Duas gerações de Lusovenezolanas sorriem nas Payasitas Nifu Nifa

Duas gerações de Lusovenezolanas sorriem nas Payasitas Nifu Nifa

0 143

O famoso grupo ainda está empenhado em fazer música para crianças com o seu estilo particular

Delia Meneses

Quem não se lembra delas? Canções como “Alibombo”, “Sana, sana”, “regálame tu foto”, “kikiki Cococo” permaneceram gravadas na memória de milhões de crianças e causaram furor no público infantil mesmo sem existirem os telemóveis, as redes sociais ou os iPod. Em meados dos anos oitenta, Las Payasitas Nifu Nifa chegaram para demonstrar que as mulheres são especialistas em maquiagem e peruca e para destronar os homens na arte do entretenimento infantil. Encontraram uma fórmula imbatível: uma palhacinha que unia as crianças com a doçura e carisma da mãe.

Desde a sua primeira aparição há 34 anos, os valores da “portugalidade” têm estado presentes graças a Fátima Vieira, que dá vida à palhacinha de cabelo amarelo e mais tarde por Carla Vieira, que foi recrutada mais jovem, e praticamente cresceu com o grupo como a palhacinha querida de peruca vermelha. Andrea Matos, por sua vez, faz parte desta nova geração de Nifu Nifa, mais uma lusodescendente que deixou a sua marca no grupo e que se esforça em fazer música para crianças em tempos de reggaeton.

“Eu cresci com elas e em criança era a sua fã, agora sou uma palhacinha e ensino ao meu afilhado a nossa música”, diz Matos, uma jornalista de 24 anos que soube do casting, participou e já tem mais de um ano no grupo. “É uma honra estar aqui, cada ensaio é uma aprendizagem constante, da maquiagem até a coreografia. Em cada apresentação sabemos o que vamos fazer: divertirmo-nos e fazer as crianças felizes”.

O pai de Andrea é natural da Camacha, a mãe do Monte e a jovem tem estado duas vezes na ilha da Madeira. A palhacinha que usa uma peruca verde que condiz com os seus olhos, assegura que vir de uma família de origem portuguesa ajudou-a a cultivar os valores da união da família e da partilha, que são fundamentais para desempenhar o seu papel no mundo do entretenimento infantil”. Desde pequena ensinaram-me a ser boa pessoa, estar atenta ao próximo. Somos uma família numerosa com muitos primos e aprendi a ser sensível com os pequenos, a cuidar e brincar com eles. AI que tem 3 anos ensino-lhe que sim há música para crianças e que nem tudo é reggaeton”.

Com 46 anos e dois filhos de 12 e 10 anos, Fátima Vieira é uma das palhacinhas fundadoras. Por um tempo, para exercer sua carreira como advogada, distanciou-se do grupo ao qual regressou logo após o reencontro do grupo que teve lugar no final de 2014. Deixou claro que as Nifu Nifa não só estão vigentes, mas que sorriem aos novos tempos. Uma amostra de que continuam a cativar corações, não só das crianças, mas também os dos adultos que cresceram com a sua música, são as onze apresentações que tiveram no Dia da Criança”. Estamos cheias de atividades, “piñatas” todas as semanas, espetáculos públicos. No passado fim de semana cantamos na Praça Alfredo Sadel em Las Mercedes, e nos dias 1 e 2 de setembro no Centro Comercial Expreso em Baruta”.

Para Fátima, cujo pai é natural de Aveiro, as raízes lusitanas permitiram-lhe crescer valorizando a importância da família, destacando o valor dos avós. São esses ensinamentos que ficam reproduzidos nas canções do grupo e aqueles que ela incute nos seus filhos. Eles ficaram surpreendidos quando souberam que sua mãe era uma Nifu Nifa. Depois do primeiro impacto, agora ajudam ao estarem atentos para não deixar nada atrás quando tem uma apresentação, mas não deixam de ficar com ciúmes quando uma criança mostra muito carinho à palhacinha de cabelo amarelo.

“Os tempos mudaram e também o estilo e o ritmo das nossas composições, mas aquilo que se mantém é a mística e o desejo de que a criança se divirta preservando sua inocência, com letras que estão de acordo com a sua idade.”

Para Carla Vieira, que também é mãe de dois meninos com idades entre 8 e 3 anos, a sua passagem pelo grupo permitiu-lhe descobrir a importância de cuidar das crianças e das suas necessidades, de não os enganar e de os tratar com respeito e interesse pelas suas ideias. A artista deixou o palco para se dedicar a Rodrigo e Arturo, mas resgata do seu tempo de palhacinha as aprendizagens adquiridas e o crescimento do ponto de vista humano e profissional. Reconhece o mérito de Gianna Lodi, psicóloga educacional da Escola Bolívar y Garibaldi de Caracas, que criou o conceito que mais tarde estabeleceu um padrão no mundo da animação infantil”. Cada canção tinha um objetivo a trabalhar e uma razão pensada. O objetivo foi refletir a visão a partir do mundo das crianças, que elas pudessem seguir as músicas e imitá-las, esse foi parte do sucesso das Nifu Nifa, além de ter os melhores ‘arreglistas’ e compositores da época “, entre os quais Rudy La Scala, Hugo Blanco, Alejandro Salas, Ricardo Hernández.

Hoje, na opinião de Carla, continuam a faltar artistas infantis que façam boa música para este tipo de público; daí o sucesso que mantêm umas palhacinhas que hoje renascem e se beneficiam do impacto e feedback que permitem as redes sociais. “O valioso é que elas têm conseguido manter a sua essência: a maneira de se aproximar das crianças com respeito, de se envolverem com toda a família durante as festas, assim como as letras infantis pensadas para que a criança não perca a sua ingenuidade”, afirma quem fez parte das Nifu Nifa durante dez anos. “Sempre tínhamos muito cuidado em manter a magia e o véu do mistério, de não revelar quem eram as meninas por trás da peruca e da maquiagem”. E assim continua a ser até hoje. Para as seguir mais de perto está a sua conta do Instagram @PayasitasNifuNifaVzla.

SIMILAR ARTICLES

0 131

NO COMMENTS

Leave a Reply