Madeira assume 0,15% da migração venezuelana

Madeira assume 0,15% da migração venezuelana

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A Região Autónoma da Madeira acolheu cerca de 6 mil emigrantes e lusodescendentes da Venezuela nos últimos anos devido à crise que se arrasta naquele país sul-americano. Apesar de expressivo, atendendo à dimensão da Região, o número representa uma décima parte do quadro da migração venezuelana: 0,15%.

O presidente do Governo Regional, Miguel Albuquerque, calcula em cerca de 6 mil as pessoas em situação de grande precariedade que chegaram à Madeira durante esta crise na Venezuela. Um “número ínfimo” conforme classificou o presidente da AMI, Fernando Nobre, em entrevista do DIÁRIO, dada a escalada da crise humanitária.

A Madeira tem sido o principal ‘porto de abrigo’ da comunidade emigrante. O Gabinete das Comunidades calcula que nos últimos dois anos tenham saído cerca de 10 mil portugueses, que seguiram com destino não só a Portugal, como também Espanha e países vizinhos como Brasil, Colômbia ou Chile. Dez mil que são uma ‘gota no oceano’.

De acordo com um estudo ontem divulgado pelo Instituto Nacional de Estatística da Venezuela (INEV), mais de 4 milhões de pessoas já abandonaram o país durante os mandatos de Nicolás Maduro, desde que assumiu a presidência em 2013. Um número que deve ultrapassar os 4,6 milhões até ao final do ano.

As pessoas que migraram do país representam 18% do total da população na Venezuela, estimada em pouco mais de 31 milhões de pessoas.

A comunidade portuguesa, maioritariamente oriunda da Madeira, ascende a cerca de meio milhão de pessoas, representando 1,6% da população venezuelana, quase o mesmo ‘peso’ que têm os emigrantes e lusodescendentes regressados à Região daquele país sul-americano: 1,8% na população residente.

Recorde-se que o regresso de inúmeras famílias à Madeira têm produzido impactos nas áreas da Saúde, Educação, Habitação ou o Emprego, levando o Governo Regional a pedir um auxílio ao Governo da República no valor de 4,6 milhões de euros, que espera ver contemplado no Orçamento de Estado para 2019, para comparticipar os encargos com a inclusão e integração dos cidadãos emigrantes.

O estudo do INEV mostra que antes da presidência de Hugo Chávez, tinham migrado 140.520 cidadãos do país, chegando a atingir as 786.916 pessoas durante a presidência de Chávez (1999-2013).

Desde 2013, e num período de apenas cinco anos, a Venezuela deixou de ser um país receptor de imigrantes para se tornar num exportador da própria população, a maioria jovens, pois 52% dos cidadãos que abandonaram o país têm entre 18 e 24 anos.

De acordo com os dados do terceiro trimestre deste ano, 51% das pessoas que migraram trabalhavam no sector privado ou por conta própria.

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