Fadista com raízes na Madeira quer dar-se a conhecer à ilha

Liliana de Faria é lusodescendente, filha de emigrantes madeirenses na Venezuela que já teve a oportunidade de cantar num restaurante na Madeira. Ao JM, manifestou o desejo de voltar a cantar na ilha e o objetivo de dar-se a conhecer ao povo madeirense.

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Por Marco Sousa

marco.sousa@jm-madeira.pt

Liliana de Faria é música e cantora desde –imagine-se – os 8 anos de idade e toca vários instrumentos como piano, flauta e acordeão. Atualmente é fadista e acompanha alguns desses mesmos fados com a flauta. “Gosto de misturar e alternar alguns instrumentos com a voz”, confessou inicialmente.

Os pais da lusodescendente são da Madeira, mais precisamente do sítio da Pedra, na freguesia do Campanário. “Quase toda a minha família é de lá. Tenho família e grandes amigos na Madeira”, assegurou.

A paixão pelo fado

O desejo e a vontade de cantar fados surgiram aos 14 anos de idade, isto porque a fadista começou “desde muito nova a ouvir as canções de Amália Rodrigues, Maximiano de Sousa, Lucília do Carmo, mais tarde Dulce Pontes, Madre Deus, Ana Moura, Mariza, e muitos outros”.

“Na realidade fiquei fascinada, as letras cativaram-me imenso. Uma mistura de sentimentos que faziam-me sentir uma emoção muito grande a cada vez que escutava, bateu muito forte no meu coração”, realçou a artista lusodescendente.

A ligação de Liliana de Faria à comunidade portuguesa na Venezuela é grande. “Estou muito ligada à comunidade portuguesa na Venezuela que me tem convidado para participar em festas e em dias importantes, especialmente no Centro Português de Caracas”, descreveu.

A cantora já atuou no dia da Região Autónomo da Madeira, no dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas, juntamente com o seu grupo de músicos. Todas estas atuações realizadas em solo venezuelano.

A fadista já teve a oportunidade de cantar com a orquestra sinfónica da Venezuela e foi convidada pela Embaixada de Portugal em Caracas para celebrar o dia mundial da Língua Portuguesa, algo que foi noticiado oportunamente pelo JM.

Liliana de Faria participou ainda no dia de Portugal em 2019, pertencendo a um concerto “absolutamente maravilhoso”, que contou com a presença de aproximadamente 3.000 pessoas que puderam desfrutar de uma viagem musical por Portugal.

Já em solo luso, a lusodescendente teve algumas surpresas. “Em Lisboa fizeram-me uma surpresa, tive a oportunidade de cantar numa casa de fados. Foi algo inesperado e inesquecível onde tive a oportunidade de tocar com guitarristas portugueses”, descreveu.

Na Pérola do Atlântico já cantou por uma vez num restaurante familiar que se situava no Caniço. “Foi uma noite inesquecível porque tive a oportunidade de cantar com um músico madeirense”.

A experiência foi de tal modo marcante para Liliana de Faria que o objetivo é repeti-la. “Eu gostaria de cantar novamente na Madeira e poder dar a conhecer o meu trabalho como artista, como cantora e como lusodescendente que sou com muito orgulho”, enalteceu em forma de apelo ao povo madeirense.

Situação Venezuela

Como se sabe, a Venezuela está a passar uma situação socioeconómica e política instável, existem relatos de faltas de vários serviços básicos um pouco por todo o país. O tema não poderia faltar na nossa conversa. Ainda assim é algo que não assusta a fadista.

“Não tenho receio, tenho a plena confiança que tudo vai melhorar, somos um país enorme com grandes pessoas, com capacidades para mudar e melhorar a situação com a ajuda dos portugueses e dos venezuelanos”, enalteceu.

A terminar, admitiu as dificuldades, mas deixou um olhar de confiança e de esperança para o futuro. “Todos nós sabemos que não é fácil, somos um povo lutador e vamos todos dar a volta por cima, porque somos venezuelanos, porque somos portugueses. É esse o nosso espírito, um povo e uma nação que se sacrifica e dá o melhor de si pela sua pátria e pelo país que os acolheu”, concluiu a talentosa fadista lusodescendente.

[quote_center]“Eu gostaria de cantar novamente na Madeira e poder dar a conhecer o meu trabalho como artista, como cantora e como lusodescendente que sou com muito orgulho”.[/quote_center]

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