Estagnação da produtividade motiva preocupação

Estagnação da produtividade motiva preocupação

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O Banco de Portugal considera que um dos desafios da economia portuguesa é a baixa produtividade, porque limita a expansão do PIB e aumentos dos salários, segundo o Boletim Económico, que indica que empresas exportadoras e maiores são mais produtivas.

O Banco de Portugal divulgou o Boletim Económico de 2018, onde se mostra preocupado com a produtividade, considerando que “a evolução desfavorável da produtividade não tem permitido sustentar uma dinâmica mais forte dos salários e do rendimento”.

Segundo o banco central, a expansão da economia portuguesa nos últimos cinco anos (em 2018 o PIB – Produto Interno Bruto cresceu 2,1%, atingindo níveis de 2008, pré-crise, ainda que abaixo do crescimento de 2017) reflete sobretudo um crescimento do emprego e não da produtividade, que tem estado praticamente estagnada.

“A retoma de um perfil ascendente da produtividade constitui um dos desafios cruciais enfrentados pela economia portuguesa”, refere a entidade, considerando que ganhos de produtividade significativos são fundamentais no aumento do potencial de crescimento da economia.

Depois de ter havido ganhos de produtividade na crise, “associados ao desaparecimento de empresas e postos de trabalho menos produtivos”, diz o Banco de Portugal que a “produtividade aparente do trabalho tem estado estagnada no período de recuperação da atividade em Portugal”, em divergência do que se passa na zona euro.

Para o banco central, a estagnação da produtividade foi agravada pelo “processo de ajustamento na acumulação de capital” e pela saída de trabalhadores jovens que houve na crise, que não foram compensados pelas reformas feitas no programa de ajustamento e pela melhoria das qualificações dos trabalhadores.

A forma pela qual a economia portuguesa tem tido algum ganho de produtividade, refere o Banco de Portugal, é sobretudo pelo aumento do peso dos setores mais produtivos.

No Boletim Económico é mesmo divulgado o estudo “Produtividade aparente do trabalho em Portugal na última década”, que analisa o período 2008-2017, em que se estuda a produtividade ao nível da empresa, considerando que produtividade tem sido afetada pelo baixo crescimento da economia em longos anos, pela migração de trabalhadores mais jovens e que não têm sido suficientes as reformas adotadas e a melhoria das qualificações dos trabalhadores para fazer subir a produtividade.

O estudo conclui que há “grande massa de empresas com produtividade muito reduzida”, à semelhança do comprovado em outros estudos para Estados Unidos e países da Europa.

Analisando por setores, a evolução da produtividade ficou praticamente inalterada na última década, tendo apenas sido registados ganhos no comércio, reparação de veículos, atividades de alojamento e restauração, sendo que, contudo, as empresas deste setor continuam menos produtivas do que as da indústria.

O estudo confirmou ainda que as empresas que participam no comércio internacional são mais produtivas.

As empresas exportadoras são em média mais produtivas, mas também as importadoras apresentaram diferenciais de produtividade positivos.

“Assim, o aumento observado ao longo da última década na prevalência de empresas exportadoras em todos os setores — nomeadamente a partir de 2010 — é um desenvolvimento positivo que contribui para o aumento da produtividade agregada”, segundo o estudo.

O estudo comprovou ainda que há uma relação entre a produtividade e a dimensão da empresa, sendo mais produtivas as maiores. Contudo, em Portugal a grande maioria das empresas são de micro ou pequena dimensão.

Verificou ainda o estudo que há uma convergência da produtividade das novas empresas para o patamar de produtividade das empresas mais antigas.

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