“Santuário deve ficar acima da política”

Adiamento de abertura das novas instalações do Consulado Honorário gera polémica e mal-estar

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A nova sede do Consulado Honorário de Portugal nos Altos Mirandinos, que já deveria estar a funcionar nas instalações da Réplica Moderna do Santuário da Virgem de Fátima, no sector de Lomas de Urquia do município do Carrizal, continua com as suas portas fechadas.

Inicialmente, a abertura estava marcada para a data da visita do Secretario de Estado das Comunidades Portuguesas, Paulo Cafôfo. As obras foram aceleradas para tal efeito e o esforço dos membros da Associação Amigos de Nossa Senhora de Fátima dos Altos Mirandinos foi bem visível nos dias que antecederam a visita do político madeirense. A inauguração não se concretizou, com o Cônsul Honorário Pedro Gonçalves alegando falta de condições físicas e jurídicas para tal efeito.
A abertura do espaço foi adiada para domingo 3 de julho, data do arraial do Dia da Madeira. Apesar do anúncio, o cônsul honorário não abriu as suas portas durante a iniciativa de angariação de fundos, o que suscitou alguma indignação e mal-estar entre os assistentes à permanência consular especial, impulsionada pelo Consulado Geral de Portugal em Caracas e que se revelou bem-sucedida.
Mais de 400 pessoas acudiram ao Santuário para tratarem do seu passaporte e cartão do cidadão, muitas delas sem marcação prévia, ainda que todas foram atendidas pelos funcionários consulares.
O Cônsul Geral de Portugal em Caracas, Licínio do Amaral, não se mostrou disponível para falar sobre a abertura do espaço. “Não quero emitir opiniões sobre o assunto” disse o Cônsul. Transcorridos mais de dois meses e, apesar da conclusão da obra, Pedro Gonçalves mantem a sua posição e alega, de novo, não existirem ainda condições para tal abertura. Decisão que para muitos demonstra vaidade e interesses em não querer aceitar a mudança de instalações para o Santuário.
Consultado pelo CORREIO, Paulo da Silva membro fundador da Associação e um dos grandes impulsionadores do projeto, começa por lembrar que as instalações foram cedidas gratuitamente pela associação aos serviços consulares, incluindo as obras de acondicionamento, motivo pelo qual não compreende tanta confusão e resistência para a esperada abertura.
Da Silva pede para não politizar a boa vontade das pessoas. “Não queremos política na nossa obra. Não queremos que nos confundam com interesses mais além da nobreza desta bela iniciativa. Não nos utilizem nem nos politizem no Santuário” afirmou o dirigente associativo, lembrando que o templo religioso é uma obra e propriedade privada dos portugueses e dos venezuelanos de boa fé, daqueles que acreditam no bem, no trabalho e na solidariedade de todos. “Não somos de ninguém e não nos confundam com outras instituições” pede Paulo Da silva.

Conselheiro exige não misturar política com serviços
O Conselheiro para as Comunidades Madeirenses pela Venezuela, Aleixo Vieira, também esteve presente no Arraial Dia de Madeira no Santuário, elogiando à associação e todos os seus membros pela obra realizada, pelo esforço contínuo e pelas iniciativas de angariação de fundos em prol do projeto, o que inclui as instalações consulares.
«Com tristeza notei que há resistência por parte do Cônsul Pedro Gonçalves em inaugurar o Consulado Honorário, o que não é compreensível dado que o espaço já está pronto. O novo espaço só trará coisas positivas aos nossos concidadãos» disse Vieira Mendonça.
O Conselheiro não compreende este tipo de comportamento perante a abertura das novas instalações consulares e lembra: “mais além dos luxos e da perfeição do acondicionamento das instalações, as pessoas o que querem é serem atendidas, verem resolvidos os seus assuntos e documentação. Acho que estão a começar a querer misturar a política com os direitos das pessoas nos serviços da emigração, e isso não me parece leal nem correto. Não o devemos permitir” conclui o conselheiro.
O CORREIO ouviu muitas críticas aos sucessivos anúncios falhados de abertura e verificou que as instalações estão prontas para o início de funcionamento.

Cidadãos concordam com a nova sede
O CORREIO procurou a opinião de vários cidadãos sobre a mudança da sede consular. “Acho excelente transferirem o Consulado para esta localidade. Vai ter um espaço mais amplo, mais moderno e facilidades para estacionar” assegurou Andrea de Fernandes, uma das assistentes ao arraial e à permanência consular.
Maria Caldeira apoia a ideia da abertura o mais depressa possível. Desconhece as instalações do atual Consulado Honorário e acha perfeita a abertura no Santuário. “Assim evito descer até Caracas para tratar da minha documentação” explicou Caldeira.
António de lima elogia a organização da permanência consular. “Embora com algumas falhas no início do dia, puderam organizar-se para melhor nos servirem. Acho muito positivo alguém se ter lembrado de mudar as instalações consulares honorárias de donde estão para um sítio mais estratégico como o Santuário de Fátima” argumentou o cidadão.
Maria da Ponte confessa que não entende as autoridades Portuguesas e os seus adiamentos na transferência e abertura do Consulado Honorário. “Estão à espera de que? Não veem a quantidade de gente que aqui está a ser atendida nestas belas instalações? Porque só hoje é aqui e voltar a seguir para as antigas instalações consulares em Los Teques?” perguntou esta portuguesa que vive em Los Altos Mirandinos.

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