José Manuel Vieira: O ‘pequeno gigante’

José Manuel Vieira: O ‘pequeno gigante’

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O luso-descendente protagonizará um filme chamado ‘Contigo a mis espaldas’, junto com Paúl Gámez, Óscar Gil e Carla Müller.

José Manuel Vieira é uma das pessoas mais multifacetadas dos meios de comunicação na Venezuela: Faz relatos de futebol, é actor de cinema e entusiasta do teatro. Para além disso, é voz de diferentes marcas comerciais e de dois canais na tv cabo.

Durante os mundiais de futebol, costuma fazer os relatos dos jogos apenas na rádio. Este ano, coube-lhe fazer o mesmo também na televisão. “É a primeira vez que me calha fazê-lo em ambos os meios de comunicação, ainda que o faça há mais de 20 anos na rádio. Especificamente na FM Center, há 16 anos. Na etapa que estive na Meridiano Televisión, nunca tive a oportunidade num evento internacional, fosse Mundial, Copa América ou Campeonato Europeu. Esta experiência foi muito satisfatória já que o trabalho das equipas, tanto na rádio como na Venevisión, foi muito bom. Na TV, o tratamento foi excelente em cada uma das instâncias com as quais interagi, tanto no staff de locutores e comentadores como na gestão, com Héctor Cordido, que conheço há algum tempo. A logística não foi fácil, muita exigência e um mês de loucos. Houve dias que me calharam três jogos, e quero consultar o livro dos Recordes do Guinness a ver quem já fez três jogos por dia (risos)”, disse.

Destacou o trabalho de Eduardo Saragó, director técnico do Caracas Futebol Club, Jhonny Ferreira, DT do Carabobo e luso- descendente. “Foi muito bom, adorei. Além disso, Saragó tem uma intuição para lidar com as câmaras, para a sua postura perante as mesmas e para o âmbito comercial. No caso de Jhonny (Ferreira), era a sua primeira vez a trabalhar para a televisão. No primeiro jogo, estava nervoso, mas depois disso, o nervosismo acabou. Senti-me cómodo, com qualquer dos dois. Também com a longa experiência de Carlos Horacio Moreno m senti muito bem. E vale a pena recordar que já tinha trabalhado com Carlos Maldonado”, comentou.

Esteve muito atarefado durante o Brasil 2014, mas isso não foi obstáculo e ficou feliz por fazê-lo. “Gostei muito, em particular pelo ritmo, pela dinâmica que vivi, um pouco louca, sempre de um lado para o outro. Adorei pelos jogos, com tantos golos, destaques individuais, funcionamentos colectivos para debater e desfrutar. Deixando para trás o esgotamento provocado pela azáfama, desfrutei. A juntar a isso, para nós, que fazemos os relatos, a qualidade dos encontros facilita o trabalho. Os jogos devem ser bons não só para o espectador mas também para quem transmite e relata”, disse.

Agora, está focado no futebol venezuelano. “Estou a trabalhar com a FM Center e o circuito oficial do Atlético Venezuela, que é da 96.9 FM. Este ano, finalmente, porque era um sonho desde há muito tempo, estamos a transmitir futebol nacional pela FM Center com o sinal desportivo da 1300 AM, que se estreou com o Mundial. Logo que a Copa do Mundo terminou, começámos a transmitir o torneio local, com o jogo da data, enquanto que fazemos apenas alguns grupos na zona central (Caracas, Valência e Maracay), devido a problemas logísticos. Parece-me um passo gigante para a rádio, fazendo história, porque não estamos ligados a um circuito radial de uma equipa”, explicou.

José Manuel Vieira também trabalha como voz comercial. “Trabalho a título individual para canais de cabo. Sou a voz que identifica a Cinemax, HBO e Deportivas 1300. Para além dos trabalhos que faço para agências publicitárias para identificar produtos comerciais e serviços”, indicou.

A representação é outra das suas facetas conhecidas, tanto nos palcos como no ecrã. “Fundamentalmente, sou actor de teatro. No entanto, daí se deriva para a dobragem de voz, o que faço há mais de 20 anos, como também para o cinema. Fui convidado para alguns projectos teatrais, mas eram na altura do Mundial, e com a multiplicidade de coisas que faço, tenho de planear com muita precisão a quantidade de actividades que tenho ao longo do ano: O relator de futebol, o actor de teatro, o narrador comercial, o actor de dobragem, entre outros. Tenho de administrar essas actividades ao longo do dia e do ano. Logo após o Mundial, tive duas semanas de férias. Mas estive cheio de trabalho porque que tive de gravar umas coisas para a Venezuela, a nível publicitário”, contou.

E vem um filme a caminho. É a primeira vez que terá um papel protagonista no grande ecrã. “Há pouco tempo, comecei a trabalhar num filme e ainda que a rodagem comece apenas na segunda quinzena de Setembro, já estamos a ensaiar. Chama-se ‘Contigo a mis Espaldas’, e é baseado numa história verídica. É um sequestro de um casal em Caracas, é uma história ficcionada sobre esse facto real, ou seja, há uma mistura de ficção também. A realização é de José Tomás Angola, com quem fiz praticamente toda a minha actividade artística desde a época da universidade, na Universidade Católica Andrés Bello, principalmente com o nosso grupo ‘La Máquina Teatro’. É a primeira vez que fazemos uma longa-metragem. Participei em cinema mas em papéis pequenos. Nesta oportunidade, tenho um dos quatro papéis principais. Entram neste filme Paúl Gámez, Óscar Gil e Carla Müller, que interpreta a minha companheira”, revelou.

Os pais deste luso-descendente nasceram em Santo António, no Funchal. “Estive lá quando tinha 15 anos e nunca mais fui. Sei, por referência, que a Madeira não é nem sombra do que eu conheci. Está sempre nos meus planos viajar até lá, mas as prioridades vão noutro sentido: Visitar a minha sobrinha, que é como se fosse minha filha, que vive em Barcelona, Espanha”, finalizou.

A frase:  “Durante o Mundial, houve dias que me calharam três jogos, e quero consultar o livro dos Recordes do Guinness a ver quem já fez três jogos por dia.”

Epígrafe: “Estive lá (na Madeira) quando tinha 15 anos e nunca mais fui. Sei, por referência, que a Madeira não é nem sombra do que eu conheci.”

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