TAP terá três voos no Verão e ainda há muitos lugares...

TAP terá três voos no Verão e ainda há muitos lugares vagos

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Ligação semanal para a Madeira será retomada em Junho Agências de Caracas só vendem bilhetes em dólares

Catanho Fernandes / Sérgio Ferreira Soares

A TAP Portugal afasta mal-entendidos e afirma que as condições de mercado é que aumentam ou diminuem a frequência das viagens para determinados destinos.

Os seus responsáveis evitam falar de questões que possam ter interpretação política, e cingem-se ao que definem como indicações dadas pelos movimentos de procura, reservas e vendas. Tudo conjugado contribui para a criação e acerto dos horários.

Um informador da companhia disse ao CORREIO de Venezuela que foi essa maior procura que, em 1974, fez com que a TAP tivesse na época alta do Verão, já em plena crise suscitada pelo atraso nas transferências das receitas das companhias aéreas internacionais que trabalham no mercado venezuelano, cinco e seis voos semanais, com excelentes médias de ocupação e um preço médio por passageiro que foi, anteriormente, reconhecido pelos responsáveis da companhia, como excelente.

Esta perspectiva, contudo, não é a mesma da parte dos agentes de viagens e passageiros, que consideram que a TAP em períodos de grande procura pratica preços escandalosos e, frequentemente, multiplicados por algumas vezes, quando comparado com os de outras companhias, nas quais os passageiros viajam de Caracas para Portugal em voos de maior duração.

André Serpa Soares, porta-voz da companhia aérea portuguesa, disse ao CORREIO que a TAP baixou neste Inverno as suas frequências para dois voos semanais, um de Lisboa e outro do Porto. Abandonou, se bem que não totalmente, a linha Lisboa-Madeira-Caracas e volta, por falta de reservas e vendas que justificassem a escala na ilha. Mesmo assim, houve excepções e em Janeiro e Fevereiro houve escalas na Madeira, e o mesmo acontecerá com dois voos na época da Semana Santa, entre aMadeira e Caracas e em sentido contrário, no início de Abril.

Para o Verão o horário já está desenhado e além dos dois voos do continente (Lisboa e Porto) para Caracas, haverá um terceiro voo semanal, este de Lisboa para Caracas, com escala na Madeira, quer na vinda, quer no regresso. Será entre 11 de Junho e o final de Outubro.

Portanto, no total, a TAP fará três voos por semana entre Portugal e Caracas, com aviões Airbus A330-200. André Serpa Soares diz que a TAP está preparada para acorrer com mais voos se, de repente, o mercado mostrar apetência por mais lugares. Contudo, em primeiro lugar, nas preocupações dos responsáveis pela companhia está o factor custos, e estes não poderão ser superiores às perspectivas de receitas.

Falta de passageiros para embarcar na Madeira
O que tem faltado são passageiros à partida de Portugal, por exemplo, pois regista-se hoje um decréscimo extraordinário no número de passageiros embarcados na Madeira, por exemplo, que visitavam os familiares em Venezuela. Algum desse tráfego poderá estar a ser desviado para Miami, onde agora vivem muitos portugueses que, por razões de segurança e de negócios, estão divididos entre Caracas e a cidade norte-americana, onde hoje estão mais de quatro milhões de venezuelanos, segundo tem referido a imprensa internacional.

André Serpa Soares recorda que em todas as ocasiões anteriores, de períodos de Natal, Páscoa e férias de Verão, a TAP tem criado voos extraordinários que têm resolvido os momentos de maior afluxo de passageiros.

Preços muito altos afastam passageiros
Em Venezuela, diversos passageiros frequentes da companhia aérea portuguesa mostram-se descontentes com a TAP. Não só pelos altos preços que pratica, como também pelos cortes que tem dado na sua programação, pois entendem que a companhia é de transporte regular, que deve disponibilizar os voos de acordo com um horário que, naturalmente, se sujeita às alternâncias da procura e às oscilações do mercado.
Acusam a companhia de ser vítima da sua própria política tarifária, pois com preços tão altos, por vezes duas e três vezes mais que as concorrentes europeias, os passageiros preferem voar mais algumas horas para chegar a Portugal, pagando um preço mais justo. Um incómodo, é verdade, mas que poupa milhares de euros.

David Pinho: “Há passagens na TAP, mas pagas em dólares”
David Pinho, da agência de viagens Pinho, de Caracas, disse ao CORREIO, que não há dificuldades de arranjar viagens na TAP, desde que sejam pagas em moeda estrangeira. Para Portugal conseguimos até 1.300 euros, incluindo impostos, até ao mês de Maio. Tem de ser em moeda estrangeira, pois, segundo refere, a TAP não está a aceitar bolívares.

Quanto às marcações até final do ano, David Pinho respondeu que não há dificuldades. “O problema está na redução de voos, porque por exemplo, no próximo mês de Abril só há um voo por semana, alternado entre Lisboa, Porto e Funchal (Madeira)”, afirma o agente de viagens que referiu-nos que há pessoas que estão a procurar as companhias que recebem pagamento em bolívares para outros países, de onde então pagam em dólares ou euros para chegarem a Portugal. Mas, mesmo assim, são cada vez menos e a alternativa é cada vez mais apertada.

Face a esta situação David Pinho admite que as agências de viagens que trabalham com a TAP e com a comunidade portuguesa correm riscos de falência, pois algumas estão a despedir pessoal desde há vários meses, e as perspectivas são cada vez piores.

Marisol Cunha: “Todas as companhias querem vender em dólares”
Marisol Cunha, da agência de viagens San Port Tours, confirma que a TAP só vende em dólares em Venezuela e que há lugares disponíveis na companhia aérea portuguesa para a maior parte dos voos programados neste ano. Confirma também que poucas alternativas existem para quem pretende viajar e quer pagar em bolívares, pois a maioria das companhias aéreas internacionais não aceitam a moeda venezuelana. Refere que houve tempo em que as vendas de viagens via Colômbia dispararam, mas que agora também baixaram, já que a companhia colombiana Avianca também exige pagamentos em dólares. De resto as restrições cambiais, impostas pelo Governo da Venezuela acabaram por ferir de morte este negócio das viagens, presentemente numa fase muito baixa.

A incerteza da continuidade da actividade é também uma questão desconfortável para Marisol Cunha que já tem ouvido da boca da chefe ameaças ao encerramento da agência face às quebras nas vendas e aos encargos que têm, mensalmente, com os seus trabalhadores. Desta forma, é difícil continuar, e já não é apenas uma questão da TAP vender apenas em moeda forte. É porque todos procedem da mesma forma e não há volta a dar. São necessários mais dólares, os sistemas cambiais são cada vez mais restritivos e a compra de dólares em mercados extra-oficiais além de ser um acto ilegal, não está ao alcance de qualquer algibeira.

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