João Freitas é ‘El Mago JoFre’

João Freitas é ‘El Mago JoFre’

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João Freitas é madeirense. Nasceu em 1963 em Câmara de Lobos, e emigrou para a Venezuela com a mãe e os seus três irmãos para viver com o pai, quando tinha apenas 4 anos.

Como bom português, começou a trabalhar desde tenra idade. Aos 9 anos, atendia ao público num restaurante, e aos 15 já era sócio de vários locais. Trabalhava de sol a sol e recorda que não tinha vida social. Quis ser futebolista do Marítimo e dançar no grupo Folclórico Pérola do Atlântico, mas os pais recordavam-lhe que o trabalho devia ser prioridade.

Há 27 anos, casou-se com a mulher com a qual teve dois filhos. A sua vida está cheia de magia, literalmente, pois desde sempre que se sentiu atraído por este passatempo que continua a entretê-lo até hoje.

É comerciante, mas passa os seus momentos livres a fazer truques para divertir todos quantos se atravessam no seu caminho. O seu nome artístico, desde há 14 anos, é JoFre, fruto da conjugação entre o seu nome e o apelido.

Como descobriu a magia?
Uma vez, em pequeno, estava em Portugal e tive a oportunidade de desfrutar de um espectáculo de magia que me maravilhou. A partir daí, comecei a praticar truques simples com amigos e familiares. Uma vez na Venezuela, aprendi muito mais com os vídeos de El Mago Henry. Adorava visitar as casas mágicas.

Então é um mago autodidacta?
Sou um mago inato. Só fiz um curso com o filho de El Mago Henry e depois fiz uma audição para a Associação Venezuelana de Magia, e aceitaram-me.

Faz magia para viver?
Eu sou comerciante. Fornecedor de queijo, para ser mais exacto. A magia para mim é apenas um passatempo. No entanto, ser mago permitiu-me viajar por países como a Colômbia, China e Peru, e conhecer grandes personagens deste meio, como David Copperfield e Criss Angel.

Quanto custa um espectáculo de El Mago JoFre?
Eu não coloco preço no meu trabalho. Tão pouco é algo que faça por interesse ou por fama, simplesmente adoro fazê-lo e desfrutar. O que vou ganhando, vou depositando. Muitas vezes faço a minha apresentação e depois pergunto ao cliente quanto considera que vale o meu talento. Todos os contributos que recebo destinam-se à Associação Civil Amigos de Nossa Senhora de Fátima, para ajudar na construção do Santuário dos Altos Mirandinos.

O que significa a magia para João Freitas?
A magia para mim é o mais bonito que há. Diverte e surpreende as pessoas, relaxa, faz sorrir; é algo precioso. Os meus truques favoritos são os que faço para as crianças mais necessitadas, elas são as que mais desfrutam. Actualmente tenho organizado muitos eventos para essas crianças.

Algum episódio para recordar?
A vida de artista não é nada fácil. Sobretudo para a minha esposa, que tem de gerir algumas situações difíceis. Por exemplo, uma vez durante uma apresentação, apareceu uma senhora a gritar que eu era o homem dela, aproximou-se e agarrou as minhas partes nobres. Ainda bem que a minha esposa não se rebaixa nesse sentido. As mulheres gostam de magia, mas esse tipo de magia não lhes posso dar, só à minha esposa…

Teve que fazer magia para sair de problemas?
Há pessoas que usam a magia para enganar e tirar dinheiro às pessoas. Não me parece honesto. No entanto, uma vez tive problemas. Como as cartas aqui são muito caras e tenho de ter muitas, pois estragam-se, viajei até aos Estados Unidos para comprá-las. Ao chegar à Venezuela, pararam-me na alfândega alegando que estava a trazer material para jogos ilícitos. Iam prender-me mas quando me estavam a interrogar, fiz-lhes alguns truques, que eles gostaram, e deixaram-me ir.

Quais são as especialidades como mago?
Faço palco, truques com anéis, moedas, notas e cartas. Gosto do ilusionismo para fazer aparecer e desaparecer coisas. Também me especializo em mentalismo, que consiste em adivinhar as cartas que os participantes escolhem.

Coloca picante nas suas demonstrações?
Depende da confiança com as pessoas e da modalidade. Os espectáculos fazem-se em duas versões: Quando é feito com adultos, é divertido misturar a magia com a comédia e, se o ambiente o permite, pôr algo de picante. Com as crianças é diferente, muito mais fresco.

Já fez truques em Portugal?
Sim, vivi essa experiência. Portugal é complicado, o público lá é mais difícil. No entanto, as pessoas trataram-me maravilhosamente, divertiram-se muito comigo. Claro, houve um par de excepções. Uma vez, na Ribeira Brava (Madeira), onde vão muitos venezuelanos, estava a fazer truques e a falar espanhol. Então um grupo de portugueses começou a chatear-me, insistindo que não devia falar venezuelano mas sim português. Graças a Deus, uma rapariga defendeu-me e enfrentou-os, mas eles faltaram-lhe ao respeito, e tive de interromper a sessão para intervir. Noutra oportunidade, tive inconvenientes ao fazer um truque com dinheiro. Gosto de usar as notas venezuelanas para trabalhar, mas uma senhora portuguesa que escolhi para a minha demonstração não gostou, e insistiu que fizesse com Euros. Tive de explicar-lhe que gostava dessas notas porque me serviam na Venezuela, e pedir-lhe por favor que colaborasse.

Os magos nunca revelam os truques. No entanto, considerou ensinar alguém?

Tenho um rapaz a quem estou a dar aulas. Chama-se Jean Carlos e também é português. No início, era muito tímido e calado. Hoje em dia, não é nem a sombra do que era, é activo, muito para a frente. Orgulho-me de dar-lhe aulas e a outros dois, a quem estou a treinar gratuitamente. Não lhes cobro, fixo-me no seu entusiasmo.

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