Médicos na Venezuela, mas operários em Portugal

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Foto: Cortesia

JM Madeira .- Há muitos médicos, formados na Venezuela, que estão a trabalhar em Portugal em situações precárias e muito longe da formação que fizeram na terra de Simón Bolívar. Limpam casas de banho de hotéis, trabalham nas obras, a mudar fraldas nos hospitais, a servir em cafés. O drama dos profissioanis de saúde que aguardam por reconhecimento em Portugal é abordado este sábado num artigo publicado no jornal Público.

Angelo Acosta, Tula Contreras, Nohelia Breto e Christian de Abreu Correia (o rosto na Madeira pela luta do reconhecimento da sua profissão) são alguns dos médicos que dão a cara nesta reportagem.

Tula Contreras, de 52 anos, é ortopedista e confidencia: “Não digo a ninguém que sou médica – não quero ter um tratamento diferente do das minhas colegas assistentes operacionais». No Hospital de Faro trata da higiene dos doentes, muda fraldas, faz as camas e leva as pessoas que morreram para a morgue. Porém, admite que poderia ser “bem mais útil” a trabalhar no Serviço de Ortopedia, à semelhança do que fez durante 16 anos na Venezuela. Mesmo assim não se queixa. “Estou agradecida por me receberem».

Angelo Acosta, de 54 anos, anestesista, começou por trabalhar num supermercado e agora arranja computadores em Almancil. “Se dissesse que era médico, fechavam-se as portas”, conta no artigo.

Nohelia Breto, tal como Angelo, também é anestesista. Conseguiu um lugar de assistente operacional no Hospital de Faro, no Serviço de Neonatologia. Antes de ser auxiliar, trabalhou no Mar Shopping, vendeu relógios e peças de roupa.

Christian de Abreu Correia, médico de clínica geral, vive em Esposende e trabalha como carpinteiro de cofragem em Vila do Conde.

Submeteu-se ao exame de equivalência do curso na Universidade de Coimbra. Passou na prova de Português, avançou para a primeira parte do exame de conhecimentos médicos. “Estou há ano e meio à espera do resultado”, diz, criticando a DGES por ter criado falsas expectativas.

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