Portugal e a Cortiça

Portugal e a Cortiça

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A cortiça é um dos produtos naturais mais caraterísticos de Portugal e faz parte do quotidiano sem darmos por isso. As rolhas das garrafas de vinho são o objeto mais conhecido mas existem muitos artigos em cortiça: acessórios de moda, roupa e sapatos, mobiliário e revestimentos, de chão ou parede, entre outros. A invenção recente do tecido de cortiça veio revolucionar esta indústria e colocar em evidência as suas propriedades tão apreciadas: é resistente, versátil, reciclável, hipoalergénico e tem qualidades térmicas e acústicas. Para além disso, tem um processo de transformação muito simples para poder ser trabalhado.

A APCOR (Associação Portuguesa da Cortiça) fundada em 1956, indústria preparadora e transformadora simples do norte do país passava a poder aproveitar os desperdícios de terceira linha para a produção de granulados. Um material sustentável que hoje é utilizado para criar inúmeras coisas e movimentar milhões de euros na economia local. Algo que seria desperdiçado, tornou-se objetos criativos.

Portugal é líder mundial na produção, transformação e comercialização da cortiça. Possui a maior área do mundo de montado de sobro, mais de 730 mil hectares (34% do total), e produz 100 mil toneladas de cortiça (50% do total). É o maior exportador mundial de produtos transformados, com 63%, o que equivale a 986,3 milhões de euros.

Nenhum outro produto substituto da cortiça será tão sustentável do ponto de vista ambiental, tendo em conta os solos pobres e as duras condições climatéricas. Em algumas povoações, a cortiça é o rendimento principal, mantendo essas áreas vivas com atividades económicas e sociais. A cortiça não só cria riqueza, como a distribui, tornando as regiões economicamente viáveis.

Para além dos objetos de utilidade diária, a cortiça faz parte da história de Portugal e pode ser encontrada em muitos monumentos e pontos de interesse:

– no Convento de Cristo, em Tomar, classificado Património Mundial, a janela da Sala do Capítulo é um dos pontos a não perder, pela sua simbologia e ligação à história dos Descobrimentos. Entre os elementos esculpidos na pedra encontramos troncos de sobreiro, relembrando a sua utilização nas caravelas dos navegadores portugueses.

– os monges sabiam bem como a cortiça podia tornar o ambiente mais confortável. Exemplos disso são o Convento dos Capuchos, em Sintra, o Convento de Santa Cruz do Buçaco e o Convento da Serra da Arrábida, em que as celas e algumas dependências comuns são forradas a cortiça.

– os presépios do sec. XVIII, da autoria do escultor Machado de Castro, com figuras de terracota em cenários de cortiça são uma referência na história das artes decorativas portuguesas. Um deles pode ser visto na Basílica da Estrela, em Lisboa.

– em, Sintra, o Chalet da Condessa d’Edla foi construído e decorado de acordo com o espírito romântico do séc. XIX. Nas ombreiras das portas, janelas e óculos, a cortiça é um dos elementos decorativos mais expressivos.

– no Algarve, São Brás de Alportel é uma localidade onde a indústria da cortiça teve grande importância para o seu desenvolvimento. Atualmente, é o centro de uma Rota da Cortiça.

– a história da cortiça  desvenda-se também nos museus locais, sejam etnográficos, como o Museu José Régio, em Portalegre, ou ligados à arqueologia industrial, com o Ecomuseu do Seixal.

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