Lisboa manifestou a Caracas apoio ao processo de diálogo no país

Lisboa manifestou a Caracas apoio ao processo de diálogo no país

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O ministro das Relações Exteriores venezuelano, Jorge Arreaza, reuniu-se em Lisboa com o seu homólogo português Augusto Santos Silva, que lhe manifestou o apoio de Portugal ao processo de diálogo na Venezuela.

O encontro entre os dois governantes foi divulgado pelo ministro venezuelano numa mensagem na rede social Twitter, acompanhada de três fotografias dos dois governantes.

«Reunimo-nos hoje em Lisboa com o ministro dos Negócios Estrangeiros de Portugal, Augusto Santos Silva. Abordámos temas bilaterais e transmitiu-nos o apoio e o compromisso do Governo de Portugal com o processo de diálogo no nosso país (Venezuela)», escreveu Jorge Arreaza no Twitter.

A mensagem do ministro venezuelano ocasionou várias reações de usuários daquela rede social pedindo a devolução do dinheiro que a Venezuela diz estar retido no Novo Banco.

«Que bom. Espero seja diligente este amigo português e o Novo Banco nos devolva o nosso dinheiro, obrigado» e «que nos dê melhor apoio desbloqueando o dinheiro que têm retido. Isso ajudará mais o povo», foram algumas das mensagens de utilizadores do Twitter.

No passado dia 14 de maio, Jorge Arreaza acusou os bancos de Portugal de estarem a receber ordens dos Estados Unidos da América, apesar de o seu homólogo português, Augusto Santos Silva, ter assegurado que são independentes.

«O chanceler [ministro dos Negócios Estrangeiros] de Portugal afirma que no seu país os bancos não recebem ordens do Governo português, mas é evidente que sim, obedecem a ordens do Governo dos Estados Unidos», escreveu então Jorge Arreaza no Twitter.

Segundo o ministro venezuelano, os bancos portugueses «bloqueiam de maneira criminosa os recursos» da população do país.

«Para os mal-informados, os mais de 1.500 milhões de euros bloqueados no Novo Banco, [em] Portugal, afetam todo o povo. Estão destinados à importação de medicamentos, vacinas, alimentos, matérias-primas industriais, sementes, fertilizantes», adiantou.

A acusação do ministro venezuelano foi feita depois de Augusto Santos Silva se pronunciar sobre protestos ocorridos junto ao Consulado-Geral de Portugal em Caracas, em que cerca de cinco dezenas de venezuelanos exigiram ao Governo português que desbloqueie 1.543 milhões de euros que estão retidos no Novo Banco.

Santos Silva reafirmou que Portugal é «um Estado de direito, uma democracia política e uma economia de mercado» e, portanto, «os bancos não obedecem ao Governo».

O chefe da diplomacia portuguesa acrescentou que Portugal não tem «regimes nacionais de sanções ou medidas restritivas e aplica «as sanções que são decididas, nos termos próprios, pelas Nações Unidas ou pela União Europeia».

Santos Silva disse ter conhecimento do «diferendo entre um banco português e os seus depositantes» e que esse diferendo, como é «natural num Estado de direito», está já colocado em sede legal e judicial.

A 17 de abril, o Presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, exortou o Governo português a desbloquear os ativos do Estado venezuelano retidos no Novo Banco, realçando que o dinheiro será usado para comprar «todos os medicamentos e alimentos».

«Libertem os recursos [da Venezuela] sequestrados na Europa. Peço ao Governo de Portugal que desbloqueie os 1,7 mil milhões de dólares que nos roubaram, que nos tiraram» e que estão retidos no Novo Banco, afirmou numa cerimónia com simpatizantes do regime.

Antes, a 15 de janeiro, o parlamento venezuelano, formado maioritariamente por deputados da oposição, aprovou um acordo de proteção dos ativos do país no exterior e delegou numa comissão a coordenação e o seguimento de ações que protejam os ativos venezuelanos na comunidade internacional.

Mais recentemente, a 27 de maio, o presidente do parlamento, o opositor Juan Guaidó, denunciou, no fórum global Conferências do Estoril, que há fundos retidos em bancos de Portugal e de Espanha porque o Governo venezuelano os usava para financiar grupos paramilitares e repressão no país.

A crise política no país agravou-se em 23 de janeiro, quando Juan Guaidó assumiu as funções de Presidente interino, prometendo formar um Governo de transição e organizar eleições livres.

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