Amélia Muge apresenta novo álbum constituído por poemas de Amália Rodrigues

Amélia Muge gravou 16 novos temas, "nunca musicados", à exceção de "Sou filha das ervas".

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Correio / Lusa

Amélia Muge apresenta o seu mais novo trabalho, «Amélia com versos de Amália», constituído exclusivamente por poemas de Amália Rodrigues, na próxima sexta-feira, em Lisboa, na Culturgest.

Amélia Muge gravou 16 novos temas, «nunca musicados», à exceção de «Sou filha das ervas».

Além de Amélia Muge, os outros dois compositores são José Mário Branco e o grego Michales Loukovikas, que «era o parceiro ideal para levar as palavras de Amália até ao Oriente», disse a cantora e compositora à Lusa.

Referindo-se a José Mário Branco, Amélia Muge destacou a «sua poderosa capacidade em dar às palavras uma dimensão maior, a partir de uma visão musical muito conhecedora e muito abrangente».

No palco da Culurgest, Amélia Muge afirmou que irá exclusivamente interpretar poemas de Amália, juntando outros aos que incluiu no CD.

«O palco é sempre outra coisa. Os temas terão outra respiração, vão explicitar coisas menos evidentes no CD, vão reorganizar-se em torno das muitas histórias que têm para contar», adiantou.

«No palco vai haver outras [canções]. Mas tudo vai girar à volta das palavras de Amália, cantadas e projetadas em termos de imagem», acrescentou.

Amélia Muge disse à Lusa que, quando o livro «Versos», de Amália Rodrigues, foi publicado em 1997, ficou «logo deslumbrada com esta Amália desconhecida».

Referindo-se à escrita da fadista, Amélia Muge afirmou: «A diversidade temática vai para lá da existente no próprio fado. As suas palavras são de todo o lado, e evocam uma enorme variedade de mundos sonoros e musicais».

«Amália é também única, porque é uma herdeira fabulosa da poesia popular de raiz oral mas, ao mesmo tempo, sente-se nas suas palavras uma influência dos poetas que cantou, o que a leva a um registo poético muito pessoal pois nela as influências, mesmo mais eruditas, nunca a levam a deixar esse chão de palavras tão ancestral. Placentar, diria», declarou.

Todos os poemas para o CD, editado em finais do ano passado, foram escolhidos por Amélia Muge, que não editava desde «Periplus, Deambulações Luso-Gregas» (2012), feito em parceria Loukovikas.

«Os poemas foram escolhidos por mim. No caso do Michales, foram-lhe atribuídas temáticas ligadas ao ‘tempo’ e ao ‘olhar’, que poderiam ganhar, como ganharam, essa dimensão do ‘longe’ e do ‘outro’, tão bem expresso nos modos orientais que ele escolheu», afirmou, e, «no caso do Zé Mário, são temas muito ligados a declarações de princípios, que necessitavam de uma carga intencional muito particular».

Loukovikas musicou, por exemplo, «Os teus lindos olhos pretos» e «O tempo dantes corria». José Mário Branco assina as composições de «Tenho dois corações», «Quero cantar para a lua» e «Carta a Vitorino Nemésio». Os restantes onze temas foram compostos por Amélia Muge, entre eles «Meu coração sem direito», «Ai de mim sou filha das ervas» e «Faz pena».

«A escolha dos poemas foi feita a partir de vários critérios: não terem sido musicados, a combinação de momentos muito telúricos e luminosos com outros mais sombrios, a referência recorrente a simbolismos evocando a perda, o coração como visão do mundo, o inalcançável, o mundo rural e os pequenos universos de que é feito, os sentimentos mais ligados quer ao que se aceita quer ao que se recusa, o perto e o longe, o tempo, a auto-ironia a partir da adversidade», explicou a cantora.

Na Culturgest, em palco, além de Amélia Muge, vão estar os músicos António Pinto (guitarras), Catarina Anacleto (violoncelo), Daniel Salomé (clarinetes, saxofones e flauta), Ivo Costa (percussão), Manuel Maio (bandolim, braguesa e violino) e ainda, como convidados, António Quintino (contrabaixo) e Carisa Marcelino (acordeão).

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