IPC celebrou 29 anos de vida

IPC celebrou 29 anos de vida

0 437

Richard Zenith foi o conferencista convidado

O Instituto Português de Cultura (IPC), celebrou no Bar a Nau do Centro Português, em Caracas, o seu 29.º Aniversário no passado 30 de Novembro, dia em que também se assinala morte de Fernando Pessoa (1935). Nesta oportunidade, o instituto convidou o escritor Richard Zenith, vencedor em 2012 do Prémio Fernando Pessoa (galardão concedido anualmente a um cidadão português que tenha sido protagonista de uma obra relevante e inovadora na vida artística, literária ou científica do país); além do Guggenheim Fellowship (1987), PEN Award por poesia e tradução (1999) e o Harold Morton Landon (2006).
Zenith é considerado um especialista na obra do lendário escritor e desta feita deu uma conferência subordinada ao tema “Fernando & Ofélia Revisitado”. Refira-se que depois desta apresentação, teve lugar, a 2 de Dezembro, na Livraria El Buscón, o debate “Pessoa: heterónimos e desassossego”, sessão que contou com a participação de Joaquim Marta Sousa, Maria Antonieta Flores e Rafael Arráiz Lucca.

Richard ZenithO autor aprofundou o significado que teve o amor na vida de Pessoa, representado pela jovem Ophélia Queiroz, a quem conheceu em Novembro de 1919 quando ela entrou como mecanográfica num escritório da baixa lisboeta, onde ele já havia trabalhado como tradutor de correspondência comercial. Daquela relação nada se conhecia, até que vieram à luz as cartas que ele lhe escreveu (48 publicadas em 1978 e precedidas de um texto aclaratório de Ophélia) e das cartas dela para ele (publicadas em 1996, anos depois do seu falecimento, 1991).

Para Zenith, que actualmente está trabalhar numa biografia de Pessoa, esta e outras histórias do escritor significam sempre uma “grata experiência, porque é um escritor apaixonante. Por exemplo, a heteronímia faz recordar que dentro cada ser humano habitam muitos outros, às vezes até sem nos darmos conta”. Por outra lado, destaca a capacidade de Pessoa de “insistir na verdade, não aceita respostas fáceis. Tudo é posto em dúvida. Sempre vai mais além e essas coisas parecem-me fascinantes” e precisamente por isso, “traduzi-lo é uma enorme responsabilidade e um grande prazer porque a boa literatura, a de peso, a de substância,pode-se levar muito bem para outro idioma”.

InvitaciónPoemas, livros e canções
O acto contou com a presença das autoridades diplomáticas de Portugal na Venezuela e dos representantes das diversas associações, academias e sociedades da comunidade portuguesa, que elogiaram o trabalho realizado por João da Costa, presidente do IPC; Fernando Campos, vice-presidente; Ysabel Ferreira, Primeira Secretária; Mário de Bastos, Segundo Secretário; Luísa Campos, Tesoureira; e os Directores José Carlos Rebelo, Francisco Almeida Garret, Carmen Marques e Gustavo Gonçalves, juntamente com outros colaboradores. Todos eles se esforçam diariamente para manter vivo o legado de Daniel Morais (fundador do instituto e do Centro Português em Caracas, criador do periódico Ecos de Portugal, entre muitos outras obras), de Betty Rodrígues e Segismundo Soares.

A gala terminou chave de ouro, com a voz de Andrea Imaginario, reconhecida cantante que já engalanou com a sua música outros eventos do IPC, na companhia do guitarrista Roberto Jirón, destacado artista venezuelano e autor de excelentes arranjos musicais com letras baseadas em poemas de Pessoa, alguns dos quais foram interpretados na velada.

Sobre o convidado
Richard Zenith nasceu em 23 de Fevereiro de 1956, em Washington, Estados Unidos. É um escritor e tradutor que apesar de ter nascido em solo americano possui cidadania portuguesa desde 2007. Licenciou-se pela Universidade de Virgínia em 1979 e viveu na Colômbia, Brasil, França e Portugal, onde reside desde 1987.

É um destacado tradutor para inglês, destacando-se as obras de autores como António Lobo Antunes, José Luís Peixoto, Sophia de Mello Breyner Andresen, Antero de Quental, João Cabral de Melo Neto, Nuno Júdice, Luís de Camões, entre outros.

NO COMMENTS

Leave a Reply