Falta de farinha deixa panificação em situação de emergência

Falta de farinha deixa panificação em situação de emergência

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Os empresários atribuem às dificuldades de importação de matéria-prima

Segundo a Fetraharina, a falta de trigo afecta igualmente a produção de outros produtos.

CORREIO/LUSA

O sector venezuelano da panificação declarou-se, no passado 14 de macro, em estado de emergência devido à quebra de «stocks» de farinha, situação que os empresários atribuem às dificuldades de importação de matéria-prima.

A emergência foi declarada pelo presidente da Federação Nacional de Trabalhadores da Indústria da Farinha (Fetraharina), Juan Crespo, numa conferência de imprensa em Caracas, durante a qual explicou aos jornalistas que «o inventário de trigo [disponível] para moagem» já só corresponde às necessidades de «duas semanas».

«A Fetraharina declara-se em emergência, soando todos os alarmes, preventivamente, para que o Governo designe uma comissão de trabalho» que verifique «a descida dos inventários e a necessidade de que se aprovem as ‘divisas’ [dólares] que permitam a importação», disse Juan Crespo.

Em causa está o actual sistema de controlo cambial, que impede o livre acesso a moeda estrangeira no país.

Segundo o presidente da Fetraharina, esta não é uma campanha de «guerra económica» contra o Governo venezuelano, como o executivo insiste, mas sim uma questão de alterar o sistema e permitir o acesso aos dólares, de modo a que possam responder às necessidades de importação de trigo, no país.

«Aqui não há uma guerra económica. Não há trigo», enfatizou Juan Crespo, sublinhando que a situação já está a comprometer as operações de 12 das duas dezenas produtores de farinha existentes na Venezuela, que tiveram de reduzir a duração da jornada diária de trabalho.

Como exemplo, o presidente da Fetraharina apontou uma fábrica da Cargill, na região de Cátia, Caracas, que suspendeu quatro turnos de trabalho, estando a operar a menos de 40% da sua capacidade.

Segundo a Fetraharina, a falta de trigo afecta igualmente a produção de outros produtos, como bolachas e biscoitos, comprometendo ainda a estabilidade laboral de mais de 12 mil trabalhadores do sector.

Na Venezuela são cada vez mais frequentes as queixas de consumidores sobre dificuldades de acesso a alguns produtos, como leite, queijo, óleos alimentares, café, açúcar, margarina, lâminas de barbear, champô, sabonetes, papel higiénico e preservativos, entre outros.

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