A Revolta da Madeira

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A imagem desta semana foi tirada no Funchal em 1931, durante a Revolta da Madeira, também conhecida como a Revolta das Ilhas ou Revolta dos Deportados. Nesta fotografia é mostrado um grupo de soldados num camião passando pela antiga Misericórdia do Funchal.

Esta revolta foi um levantamento militar contra o Governo da ditadura (1926 – 1933), que ocorreu na ilha da Madeira e começou na madrugada de 4 de Abril de 1931. Quatro dias depois, a 8 de Abril, começou nalgumas ilhas dos Açores, e a 17 arrastou também a Guiné Portuguesa, Moçambique e a ilha de São Tomé. Os movimentos militares planeados para o continente nunca aconteceram.

Um contingente militar chegou à Madeira proveniente de Lisboa e já se encontravam deportados na Madeira alguns militares e políticos civis opositores ao regime, entre eles: O general Sousa Dias, os coronéis Fernando Freiria e José Mendes, o antigo ministro Manuel Gregório Pestana Júnior, entre outros. O levantamento castrense foi liderado pelos oficiais do contingente recém-chegado. O tenente médico Manuel Ferreira Camões estava à frente.

A operação começou às sete da manhã de 4 de Abril de 1931. Foram levadas para a prisão as autoridades que trabalhavam nas instituições públicas. Devido ao êxito do acontecimento, os militares e políticos exilados uniram-se e criaram uma Junta Revolucionária, presidida por Sousa Dias. Todos estes defendiam a restauração da normalidade constitucional suspensa desde a Revolução de 26 de Maio de 1926. Aproveitaram o descontentamento da população para obter apoio e fortalecer a sua situação.

Depois do êxito do levantamento na Madeira, um grupo de políticos e militares refugiados nos Açores conseguiu que houvesse também levantamentos nas ilhas de São Miguel, Terceira, Graciosa e São Jorge. Também ocorreram rebeliões nas colónias. A 17 de Abril, alguns efectivos castrenses destacados protagonizaram o levantamento na Guiné Portuguesa. Em Moçambique e em São Tomé também aconteceu o mesmo, mas falharam porque os revolucionários foram detidos.

Os militares rebeldes nos Açores renderam-se por não terem recebido apoio popular, e sem lutar, entre 17 e 20 de Abril. Na Madeira, a situação foi diferente porque os revoltosos conseguiram o apoio popular, devido às políticas económicas restritivas do Governo para diminuir os efeitos da crise internacional de 1929. O movimento militar só foi neutralizado a 2 de Maio, com uma expedição militar enviada pelo Governo, e o confronto durou sete dias. A 6 de Maio de 1931, os militares rebeldes da Guiné Equatorial renderam-se depois da queda os seus pares madeirenses.

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