A classe social é importante na hora de fazer amigos?

Estudo realizado nos Estados Unidos pediu aos participantes que respondessem a uma série de perguntas relacionadas com os seus cinco amigos mais próximos

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Ommyra Moreno Suárez

Num estudo realizado pelo New York Times, foi possível demonstrar que fatores como a classe social, o nível de formação, a quantidade de ingressos ou as tendências políticas influenciam de forma determinante na hora de juntar as pessoas em círculos sociais e, mais concretamente, na hora de fazer amizades. Para a realização deste estudo, a empresa de pesquisas online Morning Consult contou com 2.000 participantes. Uma vez que o estudo foi realizado nos Estados Unidos, os resultados estão emoldurados com um contexto cultural específico e que podem não se adaptar ao resto da população mundial devido a que cada sociedade tem implicações distintas no que se refere ao conceito de amizade.

Neste estudo, concretamente, pedimos aos participantes que respondessem quais eram os seus cinco amigos mais próximos e era depois feita uma série de perguntas. Uma delas era sobre o nível de escolaridade destes. A pergunta foi respondida por participantes que têm um nível académico ou não, indiferentemente. As diferenças foram claras: 32% dos participantes que têm um grau universitário declaram que os seus amigos mais próximos também o têm, enquanto que 8% deles indica que dos cinco amigos mais próximos nenhuma tem licenciatura. Em contrapartida, entre os participantes sem grau académico, 31% declara que os seus amigos mais próximos também não estudaram muito e só 7% destes declara que os seus cinco melhores amigos são licenciados.

No que se refere à opção política, fica claro também a sua influência determinante na hora de se aproximar ou de se afastar das pessoas. Foi colocada a seguinte questão: Quantos dos teus cinco melhores amigos são republicanos? Entre os homens republicanos, 30% responderam “todos”, enquanto que só 5% responderam “nenhum”. Entre as mulheres republicanas, os números são um pouco mais moderados: 25% declararam que os seus amigos mais próximos eram também republicanos e 7% delas declararam não ter nenhum amigo republicano.

Talvez não seja nenhuma surpresa pois o que o estudo revela é algo evidente, mas o estudo permite concluir também algo interessante: um em cada três adultos que ganha menos de 50 mil dólares por ano refere que os seus cinco melhores amigos têm um nível económico semelhante ou inferior. Simetricamente, quatro em cada dez dos que ganham mais de cem mil dólares por ano refere que nenhum dos seus cinco melhores amigos ganha menos de 50 mil ao mês.

Para equilibrar se os diferentes pontos de vista ou as «formas de entender o mundo» são também um fator determinante na hora de aceitar ou recusar amigos, o estudo fez algumas perguntas relacionadas com assuntos polémicos da atualidade e relevância social, como por exemplo a postura perante o aborto ou a opinião da gestão de Barack Obama frente ao Governo. Os números falam claramente em seis em cada dez pessoas que não concordam com a gestão de Obama e que indicam que os seus cinco melhores amigos também discordam. E 56% das pessoas que recusam impor mais restrições ao aborto declararam que os seus cinco melhores amigos são da mesma opinião. E 39% das pessoas que acreditam que se devia limitar ainda mais o aborto declaram que os seus cinco amigos são da mesma opinião. Podemos observar que as percentagens nesta parte do estudo são significativamente maiores do que nos dedicados à formação académica ao nível de ingressos, o que sugere que uma ‘forma comum’ de entender a vida aproxima mais as pessoas do que outras questões de pertença a grupos sociais, embora evidentemente haja conexões claras entre estas “formas de ver o mundo” e os grupos sociais a que pertencem”.

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