2016 traz uma nova Assembleia Nacional

A 5 de Janeiro, os 167 deputados vão tomar posse no parlamento

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Foram precisos 17 anos para a oposição venezuelana retomar o controlo da Assembleia Nacional. O regresso foi concretizado com uma maioria qualificada nas eleições do passado domingo, 6 de Dezembro. Após um primeiro boletim emitido pelo Conselho Nacional Eleitoral na madrugada de segunda-feira, 7, onde indicava que a oposição havia ganho 99 lugares e o chavismo 46, a aliança de partidos aglutinados na Mesa da Unidade Democrática (MUD) anunciou que realmente havia conquistado 112 deputados, o que deixou para o Partido Socialista Unido de Venezuela (PSUV) uma representação composta por 51 parlamentares.

No fecho desta edição ainda faltavam adjudicar quatro lugares. «O povo elegeu como mínimo 112 deputados. Ainda temos quatro deputados à espera da contagem: circuito 2 de Lara; circuito 3 de Guárico e 1 de Portuguesa «, disse o representante da MUD, Henrique Marzquez, acompanhado por um robusto grupo de políticos opositores.

O responsável destacou que após a apresentação do primeiro boletim, a presidente da entidade eleitoral, Tibisay Lucena, pediu aos vencedores para celebrar e respeitar os que haviam perdido. «Ganhou o povo da Venezuela», disse Lucena. Minutos antes, a presidente do CNE felicitou a actuação do Plano República, o povo venezuelano, os membros de mesa e os eleitores pela «cívica jornada eleitoral», que qualificou de transparente e de grande qualidade.

Ainda que nem todos os deputados eleitos representem uma renovação, os resultados destas eleições estabelecem um novo cenário na política nacional: o governo de Nicolás Maduro, que conta com o apoio de 20 governações, 240 alcaldías, todo o aparelho ministerial e institucional do Estado e 5 milhões de votos ‘duros’, terá que lidar com uma Assembleia Legislativa contrária à sua posição revolucionária, o que significará uma ‘pedra de tranca’, pois será confrontado com um grupo que alcançou o número de lugares necessários para tomar e travar grandes decisões.

“Começou a mudança na Venezuela. Hoje temos razões para celebrar. O país pedia uma mudança, e essa mudança começou hoje”, disse o secretário executivo da MUD, Jesús Torrealba, após serem conhecidos os resultados. Com esta vitória, “a agenda da paz reinou, a agenda dos cidadãos impôs-se, o voto logrou vencer democraticamente um governo que não é democrático”, assegurou o porta-voz da aliança ao ler um comunicado conjunto da plataforma que agrupa a maioria dos partidos da oposição. Torrealba considerou que esta vitória envia uma mensagem ao governo de Nicolás Maduro, porque demonstra que “o povo falou claro, as famílias venezuelanas estão cansadas de viver as consequências do fracasso, e o povo não tolerará nem mais o mínimo desvio dos princípios estabelecidos na constituição”.

Reacções

Nicolás Maduro
O presidente da República, Nicolás Maduro, numa alocução televisiva desde o Palácio de Miraflores, disse sentir-se tranquilo com a sua consciência e alma, tendo atribuído da derrota à guerra económica que, segundo disse, empresários e sectores políticos mantém contra o seu governo. Afirmou que se dirigia ao país para «reconhecer estes resultados adversos» nas eleições legislativas, os quais aceitava «tal e como foram emanados pelo Poder Eleitoral», pois com eles «triunfou a Constituição e a democracia». «Triunfou a guerra económica, triunfou uma estratégia para vulnerar a confiança colectiva num projecto de país. Triunfou circunstancialmente o estado das necessidades criado por uma política de capitalismo selvagem, de esconder os produtos e de os encarcerar «, assegurou, acrescentando: «Na Venezuela não triunfou a oposição, circunstancialmente triunfou uma contra-revolução».

Diosdado Cabello
O presidente da Assembleia Nacional, Diosdado Cabello, reconheceu durante a madrugada de segunda-feira, 7, os resultados iniciais que deram uma ampla vitória à Mesa da Unidade Democrática. «Assumimos absolutamente os resultados destas eleições. Ao nosso povo revolucionário um agradecimento eterno. O caminho é a Pátria», escreveu Cabello na sua conta da rede social Twitter. «Ninguém disse que ia ser fácil, que esta derrota eleitoral nos sirva de força para continuar o caminho da Revolução Bolivariana e Chavista», escreveu.

