Voo vai repatriar 14 portugueses na Venezuela

Voo vai repatriar 14 portugueses na Venezuela

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A operação foi preparada pela UE e vai ser efetivada pelacompanhia aérea espanhola Plus Ultra que vai facilitar o regresso a vários cidadãos europeus

CORREIO/LUSA

Catorze portugueses retidos na Venezuela, devido à declaração pelas autoridades da quarentena social preventiva ao novo coronavírus, vão ser repatriados num voo previsto para quinta-feira, avançaram à Lusa fontes diplomáticas. Trata-se de um voo da companhia aérea Plus Ultra, organizado por Espanha, que partirá de Madrid para Caracas, para repatriar cidadãos europeus, entre eles portugueses.

Uma boa noticia para muitas das pessoas que se haviam deslocado à Venezuela em turismo ou para visitar familiares. Para poderem regressar, os passageiros têm que ter residência num país da UE e que pagar um “valor justo” pelo voo (que ainda assim é mais baixo que os normalmente praticados).

Devido às restrições de circulação que a pandemia COVID-19 veio trazer, a operação é complexa e irá contar com todo o apoio das autoridades venezuelanas. Após Nicolas Maduro ter imposto quarentena total em todo o território venezuelano e existirem limitações em relação ao abastecimento automóvel – apenas os serviços essenciais podem fazê-lo – a deslocação de todos os passageiros para o aeroporto de Maiquetía será assegurada pelas forças de segurança do país. Medida importantíssima para todos os cidadãos que pretendem regressar e que se têm de deslocar até à capital venezuelana – alguns deles estão a mais de 700 quilómetros de distância.

O voo que fará a ponte com a Europa tem como destino final Madrid e contará também com a presença de um madeirense. Entre os portugueses que vão ser repatriados está Jerónimo Neves, natural de Vila do Conde, que viajou para Caracas em 11 de março e tinha regresso marcado para 15 de março, data em que a Venezuela já tinha suspendido os voos e encerrado as fronteiras.

“Somos seis pessoas, cinco da família e um amigo. Fomos agarrados aqui por uma situação muito triste, lamentável” disse Jerónimo Neves à Lusa, explicando que um dos seus filhos, que estava de férias na Venezuela, morreu de surpresa e tiveram que esperar pelos familiares para fazer a cremação.

Jerónimo Neves explicou que inicialmente tinham o voo de regresso para Portugal previsto para 15 de março, na Ibéria, via Madrid, mas foi cancelado e tiveram que comprar novos bilhetes para a Air Europa, que também cancelou o voo.

“Nós pagámos duas vezes o regresso, mas não acredito que as companhias nos reembolsem o dinheiro. Talvez nos deem um tempo para fazer o voo”, afirmou, sublinhando que os cidadãos portugueses não estão em condições de assumir mais gastos financeiros.

Jerónimo Neves explicou que é diabético e hipertenso e que levou medicamentos para apenas os quatro dias da viagem, tendo dificuldades em conseguir localmente o que precisa.

Estes seis portugueses estão na cidade de Maracay (110 quilómetros a oeste de Caracas), Estado de Arágua, e entre eles está uma enfermeira e uma hospedeira de bordo que temem perder os seus empregos em Portugal.

Luísa Neves, enfermeira, explicou que conseguiram gasolina e um salvo-conduto das autoridades locais para viajar para Caracas, uma vez que, como o país está em quarentena, está proibida a circulação entre estados do país.

Segundo a mesma fonte, contam com a documentação necessária para transportar as cinzas do primo, estando a aguardar o voo, previsto para terça-feira, com a esperança de não perder o emprego.

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