Meia centena reclama desbloqueio de dinheiro no Novo Banco em Caracas

Meia centena reclama desbloqueio de dinheiro no Novo Banco em Caracas

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Cerca de cinco dezenas de venezuelanos protestaram junto ao Consulado-Geral de Portugal em Caracas, para exigir que o Governo português desbloqueie 1.543 milhões de euros que estão retidos no Novo Banco.

O protesto foi convocado pela Asobien, uma organização não governamental (ONG) dedicada a doentes com Parkinson e outras doenças, que insiste que esses recursos se destinam ao tratamento de doentes venezuelanos, no exterior.

Os manifestantes chegaram num autocarro do Governo venezuelano e, segundo fontes diplomáticas, entregaram uma carta a reclamar o desbloqueio do dinheiro.

No passado dia 02, 19 organizações de defesa dos Direitos Humanos e movimentos sociais venezuelanos tinham ido à Embaixada de Portugal em Caracas também para pedir que o Governo português interceda para que sejam desbloqueados 1.543 milhões de euros retidos no Novo Banco.

Num comunicado enviado à agência Lusa, o Ministério das Relações Exteriores da Venezuela explica que foi entregue “uma carta onde solicitam os bons ofícios do Governo português para que sejam desbloqueados 1.543 milhões de euros que foram ilegalmente retidos na entidade financeira Novo Banco”.

Na mesma nota, a diretora da Sures, uma associação dedicada ao estudo, educação e defesa dos Direitos Humanos, Lucrécia Hernández, denuncia que “o bloqueio destes ativos têm impedido o pagamento necessário para atender 26 pacientes venezuelanos que se encontram em Itália, à espera de receber tratamento oncológico”.

“Apesar de o Estado venezuelano ter feito esforços para subsidiar o tratamento destas pessoas, numa ação ilegal e violadora dos Direitos Humanos, um banco privado estrangeiro, tem-se negado a pagar a fatura para o tratamento destas pessoas que se encontram em grave situação de saúde”, explica o comunicado citando a diretora da Sures.

Devido a esta situação, a diretora de Sures “apelou aos bons ofícios do Governo de Portugal para que, através das ações legais que correspondam, o Novo Banco consiga destravar os recursos”.

Por outro lado, a vice-presidente para a América e as Caraíbas, da Federação Democrática Internacional de Mulheres, Elizabeth Tortosa, apelou ao “respeito à vida dos 26 pacientes afetados, em meio do bloqueio económico que tem imposto o Governo dos Estados Unidos à Venezuela”.

“São várias crianças afetadas, e pessoas adultas. O Governo venezuelano tem feito um esforço muito grande para que estes pacientes possam aceder a uma medicação que lhes permita viver. Trata-se dos Direitos Humanos. Todos e Todas temos direito à vida”, diz Elizabeth Tortosa, citada no comunicado.

O documento precisa ainda que, segundo o responsável da organização Rompendo a Norma Alexis Bolívar, o “assédio económico” internacional prejudica toda a Venezuela.

“Não temos podido concretizar a compra de medicamentos, de uma série de materiais, como consequência do bloqueio imposto pelos EUA e que o Novo Banco continuou”, disse.

O comunicado conclui afirmando que a representação diplomática portuguesa mostrou-se “aberta à solicitação e manifestou a disposição de tramitar o requerimento”.

Já em 17 de abril, o Presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, exortou o Governo português a desbloquear os ativos do Estado venezuelano retidos no Novo Banco, sublinhando que o dinheiro será usado para comprar “todos os medicamentos e alimentos”.

“Libertem os recursos [da Venezuela] sequestrados na Europa. Peço ao Governo de Portugal que desbloqueie os 1,7 mil milhões de dólares [cerca de 1,5 mil milhões de euros] que nos roubaram, que nos tiraram” e estão retidos no Novo Banco, afirmou numa cerimónia com simpatizantes do regime, por ocasião do 16.º aniversário do programa de assistência social “Misión Barrio Adentro” [Missão no Bairro].

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