendeu a necessidade de ser nomeada uma assistente social para a comunidade.

Nos Estados Unidos da América, a líder comunitária Isabelle Coelho-Marques também se queixou das várias consequências da pandemia para a comunidade portuguesa, sobretudo em Nova Iorque.

“Os Estados Unidos são o país mais afetado pela pandemia e em Nova Iorque há mais de 22 mil mortes, seis das quais de portugueses”, disse Coelho-Marques, acrescentando que também se sente na comunidade “um grande receio porque muitos vão ter de fechar portas” de comércio e negócios.

A recessão económica também é a grande preocupação da comunidade portuguesa em Macau.

“As receitas dos casinos caíram 96,28% e o impacto na comunidade portuguesa é muito forte porque é uma comunidade transversal a toda a atividade económica”, explicou Vitor Moutinho, referindo que a taxa de desemprego no território antes da pandemia era de 0,4% da população “e agora passou a 2%”.

Da Venezuela, o representante da comunidade portuguesa Jany Moreira lembrou que a situação no país já era de crise, tendo piorado com a pandemia.

“O ordenado mínimo é o equivalente a 3,9 euros por mês, temos racionamento de água potável e de luz, com apagões que chegam a durar 12 horas, a maioria das pessoas não tem gás em casa e agora também não há gasolina para nenhum cidadão, só para os órgãos do Estado”, descreveu.

Segundo disse, a comunidade portuguesa sobrevive apoiando-se mutuamente, mas “há portugueses a passar fome, nomeadamente nas zonas interiores”.

Por outro lado, o confinamento e consequente encerramento das escolas provocou a suspensão do ensino aos alunos. “As comunicações na Venezuela são terríveis e, portanto, o ensino à distância é muito difícil”, referiu. Segundo adiantou ainda, há muitos portugueses com dificuldades em regressar a Portugal, até porque o único voo que fazia a ligação, uma rota da TAP, foi suspenso há mais de 90 dias.

A iniciativa “Diálogos Digitais com as Comunidades Portuguesas Fora da Europa”, que, segundo José Luís Carneiro, deverá passar a acontecer “de três em três meses”, visa “manter a ligação com os portugueses que se encontram pelo mundo” e pode ser uma forma de apresentar os problemas da diáspora, quer por videoconferência quer por ‘chat’.

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