A imagem desta semana é da proclamação da Primeira República Portuguesa, que pôs fim à monarquia existente até então. A fotografia pertence a Mário Norvais, que nasceu em Lisboa em 1899 e faleceu em 1967. Era o irmão mais velho de Horácio Norvais.
O jugo inglês sobre o país, os gastos da família real, o poder eclesiástico, a instabilidade política e social, o sistema de alternância de dois partidos políticos no poder (progressistas e regeneradores), o regime ditatorial de João Franco e a aparente incapacidade de acompanhar a evolução dos tempos e adaptar-se à modernidade foram factores que contribuíram para a queda da monarquia, dos quais os defensores da república, especialmente o Partido Republicano, souberam tirar partido. Apresentava-se como o único partido com um programa capaz de devolver ao país o prestígio perdido e colocar a Portugal na senda do progresso.

No Verão de 1910, Lisboa tinha ares de revolução. Inclusive, o primeiro-ministro Teixeira de Sousa foi avisado de golpes de Estado. A revolução era algo esperado pelo próprio governo, já que no dia 3 deu a ordem às tropas para que ficassem em Lisboa como prevenção. Depois do jantar oferecido em honra a Manuel II pelo Presidente brasileiro, Hermes da Fonseca, que estava de visita a Portugal, o rei retirou-se para o Palácio das Necessidades, enquanto o seu tio e herdeiro da coroa, o infante Alfonso, continuava na cidadela de Cascais.

Depois de o exército se ter oposto a combater cerca de dois mil soldados e marinheiros rebeldes entre os dias 3 e 4 de Outubro de 1910, a República foi proclamada às nove da manhã do dia seguinte, no balcão da câmara de Lisboa. Depois da revolução, foi instalado um governo provisório, que tinha Teófilo Braga como líder, e que dirigiu o país até ao nascimento da Primeira República, com a aprovação da Constituição de 1911. A chegada da República teve como consequências a mudança do hino e da bandeira.

O movimento revolucionário de 5 de Outubro de 1910 produziu-se na linha de acção doutrinária e política que o Partido Republicano Português (PRP) foi desenvolvendo desde a sua criação em 1876, com o objectivo de derrubar o regime monárquico.

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