Emigração para a Venezuela retratada em livro

Emigração para a Venezuela retratada em livro

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Obra ilustra épocas e factores que levaram ao registo de um ‘pico’ de emigração

MATILDE ABREU / FUNCHAL / 11 JUL 2018

 ‘Emigração madeirense para a Venezuela (1940-1974)’ é o nome da obra de Joselin da Silva de Nascimento Gomes, que foi apresentada ontem no Auditório do Centro de Estudos de História do Atlântico (CEHA). Um estudo sobre a emigração madeirense para a Venezuela, no período em apreço, que retrata os contextos, as histórias e o espírito associativo que esteve sempre presente na relação entre a Região e aquele país.

Na sessão, a autora explicou que ‘grosso’ da obra foi baseado na sua dissertação de Mestrado, feita em 2009 e que, a partir de 2010, teve a oportunidade de visitar o país latino-americano onde nasceu para explorar mais material.

“A obra está estruturada em três partes. A primeira, é uma pequena contextualização sobre a emigração madeirense, que inclui a suspensão migratória, a evolução que houve na definição do emigrante, a clandestinidade. Apesar de já existirem madeirenses na Venezuela, nas décadas de 20 e 30, foi a partir de 1945 – e ao longo da década de 50 –, que se verificou o mais forte aumento emigratório para este país, que passou a ser o El Dorado, devido à moeda forte, às facilidades de investimento e aos proveitos do petróleo”.

Só depois entramos na parte principal do livro, que se divide em duas fases. A primeira é referente às decadas de 1940 e 1960, na qual se aborda uma emigração por necessidade, devido ao excesso demográfico, e, por outro, à aventura e desejo de “enriquecer” com negócios próprios. A segunda fase, de 1961 a 1974, está relacionada com a fase da Guerra Colonial em África: “uma emigração forçada porque os jovens partiam com receio de terem de cumprir o serviço militar”, explicou a investigadora com raízes venezuelanas.

A autora, explica, «partindo de várias fontes, baseia a sua pesquisa numa amostra de entrevistas de emigrantes madeirenses, em informação veiculada pela imprensa local, em alguma documentação histórica e na repercussão deste fenómeno na literatura madeirense, sendo, todavia, a ligação familiar ao fenómeno das mobilidades aquela que motiva esta abordagem e que confirma o interesse da segunda e terceira gerações pelo aprofundamento das suas raízes e pela emigração madeirense”.

A autora, explica, «partindo de várias fontes, baseia a sua pesquisa numa amostra de entrevistas de emigrantes madeirenses, em informação veiculada pela imprensa local, em alguma documentação histórica e na repercussão deste fenómeno na literatura madeirense, sendo, todavia, a ligação familiar ao fenómeno das mobilidades aquela que motiva esta abordagem e que confirma o interesse da segunda e terceira gerações pelo aprofundamento das suas raízes e pela emigração madeirense”.

Refira-se que a Obra junta, assim, documentos, artigos de jornais, anúncios, histórias de vida e textos literários, dando, deste modo, uma ideia global desta tão importante mobilidade.

No lançamento da obra, esteve presente a directora regional da Cultura, Teresa Brazão, que sublinhou que “a História da Madeira da Madeira não está completa sem a História da Emigração”. Como tal, “há uma série de factores que têm de ser estudados, no sentido do estudo da emigração, sobretudo o cruzamento entre as pessoas que foram e as que voltaram e a influência que isso teve na nossa cultura, arquitectura, literatura, na música. Existem coisas que são fundamentais e nunca perceberemos a identidade da Madeira se não percebermos melhor a emigração”, disse.

Teresa Brazão referiu, ainda, que os “estudos sobre este tema nunca estão concluídos”, pelo que a “Direcção Regional dos Assuntos Culturais tudo fará para que o tema continue a ser explorado”.

Na ocasião, estiveram presentes o professor Alberto Vieira, que fez a apresentação da obra, e Aneclet Teixeira, responsável pelo financiamento do livro ‘Emigração madeirense para a Venezuela (1940-1974)’.

Refira-se que a Obra junta documentos, artigos de jornais, anúncios, histórias de vida e textos literários, dando, deste modo, uma ideia global desta tão importante mobilidade.

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