Santos Silva responsabiliza Maduro pelo impasse político persistente na Venezuela

Santos Silva responsabiliza Maduro pelo impasse político persistente na Venezuela

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O ministro dos Negócios Estrangeiros comentou, no Luxemburgo, que tem havido alguns progressos no plano humanitário na Venezuela, o que não sucede no plano político, devido à “atitude” do governo de Nicolas Maduro.

Em declarações à saída de uma reunião de chefes de diplomacia da União Europeia, Augusto Santos Silva apontou que houve entre os 28 “mais uma troca de opiniões e pontos de vista sobre a situação na Venezuela, que está cada vez mais difícil, porque a situação social deteriora-se a olhos vistos e a crise politica não encontrou ainda nenhuma saída”, embora atualmente seja possível distinguir entre os progressos registados na área humanitária e a falta de avanços no campo político.

“Na área humanitária, os progressos são visíveis e consistentes. Há neste momento finalmente o reconhecimento por parte do regime de Maduro da necessidade de apoio humanitário, e há também uma consciência mais difundida de que as ações humanitárias não devem ser politizadas”, começou por referir.

Lembrando que a outra área essencial na qual trabalha o Grupo Internacional de Contacto para a Venezuela — do qual Portugal faz parte – é a da preparação de novas eleições presidenciais, Santos Silva admitiu que, neste domínio, “os resultados têm sido menos visíveis”.

“As coisas não estão a progredir, infelizmente, com a velocidade que a situação social, económica e humanitária da Venezuela exigiria. Infelizmente também, não tem havido da parte do regime de Maduro uma atitude capaz de desbloquear o impasse político que se vive”, apontou o ministro.

Ainda assim, o chefe da diplomacia portuguesa fez questão de sublinhar a importância do trabalho que a UE tem feito, “neste momento um dos poucos, ao nível internacional, que tem claramente o objetivo de evitar qualquer lógica de confrontação interna ou de intervenção militar externa sobre a Venezuela e criar as condições para que a solução para a crise política venezuelana se faça pela via pacífica”, ou seja, a realização de eleições.

Santos Silva enfatizou também que tem sido “a influência de vários atores internacionais, com lugar de destaque para a UE, que tem impedido que o regime de Maduro tome medidas contra a Assembleia Nacional e contra a posição democrática que poriam em risco qualquer evolução política”.

Esta nova discussão entre os chefes de diplomacia da UE focou-se nos resultados da segunda reunião do Grupo de Contacto Internacional para a Venezuela, que se realizou em Quito em 28 de março passado, assim como nos últimos “episódios” de uma crise que se arrasta, e para a qual a UE reclama uma solução política, e jamais militar.

A Venezuela atravessa uma nova fase de tensão política desde janeiro, quando o presidente Nicolás Maduro assumiu um novo mandato de seis anos, que não é reconhecido pela oposição e por parte da comunidade internacional. Em resposta, o líder do Parlamento, Juan Guaidó, autoproclamou-se presidente interino tendo recebido o apoio de mais de 50 países.

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