Freddy Bernal
O dirigente do Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV), Freddy Bernal, indicou que não considera o resultado das eleições parlamentares como uma derrota, senão que um revés eleitoral. «Sem dúvida alguma perdemos uma contenda eleitoral, mas isso não significa que o chavismo tenha acabado. Podemos dizer que o chavismo deu-nos uma lição. É hora de os dirigentes do PSUV actuarem com humildade e não com arrogância. Há que saber escutar. Às vezes o poder arrebata, as complexidades do poder, com as pressões externas e internas», precisou.

Chuo Torrealba
A oposição venezuelana deve «reinventar-se» para fazer frente à crise que afecta o país, disse, também na segunda-feira, 7, Jesús Torrealba, secretário executivo da Mesa da Unidade Democrática (MUD). Para Torrealba, a coligação da MUD «tem que reinventar-se». «Não é o mesmo que unir-se para resistir, que unir-se para governar. Não é o mesmo que unir-se para opor-se, que unir-se para legislar. Temos uma responsabilidade imensa. O que aconteceu ontem [domingo, 6] foi um tsunami eleitoral, um voto de confiança imenso, mas uma coisa é um voto de confiança e outra distinta é um cheque em branco», alertou.

Henrique Capriles Radonski
O governador do Estado de Miranda, Henrique Capriles Radonski, defendeu que os venezuelanos deram um mandato claro à oposição ao elege-la maioritariamente para a Assembleia Nacional. «O mandato é clarinho, tirar a Venezuela da crise histórica», disse Capriles. O governador mirandino assegurou que essa crise colocou a insegurança como o tema que mais preocupa os venezuelanos no seu quotidiano.

Henry Ramos Allup
O secretário geral de Acção Democrática assegurou que o governo nacional “está a derreter” e dificilmente chegará às presidenciais de 2018. “Que o governo se prepare porque agora as coisas mudaram de verdade, verdade. E não poderão continuar a fazer as coisas como lhes tem dado na gana como até agora, e durante 17 anos. Isso acabou. Comecem a sua contagem decrescente e digo isto responsavelmente e sem comprometer a ninguém. Eu acredito que o governo está num processo de franca diluição. Está a derretendo e dificilmente chegará à sua conclusão natural que são as próximas eleições presidenciais”.

Novos deputados por estados e circunscrições eleitorais

Amazonas
C1: Nirma Guarulla (MUD).
Lista: Julio Igarza (MUD).

Anzoátegui
C1: Antonio Barreto José Rodriguez (MUD).
C2: Saim Bucarán (MUD).
C3: Richard Arteaga e Carlos Michelangeli (MUD).
C4: Armando Armas (MUD).
Lista: Luis Carlos Padilla (MUD).

Apure
Lista: Luis Lipa (MUD).

Aragua
C1: Ismael García e Jose Trujillo (MUD).
C2: Amelia Belisario e Melba Paredes (MUD).
C3: Karin Arrueda (MUD).
C4: Simón Calzadilla e Mariela Magallanes (MUD).
Lista: Dinorah Figuera (MUD).

Barinas
C1: Maribel Guedez, Adolfo Superlano e Freddy Superlano (MUD).
C2: Andrés Eloy Camejo (MUD).
Julio César Reyes lista (MUD).

Bolívar
C1: Bolivia Lozano e Luis Silva (MUD).
C2: Jose Prat, Francisco Sucre e Freddy Valera (MUD).
C3: Américo de Grazia (MUD).
Lista: Ángel Medina (MUD).

Carabobo
C1: Lidio Abreu (MUD).
C2: William Gil (MUD).
C3: Ángel Álvarez (MUD).
C5: Marco Bozo, Romit Flores, Carlos Lozano (MUD).
Lista: Carlos Berrizbeitia e Juan Miguel Matheus (MUD).

Cojedes
Lista: Deny Fernández (MUD).

Delta Amacuro
Lista: Jose Antonio España (MUD).

