Novo Banco assina contrato para venda de operação na Venezuela

Novo Banco assina contrato para venda de operação na Venezuela

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O valor da venda da unidade na Venezuela não foi divulgado

O Novo Banco anunciou esta segunda-feira, 1 de Maio, que assinou um contrato para a venda da operação na Venezuela à “Bancamiga – Banco Microfinanciero”. A operação insere-se no âmbito da estratégia de desinvestimento de participações internacionais. Os activos e passivos da instituição financeira foram vendidos por um valor não discriminado.

Num comunicado enviado à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) pode ler-se: «Informamos que o Novo Banco celebrou com a Bancamiga, Banco Microfinanciero, da Venezuela, um contrato de promessa de compra e venda dos ativos e passivos da Sucursal na Venezuela do Novo Banco».

A instituição liderada por António Ramalho assinala em comunicado que “com a conclusão da transacção nos termos e condições acordados, o Novo Banco deixará de ter qualquer actividade bancária na Venezuela”, sendo que esta alienação “representa mais um importante passo no processo de desinvestimento de activos não estratégicos do Novo Banco, prosseguindo este a sua estratégia de foco no negócio bancário doméstico”.

A operação na Venezuela não está inserida nos activos que a Lone Star vai comprar, no âmbito do acordo assinado com o Fundo de Resolução, já que o fundo norte-americano atribuiu um valor nulo a este activo.

Em causa está uma operação que no primeiro trimestre deste ano gerou prejuízos de 14 milhões de bolivares (17 mil euros ao câmbio actual) e crédito concedido de 1,9 mil milhões de bolivares (2,4 milhões de euros), de acordo com os números apresentados pela instituição venezuelana no seu site e a taxa de câmbio real da moeda da Venezuela. A operação do Novo Banco na Venezuela, iniciada em 2012, tinha 49 colaboradores e operava no quadro do direito Venezuelano.

 A instituição do Novo Banco na Venezuela acabou por ser usada para a gestão do BES, liderada por Ricardo Salgado, atrair financiadores para o braço não financeiro do Grupo Espírito Santo (GES). Ao ponto de o banqueiro e o administrador José Manuel Espírito Santo terem assinado duas cartas de conforto, garantindo o reembolso do investimento feito pelo Banco de Desarrollo Económico y Social de Venezuela e pelo Fondo de Desarrollo Nacional em dívida do GES, no valor quase 270 milhões.

Quando o BES foi alvo de uma resolução, em 2014, esta responsabilidade ficou no “banco mau”, para proteger o Novo Banco de ter de reembolsar aqueles investidores. Esta decisão que não impediu as instituições venezuelanas de colocarem acções contra o BES e o Novo Banco no Supremo Tribunal de Justiça da Venezuela, reclamando o pagamento daquele valor e de uma indemnização. O tribunal decretou o arresto de bens do BES e do NB, desconhecendo-se o desfecho dos processos.

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