A comemoração do 50º aniversário da Revolução dos Cravos aproximará o público venezuelano da transição democrática portuguesa

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Esta quinta-feira, 25 de abril, assinala o 50.º aniversário da Revolução dos Cravos, quando uma transição pacífica pôs fim à ditadura e instaurou a democracia em Portugal. Na Venezuela a inauguração de uma exposição itinerante, acompanhada de leituras dramatizadas e música, aproximará o público dos factos históricos que permitiram a Portugal abrir-se à modernidade.

O programa cultural é promovido pela Embaixada de Portugal em Caracas, o Camões, Instituto da Cooperação e da Língua, a Coordenação do Ensino do Português na Venezuela, o Centro de Língua Portuguesa de Caracas e Maracay, conjuntamente com a Faculdade de Humanidades de Educação e a Coordenação de Extensão da UCV.

João Pedro Fins do Lago, Embaixador de Portugal em Caracas, considera essencial «recordar o passado, refletir sobre a História e sensibilizar a sociedade, sobretudo as novas gerações, para o valor da democracia e a defesa das liberdades que levaram a profundas melhorias sociais, políticas, económicas e culturais em Portugal».

«Muitas pessoas conhecem o 25 de Abril por tudo aquilo que podem ter ouvido dos seus pais, mas penso que ainda há falta de informação sobre o tema. Podem ter ouvido a expressão Revolução dos Cravos, sem saberem muito bem em que consistiu este movimento político. Penso que devemos fazer mais para aproximar os lusodescendentes da história contemporânea de Portugal», comentou o Professor Rainer Sousa, Coordenador do Ensino da Língua Portuguesa na Venezuela.

HISTÓRIA E CULTURA

O evento comemorativo dos acontecimentos do 25 de Abril de 1974 em Portugal terá lugar na Sala Mariano Picón Salas da Faculdade de Humanidades e Educação da UCV, em Caracas, às 10h00, com a inauguração da exposição itinerante «O Legado de um Cravo».

A exposição detalha o que foi a Revolução dos Cravos, mostrando um antes e um depois, bem como as consequências deste acontecimento histórico, destacando aspectos como as liberdades que foram suprimidas durante quase cinco décadas. Além disso, mostra também como 48 anos de ditadura representaram atraso e miséria, recordando sempre a memória de todos aqueles que, no meio da adversidade, da clandestinidade e da repressão, lutaram pela defesa da liberdade.

Os alunos da UCV que estão a aprender português participarão na atividade e farão uma leitura dramatizada sobre a importância do 25 de Abril na transição democrática em Portugal. O objetivo é dar-lhes a conhecer «a história contemporânea e, ao mesmo tempo, fazê-los refletir sobre a dificuldade que pode ser para uma nação forjar um sistema democrático depois de ter vivido durante décadas sob um sistema ditatorial», insistiu Rainer Sousa.

MÚSICA E REVOLUÇÃO

A música também ocupará um lugar central no evento, com atuações em violino de canções que fizeram parte do desenvolvimento histórico.

Rainer Sousa salientou que será possível ouvir duas peças musicais que estão intimamente relacionadas com a Revolução. A primeira chama-se “E depois do Adeus”, do cantor e compositor português Paulo de Carvalho, uma canção romântica que foi usada para avisar os quartéis que podiam partir para Lisboa na madrugada daquele 25 de Abril. “Foi tocada numa estação de rádio e esse foi o sinal».

Outra canção será «Grândola, Vila Morena», de Zeca Afonso, «um cantor indissociavelmente ligado ao 25 de Abril. A melodia é muito marcada pelos ritmos tradicionais do Alentejo e a letra fala de uma vila do sul do país, que seria um exemplo de fraternidade e igualdade, ideais estes que sobressaem sempre nos momentos em que nasce uma revolução. Em Portugal, quando ouvimos estas músicas, lembramo-nos imediatamente do 25 de Abril», acrescentou.

UM ANTES E UM DEPOIS

Antes do 25 de Abril de 1974, Portugal era governado por uma ditadura de direita. O acesso aos Direitos Humanos e às liberdades fundamentais, como a liberdade de imprensa e de pensamento, era restringido. Além disso, o regime conduziu o país a uma guerra nos seus territórios ultramarinos de África. Os “Capitães de Abril”, como são conhecidos, eram jovens militares que participaram no movimento e que se recusavam a continuar a lutar nas ex-colónias portuguesas, cansados de ver morrer os seus companheiros. Assim, no dia 25 de Abril começou uma nova etapa do Portugal contemporâneo, na qual o país se tornou num Estado-de-Direito democrático.

A partir desse dia começou «um longo caminho para a democratização do país. Houve um período de turbulência política, mas pouco a pouco o país foi-se abrindo até ao ponto de se integrar no espaço europeu e iniciar assim o seu processo de modernização a todos os níveis da sociedade», afirma o Coordenador do Ensino da Língua Portuguesa na Venezuela.

ARMAS E CRAVOS

Não houve derramamento de sangue na Revolução dos Cravos, tratando-se, assim, de um movimento pacífico. O cravo vermelho é conhecido como o símbolo deste movimento político devido a uma história bastante original. Rainer Sousa recorda que a história desse momento está ligada ao gesto de uma mulher, Celeste Caeiro, que «vivia no Chiado (Lisboa) e trabalhava num restaurante que, no dia 25 de Abril de 1974, comemorava o seu primeiro aniversário. O seu dono decidiu oferecer cravos vermelhos aos clientes, mas quando o proprietário ouviu na rádio que estava a decorrer uma revolução, fechou o restaurante e entregou os cravos à Celeste. A caminho de casa, no Rossio (centro de Lisboa), Celeste, ao ver os tanques a passar em direção ao Largo do Carmo, perguntou a um soldado o que é que estava a acontecer e logo deu-lhe um cravo, o qual foi colocado por ele, imediatamente, na sua espingarda. Outros soldados viram e seguiram o exemplo, convertendo o cravo num símbolo do 25 de Abril, amplamente reconhecido pelas gerações ulteriores.

A comemoração do 50º aniversário da Revolução dos Cravos terá lugar na quinta-feira, dia 25 de abril, pelas 10h00, na Sala Mariano Picón Salas da Faculdade de Educação e Humanidades da UCV. Para mais informações, os interessados podem ligar-se aos canais de Instagram: @embportugalccs e @cepe.vzla, assim como nas contas de Facebook: Embaixada de Portugal em Caracas e Cepe.Vzla.

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