Distrito Capital
C1: Jesús Abreu e Marialbert Barrios (MUD).
C2: Jorge Millán (MUD).
C3: Ramos Allup (MUD).
C4: José Guerra (MUD).
C5: Richard Blanco e Stalin González (MUD).
Lista: Tomás Guanipa (MUD).

Falcón
C2: Luis Stefaneli (MUD).
C3 Eliezer Sirit (MUD).
C4 Juan Garcia (MUD).
Lista: Jose Gregorio Graterol (MUD).

Guárico
Lista: Carlos Prosperi (MUD).

Lara
C1: Luis Florido, Maria Teresa Perez y Bolivia Suárez (MUD).
C3: Alfonso Marquina e Teodoro Campos (MUD).
Lista: Edgar Zambrano (MUD).

Mérida
C1: Alexis Paparoni (MUD).
C2: Aly Valero (MUD).
C3: Williams Dávila (MUD).
C4: Carlos Paparoni (MUD).
Lista: Milagros Valero e Luis Loaiza (MUD).

Miranda
C1: Delsa Solorzano (MUD).
C2: Freddy Guevara (MUD).
C3: Miguel Pizarro (MUD).
C4: Adriana D’Elia e Rafael Guzmán (MUD).
Lista: Julio Borges, Luis Aquiles (MUD).

Monagas
C1: Piero Maroun, Juan Pablo García e María Hernández (MUD).
Lista: Roberto Marrero (MUD).

Nueva Esparta
C1: Orlando Ávila e Luis Emilio Rondón (MUD).
C2: Jony Rahal (MUD).
Lista: Tobías Bolívar (MUD).

Portuguesa
Lista: María Beatriz Martínez (MUD).

Sucre
C1: José Noriega e Milagros Paz (MUD).
Lista: Robert Alcalá (MUD).

Táchira
C1: Leidy Gomez (MUD).
C2: Gaby Arellano (MUD).
C4: Juan Requesens (MUD).
C5: Sergio Vergara (MUD).
Lista: Ezequiel Perez e Sonia Medina (MUD).

Trujillo
C2: Conrado Peréz linares (MUD).
Lista: Carlos González (MUD).

Vargas
C1: Juan Guaido, Milagros Sánchez (MUD).
Lista: José Manuel Olivares (MUD).

Yaracuy
C2: Luis Parra (MUD).
Lista: Biaggio Pilieri (MUD).

Zulia
C1: Omar Barboza (MUD).
C2: Abilio Troconis (MUD).
C4: Elimar Diaz (MUD).
C5: Nora Bracho (MUD).
C6: Elías Mata (MUD).
C7: Juan Pablo Guanipa (MUD).
C8: William Barrientos (MUD).
C9: José Luis Pirela (MUD).
C10: Hernan Alemán (MUD).
C11: Juan Carlos Velasco (MUD).
C13: Freddy Paz (MUD).
Lista: Enrique Márquez e Timoteo Zambrano (MUD).

Representação Indígena
Ocidente: Virgilio Ferrer (MUD).
Oriente: Gladys Guaipo (MUD).

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Editor - Jefe de Redacción / Periodista sferreira@correiodevenezuela.com Egresado de la Universidad Católica Andrés Bello como Licenciado en Comunicación Social, mención periodismo, con mención honorífica Cum Laude. Inició su formación profesional como redactor de las publicaciones digitales “Factum” y “Business & Management”, además de ser colaborador para la revista “Bowling al día” y el diario El Nacional. Forma parte del equipo del CORREIO da Venezuela desde el año 2009, desempeñándose como periodista, editor, jefe de redacción y coordinador general. El trabajo en nuestro medio lo ha alternado con cursos en Community Management, lo que le ha permitido llevar las cuentas de diferentes empresas. En el año 2012 debutó como diseñador de joyas con su marca Pistacho's Accesorios y un año más tarde creó la Fundación Manos de Esperanza, en pro de la lucha contra el cáncer infantil en Venezuela. En 2013 fungió como director de Comunicaciones del Premio Torbellino Flamenco. Actualmente, además de ser el Editor de nuestro medio y corresponsal del Diário de Notícias da Madeira, también funge como el encargado de las Comunicaciones Culturales de la Asociación Civil Centro Portugués.

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