Majarete

Majarete

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No nosso percurso pelos pratos típicos venezuelanos, podemos encontrar uma variedade de sabores, cores e texturas. Convidamos os nossos leitores a conhecer um pouco mais as raízes crioulas. A especialidade desta semana é o tradicional ‘majarete’.

Kenner Preito

kprieto@correiodevenezuela.com

É um doce crioulo de aparência tosca e sabor cativante. Nascido da escassez de muitos produtos, o que permitia prepará-lo em lares de escassos recursos, isso não o impediu de conquistar os gostos dos bolsos mais folgados. Coco, milho, ‘papelón’ e canela fundem-se numa das combinações mais singulares da culinária nacional.

O ‘majarete’ passou de geração em geração, tornando-se uma tradição da cozinha venezuelana, especialmente nos Estados andinos, onde se celebra a ‘Paradura del Niño’, com as mesas onde se vê ‘majarete’, ‘chicha’ e ‘catalinas’, e também na época da Quaresma, demonstrando que se tornou num representante crioulo dos doces, em qualquer das suas variações da receita original.
Algumas pessoas preparam o ‘majarete’ juntando-lhe leite condensado e baunilha, mas esta é apenas uma das muitas variantes da receita clássica, e no final, tudo depende do gosto de cada um.
É uma combinação de ingredientes difícil de conceber, mas que funciona na perfeição e que o torna, conceptualmente falando, num dos doces crioulos mais interessantes. Milho, coco, açúcar ou ‘papelón’ e canela tornam-no parte da dinastia culinária dos anos coloniais.
O doce pode também ser chamado ‘manjarete’, proveniente de ‘majar’, uma nata engrossada com maizena. A sua distribuição tornou-se comum em doçarias e supermercados, junto com toda a espécie de especialidades crioulas, facto que não mudou muito, salvo se uma ou outra cozinheira doméstica se animar a prepará-lo de vez em quando.
Translúcido e de tom acinzentado, é impossível classificá-lo de apetitoso à vista, é o mais parecido a uma pessoa nada bonita mas carinhosa. No entanto, os seus fãs defendem-no de capa e espada em punho, sabem onde são preparados os doces de melhor qualidade, e com toda a revolução gastronómica actual, o ‘majarete’  terá um lugar privilegiado na mesa venezuelana.

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