Madeirense pede ajuda para voltar à Venezuela

Madeirense pede ajuda para voltar à Venezuela

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É mais um dos muitos problemas causados pelo cancelamento de voos, pela interdição dos espaços aéreos e, neste caso concreto, pela proibição imposta à companhia aérea TAP pelo Governo Venezuelano.

Maria Zita da Silva está desde o passado mês de Fevereiro a tentar voltar para a Venezuela, mas sem sucesso. A família já contactou o Ministério dos Negócios Estrangeiros, o Consulado Geral de Portugal em Caracas e o Consulado da Venezuela na Madeira, mas as respostas ou alternativas não são animadoras.

A 17 de Abril, após vários contactos com o MNE, é lhes explicado que a Linha Covid “foi criada para apoiar cidadãos nacionais que se encontram transitoriamente no estrangeiro a regressar a Portugal, pelo que se estamos a falar de uma cidadã nacional em território português qualquer solução extravasa as nossas competências. Acrescentamos apenas que o espaço aéreo nas ilhas, como em Portugal, está encerrado, com algumas excepções – em quase todo o mundo, actualmente, existem medidas de restrição ao tráfego aéreo”. Nesse mesmo e-mail sugerem que “contacte a Secretaria Regional de Inclusão Social e Cidadania do Governo Regional da Madeira (gabinete.sric@madeira.gov.pt )”.

Mas tudo começou a meados do mês de Janeiro. Maria Zita nem tinha muita vontade viajar para a Madeira, mas para cumprir uma tradição de décadas do seu pai, entretanto falecido, veio para participar numa festa religiosa no Campanário. A viagem foi marcada por seis semanas o que era mais que suficiente para visitar a família e cumprir o seu propósito. Tinha voo de regresso no dia 29 de Fevereiro e estava tudo acertado, mesmo porque não havia proibição nenhuma em Portugal ou na Venezuela relacionada com a Covid-19.

“No dia 27 de Fevereiro recebemos um email a informar que o voo marcado para o dia 29 de Fevereiro, operado pela TAP para Caracas, tinha sido cancelado. Não nos disseram mais nada”, lamenta o marido, Francisco da Silva, que tem sido incansável para assegurar o regresso da mulher. “Foi tudo por uma questão política. A TAP foi acusada de ocultar a identidade de Guaidó da lista de passageiros e o Governo de Maduro proibiu a realização de voos por um prazo de 90 dias”.

Depois veio toda a situação relacionada com a pandemia do coronavírus. Portugal impôs restrições. A Madeira impôs restrições. “A TAP disse-nos que a solução era comprar bilhete noutra companhia aérea”, mas “toda a gente sabe ao preço que estão as viagens”, explica Francisco da Silva, acrescentando que o reembolso da TAP nem chegava para pagar metade de uma nova viagem. “Como vamos pagar? Já para pagar esta viagem nos custou. Toda a gente sabe como está a situação na Venezuela”.

Por cá, a Direcção Regional das Comunidades e Cooperação Externa garante que não chegou a ser contactada, mas mesmo assim explica que pouco pode fazer em relação à situação, uma vez que o espaço aéreo venezuelano continua interdito e que o voo de repatriamento, preparado pelo Governo Português, para hoje, 13 de Junho, serve para que os portugueses que ficaram retidos na Venezuela possam regressar. Pelo que, legalmente, o repatriamento de Maria Zita é da competência do governo venezuelano.

Certo é que a família de Maria Zita começa a desesperar. “Estamos em Junho e esperamos que ela possa regressar o mais breve possível”. Por agora resta-lhes aguardar que com a normalização das ligações aéreas e a reabertura do tráfego, a TAP possa encontrar uma solução.

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