Madeirenses à espera de voo para regressar

Madeirenses à espera de voo para regressar

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Um grande número de madeirenses pretende ainda regressar à sua ilha. Assunto que está a gerar alguma controvérsia. Muitos portugueses ficaram retidos na Venezuela e pretendem agora regressar à Madeira. Havia um voo que estaria a ser organizado, mas que está atualmente num impasse.

CORREIO / JM MADEIRA

Como foi noticiado, já existiram alguns voos de caracter excecional de repatriamento, cuja UE organizou dois deles em parceria com o Governo Espanhol. No total foram mais de 600 pessoas repatriadas, entre elas, alguns portugueses, naturais da ilha da Madeira. Na altura do segundo voo operacionalizado pela companhia aérea espanhola Plus Ultra, não foram mais os madeirenses a embarcar nesta viagem, uma vez que não conseguiam um voo que os levasse de Lisboa até à Madeira.

Neste momento em que a situação está mais clara na ilha, existem pessoas à espera de poderem regressar, residentes na Madeira. Além disso, existe uma maior confiança em viajar o que está a fazer aumentar o número de pedidos no consulado em Caracas.

A Espanha e Itália, já organizaram voos de repatriamento e tudo apontava agora para que Portugal organizasse um voo. Foram estabelecidos contactos com as linhas aéreas e estaria tudo encaminhado. O certo é que, neste momento não há ainda confirmação de nada, e, após comunicado publicado pela Espanha, o país acabou por tomar iniciativa de organizar uma nova viagem. O voo organizado por Espanha para dia 21 de maio, é exclusivamente para espanhóis. Segundo o que foi apurado, a Itália está também organizar um outro, apenas para residentes naquele país. Certo é que, até ao momento, Portugal não realizou qualquer voo, mas já enviou vários portugueses repatriados.

Comunidade revoltada

Aleixo Vieira, conselheiro das comunidades madeirenses na Venezuela, afirmou que esta situação está a deixar “a comunidade revoltada”. “O Governo Venezuelano está sempre disposto a ajudar, da parte da Venezuela não há nenhum problema para que o voo se realize porque dão o contributo em tudo, o que quer dizer que o problema é Portugal, ou Portugal ou as nossas autoridades, que não fazem nada para que esse voo se realize”, afirma.

O conselheiro exige “uma resposta imediata”. Uma vez que os cidadãos “querem saber qual a sua situação”. “Queremos saber se existe boa vontade da parte do Governo Português”, alerta.

Aleixo Vieira assume “espanto”, uma vez que “a secretária de estado das comunidades fez vários esclarecimentos, assumindo que a emigração poderá regressar no verão”.

O conselheiro detalha que quem pretende regressar “são pessoas que de uma maneira ou outra, têm um vínculo com a Venezuela, mas que querem regressar, aliás, estes voos de repatriamento são pagos, isto não acarreta custos para o Estado Português porque as pessoas pagam o seu bilhete”.

O impasse já dura há mais de duas semanas, o consulado português tem tudo preparado para que o voo seja efetivamente realizado, restando perceber a razão do impasse que está a colocar em suspenso a situação atual de uma lista considerável de pessoas que pretendem entrar neste voo.

Segundo o Conselheiro, “os espanhóis, italianos e portugueses que vivem na Venezuela, não têm esse conceito de separatismos”, o que causa alguma surpresa na decisão do executivo espanhol de organizar um voo não permitindo a entrada de portugueses. Voo esse que, segundo o comunicado a que o JM teve acesso, está anunciado para o dia 21 de maio e é unicamente para “passageiros registados na Embaixada de Espanha”.

Em declarações recentes ao Correio da Venezuela, o conselheiro apela às autoridades portuguesas na Venezuela e em Portugal a tomarem medidas sobre o assunto. “Já são mais de 45 dias de espera e percebo alguma impaciência na comunidade. Devem ser honestos para com as pessoas e com as suas famílias que aguardam respostas concretas e honestas ”, diz Aleixo Vieira, que lamenta esse episódio que “mancha de alguma maneira tudo o que de positivo se vinha articulando nos últimos anos entre a Secretária de Estado das Comunidades e os portugueses na Venezuela”.

“Eu acho que eles querem deixar ao tempo’ uma decisão que deve ser tomada pelas pessoas; neste caso, pelas nossas autoridades portuguesas, o Consulado, a Embaixada ou a Secretaría de Estado das Comunidades Portuguesas. Acho que devemos apurar responsabilidades para que, no futuro, saibamos com quem estamos lidando”, concluiu o conselheiro.

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