“A melhor fiesta luso-venezuelana”

“A melhor fiesta luso-venezuelana”

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VICTOR HUGO / DN MADEIRA

Marysol, Kimberly, Alejandro e Eddy formavam dois casais lusovenezuelanos de muitos que ontem não quiseram perder a oportunidade de estar naquela que consideram ser a “melhor fiesta luso-venezuelana”, um evento que o DIÁRIO, em parceria com o município da Ribeira Brava, promove há 9 anos. Apesar do corpo estar presente, o coração acelera e as lágrimas escorrem rosto abaixo quando recordam a vida que tinham em Caracas. A profunda insegurança, a falta de comida e a precariedade social foram motivos mais que suficientes para aviar malas.

Eram todos licenciados. Contabilistas e advogados. Não eram ricos, sublinham, mas viviam bem. Tinham uma vida desafogada, faziam férias todos os anos em destinos de eleição, num bom ano podiam “ir de compras” até Miami. Os filhos estavam matriculados em boas escolas na capital que Nicolas Maduro continua a “delapidar”, criticam.

“Tudo isso acabou”, pelo menos é o que diz a consciência, não obstante as ‘resmas’ de “fé” e de “esperança” que têm, dois termos presentes na esmagadora maioria dos que visitaram a 9.ª edição da Festa Luso Venezuelana que tem na gastronomia e na solidariedade um cariz ímpar e indissociável.

Actualmente, um deles está empregado numa das muitas lojas do Pingo Doce que tem na Região. “Não tínhamos muito família cá, felizmente não pagamos casa”, confessa Alejandro que na primeira semana de trabalho levou um pacote de iogurtes para casa. Aos primeiros passos, disse ao filho mais novo: “Olha o que eu te trouxe”, exclamou. “Papá, é para mim? Sim, filho! E posso comer todos ou é um por semana?”, recorda o curto diálogo que manteve com o menino ilustrando as dificuldades que passava na Venezuela.

A escassez de alimentos foi uma das muitas agruras que viveram em solo venezuelano. “Por mais que quiséssemos ficar, tínhamos de pensar no futuro dos nossos filhos e da família. Não podíamos arriscar”, confidencia já a batida e a selecção musical de Mosquito Rumbero saía das colunas instaladas no palco da promenade ribeira-bravense que a partir das 18 horas foi cada vez mais enchendo até ficar repleta.

Animação e gastronomía

Lá como cá recorda-se que ‘tristezas não pagam dívidas’ e, de facto, os emigrantes latinos têm a alegria como característica do seu ADN. ‘Zumbaram’, bailaram, cantaram, com destaque para o duo internacional convidado, 2Chamos que actuaram pela primeira vez na Madeira. Além deste duo subiram ainda ao palco os Mariachi México Madeira, Triova Voices e ainda Juan Gonzalez instrutor de zumba. De resto, as barraquinhas de comida típica venezuelana fizeram as delícias dos que desceram até à frente-mar.

Solidariedade

Carlos Perneta da direcção de Marketing do DIÁRIO realçou o papel solidário que a EDN tem vindo a ter em parceria com a Câmara Municipal da Ribeira Brava no fomento deste género de eventos, recordando as iniciativas através do ‘Chapéu Solidário’ que possibilitaram a angariação de fundos para diversas causas sociais. Desta vez o director comercial lembrou que as receitas servirão para aquisição de medicamentos que posteriormente serão enviados para quem necessite na Venezuela. A edição de 2019 está sendo pensada, contudo o evento não pode deixar de ser pensado sem a colaboração da autarquia: “Queremos passar de um formato de um para dois dias, um alargamento que permitirá uma maior dinamização do comércio. Mas, para já, é prematuro estarmos a desenhar como será”, concluiu.

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