Oposição venezuelana em Portugal espera cinco mil votos contra Maduro este domingo

Oposição venezuelana em Portugal espera cinco mil votos contra Maduro este domingo

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AGÊNCIA LUSA

A oposição venezuelana em Portugal prevê que cinco mil concidadãos acorram este domingo aos oito centros de votação espalhados no país e votem contra o Presidente Nicolas Maduro e o seu projeto para rever a Constituição da Venezuela.

“Estamos à espera de cinco mil eleitores, este é um número aproximado, claro, dos quais três ou quatro mil só na Madeira”, disse em declarações pelo telefone à agência Lusa Christian Hohn, presidente da Associação Civil de Venezuelanos em Lisboa — Venexos.

O mesmo responsável estima que existam atualmente cerca de 20 mil cidadãos venezuelanos com direito de voto a viver em Portugal e admite até que o número de cinco mil eleitores previstos para votar nesta consulta popular possa ser ultrapassado, com a campanha de divulgação do evento nas redes sociais e através dos meios de comunicação. “Na Madeira saímos em muitos jornais”, apontou.

 “Esta é uma consulta pública à qual estão a ser chamados os venezuelanos no país e em todo o mundo. Neste momento existem 589 pontos de votação em 142 países”, indicou ainda Christian Hohn.

A oposição venezuelana organiza no domingo uma consulta popular simbólica contra o Presidente Nicolas Maduro e o seu projeto para rever a Constituição, após mais de três meses de manifestações violentas no país.

Os apoiantes do chefe de Estado estão atualmente em campanha eleitoral para a escolha, a 30 de julho, dos 545 membros da Assembleia Constituinte, que terá como missão rever a Constituição em vigor.

O projeto é firmemente rejeitado pela oposição, que o vê como uma forma de contornar a Assembleia Nacional, dominada desde 2016 pela oposição.

Como parte da contestação, a oposição realiza no domingo uma consulta popular simbólica sobre a Assembleia Constituinte, em 1.600 mesas de voto em todo o país, e múltiplas manifestações e bloqueios estão previstos.

Apresentado como um ato de “desobediência civil”, o voto acontece sem o aval das autoridades.

De acordo com a empresa de sondagens Datanalisis, cerca de 70% dos venezuelanos opõe-se à Assembleia Constituinte e 80% critica a gestão do chefe de Estado.

Na consulta popular organizada para este domingo, os eleitores venezuelanos irão ser chamados a responder “sim” ou “não” a três perguntas.

A primeira pergunta é se o eleitor “rejeita e desconhece a realização de uma [Assembleia] Constituinte proposta por Nicolás Maduro, sem a aprovação prévia do povo da Venezuela”.

A segunda se “exige às Forças Armadas nacionais e a todos os funcionários públicos que obedeçam e defendam a Constituição do ano de 1999 e apoiem as decisões da Assembleia Nacional”.

E terceira questiona se o eleitor “aprova que se proceda à renovação dos poderes públicos, de acordo com o estabelecido na Constituição e à realização de eleições livres e transparentes, assim como à formação de um governo de união nacional para restituir a ordem constitucional”.

O choque dos poderes na Venezuela tem-se mantido desde janeiro de 2016, quando a coligação da oposição Mesa para a Unidade Democrática (MUD, centro-direita) obteve nas legislativas então realizadas a maioria dos assentos parlamentares, colocando um ponto final a 17 anos de maioria chavista.

A crise política tem como pano de fundo a queda dos preços do petróleo, que ameaçou e ameaça fortemente uma economia cujas receitas assentam em 95% na cotação do crude.

Para o advogado e politólogo venezuelano, Benigno Alarcón, diretor do Centro de Estudos Políticos da Universidade Católica Andrés Bello (UCAB), em Caracas, é verdade que a consulta popular organizada pelos anti-chavistas “não é legalmente vinculativa”, mas é-o “politicamente”, afirmou à agência France Press.

 “Será muito complicado para o Governo dar viabilidade política ou governabilidade a uma Constituinte que nasça com uma abstenção muito forte, em contraste com uma consulta [popular] que tenha uma participação muito elevada”, acrescentou Alarcón.

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