Venezuela celebra beatificação do «médico dos pobres»

Venezuela celebra beatificação do «médico dos pobres»

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Os sinos das igrejas católicas venezuelanas repicaram na sexta-feira à noite para assinalar a beatificação de José Gregório Hernández, conhecido pelos fiéis como “médico dos pobres”.

O toque dos sinos, pelas 20:00 de sexta-feira (01:00 de hoje em Lisboa), foi precedido por um comunicado da Conferência Episcopal Venezuelana (CEV) a anunciar que a Congregação para a Causa dos Santos tinha promulgado o decreto com a autorização do papa Francisco para a beatificação “do venerável Dr. José Gregório Hernández”.

“A notícia é de alegria para toda a Venezuela e mesmo para a América Latina, que despertou uma grande devoção pelo venerável, um dos mais insignes leigos da Igreja, um exemplo de virtudes cristãs com uma fé inabalável”, de acordo com o comunicado, no qual a CEV prevê que a cerimónia de beatificação decorra em 2021.

A CEV salientou que o processo de beatificação e canonização do “médico dos pobres” começou há 71 anos, por iniciativa Lucas Guillermo Castillo, que em 1949 era arcebispo de Caracas. José Gregório Hernández foi declarado “venerável” em 16 de janeiro de 1986 pelo papa João Paulo II.

O novo beato foi médico, cientista, professor, músico e filantropo, com vocação religiosa. Foi franciscano secular e em cada uma das áreas de trabalho demonstrou “generosidade, caridade, solidariedade e fé em Cristo, com um coração especial para os pobres e desfavorecidos”, salientou a CEV.

José Gregório Hernández nasceu a 26 de outubro de 1864, em Isnotú, no estado venezuelano de Trujillo, a 700 quilómetros a sudoeste de Caracas. Em 29 de janeiro de 1919, morreu atropelado em La Pastora, na capital venezuelana, pouco depois de ter saído de casa para visitar uma doente.

Os restos mortais encontram-se na igreja de Nossa Senhora de La Candelária, criada por imigrantes das Ilhas Canárias, em La Candelária, em Caracas, uma zona com significativa presença de emigrantes portugueses.

Autor de 13 ensaios científicos reconhecidos pela Academia de Medicina da Venezuela, José Gregório Hernández destacou-se no tratamento de doenças como a tuberculose, a pneumonia e a febre amarela, tal como nas áreas da patologia, da bacteriologia, da parasitologia e da fisiologia, tendo descoberto uma nova forma de angina peitoral de origem palúdica.

Foi também um reconhecido professor que falava vários idiomas, incluindo português, espanhol, francês, alemão, inglês, italiano e latim.

Entre os milagres analisados pelo Vaticano está o de uma menina de 10 anos, Yaxury Solórzano, baleada na cabeça durante um assalto. Com prognóstico reservado devido à perda de massa encefálica, a menina recuperou depois de a mãe ter feito um pedido a José Gregório Hernández.

De acordo com a imprensa venezuelana, são atribuídos ao «médico dos pobres» mais de 2.100 casos de cura.

Anualmente, em 26 de outubro, os católicos da Venezuela, Equador, Colômbia, Bolívia, Panamá e Aruba celebram o nascimento de José Gregório Hernández.

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