Mesmo com receios, os portugueses querem continuar neste país

Mesmo com receios, os portugueses querem continuar neste país

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Quem o consta é o Secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, que esteve de visita a este país durante três dias

O secretário de Estado das Comunidades Portuguesas terminou, no passado 11 de Setembro, uma visita de três dias à Venezuela, durante a qual constatou que os portugueses estão empenhados em continuar no país, apesar das dúvidas e receios quanto ao futuro.

“Verifiquei, de parte das pessoas com quem falei, um grande empenhamento na sua presença na Venezuela e isso é muito evidente. Independentemente das dúvidas, dos receios, há um grande empenhamento, um grande envolvimento na sociedade venezuelana. Eu diria que as pessoas que pretendiam sair da Venezuela já saíram há muito tempo, os que estão, estão para ficar e para trabalhar aqui”, acentuou José Cesário.

Em declarações à Agência Lusa, o membro do Governo sublinhou que o balanço da visita “é positivo” e que “as pessoas estão a necessitar de ter contactos com as autoridades portuguesas”.

“Há aqui alguma indefinição em relação à evolução do país e portanto as pessoas sentem-se mais confortáveis quando contactam com responsáveis governamentais, com entidades, neste caso de Portugal”, disse.

Durante a visita, foram-lhe colocadas questões para as quais é preciso “encontrar respostas, a primeira das quais são as questões sociais que se prendem com situações de pobreza muito grande, eu diria quase extrema, pela que estão a passar vários compatriotas nossos”.

“A desvalorização da moeda e a existência de câmbios paralelos faz com que as pensões locais sejam pensões perfeitamente insignificantes, se tenham transformado em valores ridículos, o que dificulta naturalmente a subsistência de muita gente”, disse.

José Cesário, disse ter-lhe sido lançado o desafio de o Governo português “apoiar e ajudar muitas das pessoas que estão nessas circunstâncias”.

Neste contexto, foi acordado que os dirigentes associativos vão “preparar uma série de projectos que passam em primeiro lugar pela identificação dos casos verdadeiramente graves, que é preciso atender”.

“Eu comprometi-me a arranjar alguns apoios que se dirigirão a essas instituições para poderem ajudar, minorar as dificuldades dessas pessoas que estão em situações mais delicadas”, frisou.

Por outro lado explicou que encontrou também “um grande empenhamento no reforço da presença cultural portuguesa” na Venezuela e precisou que depois de apoiar um disco da artista luso-venezuelana Andrea Imaginário, Lisboa vai apoiar uma edição bilingue de Fernando Pessoa, que poderá ser usada também noutros países da região

“Há um conjunto de projectos que também vamos dar sequência na área do ensino do português, que passa pela distribuição de bibliotecas e de concursos sobretudo dirigidos a áreas onde temos alunos de língua portuguesa que estão também a aumentar de forma significativa”, disse.

Segundo José Cesário, foram ainda colocados assuntos como o relacionamento bilateral, “a relação com a comunidade portuguesa e as preocupações das pessoas relativamente à situação económica, à insegurança”, e às dificuldades para conseguir bilhetes aéreos.

Durante a visita, o secretário de Estado reuniu-se, em Caracas, com os conselheiros das comunidades de quem ouviu as suas preocupações sobre a existência de portugueses carenciados, sem possibilidade de acederem aos apoios do Governo português.

“A grande preocupação que eles transmitiram, que já não é nova, mas que vale a pena tê-la muito presente, foi relativamente a portugueses em situações de grande carência que temos aqui na Venezuela, muitos deles sem condições de acederem ao tradicional mecanismo do Apoio Social ao Idoso Carenciado (ASIC)”, disse.

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