A vida e a coragem de Manuela Simões tornam-na uma mulher sem limites, seja a pé ou sobre duas rodas

0
793

Anaís Castrellón Castillo
anaiscastrelloncastillo@gmail.com

Não é segredo para ninguém que Manuela Simões é uma desportista integral, promotora do ginásio do Centro Português, a sua gerente actual e uma ciclista sem limites. Descreve-se como uma desportista radical e realmente demonstra-o em cada uma das suas travessias.

E não é para menos, pois esta competidora oriunda de Aveiro conseguiu atingir metas que muitos jovens desejariam alcançar. Simões está há mais de 10 anos no mundo do fitness e desde criança que anda de bicicleta.

“Quando vivia em Portugal, andava de bicicleta. Já na Venezuela, aquando da greve petrolífera de 2002, encarei o ciclismo a sério e fui uma das precursoras da ciclo-marcha. Muitas pessoas se juntam e chegamos a ter 50 mil bicicletas na estrada”, disse.

Manuela Simões realizou dezenas de travessias ao longo da Venezuela, país que descreve como um paraíso terrestre. “Aqui na Venezuela temos tudo, centenas de paisagens que não encontras noutros sítios. A sua beleza é infinita, por isso percorri-a em todas as suas dimensões”, acrescentou.

Apesar de nem todas as viagens serem bem sucedidas, ninguém detém esta ciclista. Foi o que sucedeu quando foi roubada durante o mês de Dezembro de 2008, numa rota no estado Mérida. Manuela Simões viajava com membros da Fundação para o Desporto Radical e de Aventura, organização sem fins lucrativos à qual pertence. Esta aveirense saiu de Caracas com o objectivo de levar brinquedos às crianças mais necessitadas. Apesar do sucedido, a ciclista não se deixou vencer e continuou na rota até chegar a Caja Seca, estado Zulia. “O que me move é o contacto com a Natureza”, afirmou.

Sobre duas rodas

Manuela Simões conta com naturalidade os longos percursos em duas rodas, até ao ponto de pedalar desde Las Mercedes, em Caracas, até La Colonia TovaR, Estado Aragua, e regressar.

“Um domingo, ocorreu-me e aos meus amigos irmos até lá. Encontramo-nos numa estação de serviço em Las Mercedes e fomos até La Colonia Tovar”, explicou.

Outra das suas viagens foi até Choroni, a partir de Maracay. “É um grande percurso, já o fiz várias vezes. Esse caminho é algo stressante de carro, mas de bicicleta relaxa-me. É uma sensação indescritível, sem contar com os longos caminhos que percorri como o Roraima, Los Roques e a Gran Sabana”, contou.

O seu amor pela bicicleta faz-se notar. No entanto, a ciclista portuguesa assegura que o mais importante é as suas duas pernas, porque com elas “chego até onde quiser, coisa que, muitas vezes, não consigo com as minhas duas rodas”.

Esta apaixonada pelos desportos radicais pratica muitas modalidades. A adrenalina alimenta-a e isso torna-a feliz. Percorre travessias difíceis, chega até onde nunca imaginou. Lançou-se em parapente, remou em kayak e rafting. Confessa que a única coisa que lhe mete medo é a água. “Não fiz um triatlo porque não gosto de água. Conheço as minhas limitações e essa é uma delas”, disse.

A ciclista espera ainda subir o Auyantepuy com a intenção de render uma homenagem. “Não direi mais nada neste momento. Cedo saberão mais”.

Dejar respuesta

Please enter your comment!
Please enter your name here