Regresso da Venezuela

Regresso da Venezuela

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Miguel De Sousa 

É estimado já terem regressado à Madeira cerca de oito mil membros da comunidade madeirense na Venezuela. Um número significativo ao qual se devem juntar muitos mais num futuro próximo.

Desde já lhes dou as boas vindas fazendo votos que na Madeira possam iniciar ou reiniciar uma vida de sucesso.

Naturalmente que a Madeira é bem diferente da Venezuela mas tem, seguramente, as suas próprias oportunidades que saberão aproveitar. A Madeira actual não é a mesma que obrigou à emigração como forma de esperança num futuro melhor.

E é, pelo que se percebe, o que está acontecendo com os regressados da Venezuela. Longe, tanto quanto possível, dos bancos mas activamente próximos de tudo quanto pode ser oportunidade de investimento, negócio ou emprego.

Fico feliz por ser assim.

Tenho para mim, que o volumoso regresso à Madeira de residentes na Venezuela, juntamente com a explosão do “alojamento local”, constituem os dois maiores factores de sucesso da Madeira actual. São dois extraordinários contributos para compensar a débil economia regional.

O nosso maior constrangimento é a reduzida população. Um número diminuto de residentes que não proporcionam escala mínima que dinamize a economia.

Comparamos a Madeira, muitas vezes, com as Canárias mas esquecemos que o arquipélago espanhol têm quase três milhões de habitantes e turistas nas ilhas. Nós somos menos de trezentos mil. E faz toda a diferença.

O “alojamento local” abriu as portas a uma nova economia e a muitos novos empreendedores, antes não activos. É muita gente que entrou em actividade. São mais turistas que chegam à Madeira e desfrutam de casas de elevada qualidade e conforto. Não são “tesos” que vêm procurar camas baratas. É gente que foge aos “tour-operators”, que determinam as condições do seu lazer, e fazem opções individuais de férias com o requinte que escolhem.

O “alojamento local” aumentou a qualidade e a dimensão da oferta turística madeirense. E paga impostos e serviços a fornecedores especializados.

É ver os excelentes comentários que os utentes deste turismo registam após as suas estadias. Só tem procura quem tem qualidade. Mesmo com preço elevado.

O regresso da Venezuela e o “alojamento local” produziram uma enorme procura pelo parque habitacional disponível. Hoje não há casas vazias. Vendem-se, alugam-se e tira-se rendimento, para o que é exigido uma requalificação dos imóveis e seus interiores. O sector da promoção imobiliária está fervendo de transações em catadupa que fazem a nossa economia crescer e viver uma dinâmica única.

Ainda me recordo dos tempos em que era apregoado que tínhamos população em demasia, uma das maiores densidades populacionais da Europa, e que temíamos o regresso das nossas comunidades emigrantes. Nada mais errado.

Hoje, a hotelaria tem na sua frente a abertura de novos hotéis que requerem um bom número de profissionais com formação adequada. Que não existem e levará à contratação de trabalhadores da concorrência.

Porque não realizar uma operação relâmpago para formação hoteleira dos muitos regressados da Venezuela. Dois ganhos: novos trabalhadores com formação adequada e satisfação social para quem precisa de emprego e ocupação.

Venham mais emigrantes e abram mais alojamentos locais. Ambos, concorrem directamente para a felicidade de muitos e, consequentemente, para o nosso sucesso colectivo.

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