“Amo Portugal mesmo não conhecendo o país”

Preparada para levar a cabo novos projectos, prepara a próxima apresentação dos trabalhos relacionados com a Medicina Estética no Congresso Venezuelano, que decorre de 23 a 25 de Junho

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Andrea Guilarte Rincón
aguilarte.correio@gmail.com

“Amo Portugal mesmo não conhecendo o país, pois foi ali que nasceram os meus pais”, afirma Eva de Abreu Correia. A mãe, Carmelita Correia, chegou a La Guaira no navio Santa Maria, proveniente de São Martinho, Funchal (ilha da Madeira) e foi enviada pelo governo do presidente venezuelano, Raúl Leoni, para Coro, estado Falcón, onde viveu até há pouco anos. “Quando a minha mãe chegou, já o meu pai, José de Abreu, estava na Venezuela. Veio com os dois filhos e com a mulher que foi sua esposa”, recorda.

Anos depois, após ficar viúvo, José conheceu Carmelita em Coro e acabaram por casar. Da união nasceram Maria de Lourdes e Eva, esta última a 31 de Março de 1980. A família conseguiu montar uma mercearia na capital de Falcón. “Era uma das maiores e reconhecidas de Coro”, afirma Eva.

“O meu pai via sempre a RTP e tinha vontade de regressar a Portugal, mas a sua idade não o permitiu, e tinha muito trabalho”, conta a luso-descendente, ao recordar as origens do pai. “Ele falava perfeitamente o português, o inglês e o espanhol, apesar de não ter tido nenhum tipo de estudos, e também era bom com as matemáticas”, acrescenta.

Em 2002, quando tinha 22 anos e estudava Medicina na Universidade Francisco de Miranda, de Coro, teve que enfrentar a morte do pai. “Sofri muito. Enquanto estava a estudar Medicina Interna, antes de entrar nas clínicas, deu-se a morte do meu pai, foi um golpe muito duro, eu não podia ver morrer pessoas mais velhas.”
A mãe passou a gerir a mercearia, enquanto a irmã, Maria Lourdes, estudava em Caracas. “Quando me licenciei, em 2004, decidi fazer uma pós-graduação em Caracas e trouxe a minha mãe, não queria que trabalhasse mais”, conta Eva.

Para poder financiar os seus estudos em Medicina Estética, trabalhou na Rescarven dia e noite até que em 2008, conseguiu o título na UIME (União Internacional de Medicina Estética), que é válido também em França. Desde então tem se esforçado para enriquecer o seu desenvolvimento académico, com a realização de cursos na área da medicina dentro e fora da Venezuela.

A chave do êxito

Eva de Abreu Correia é directora clínica do centro ‘Dermacare – Medicina Estética Avançada’. “A Venezuela é, junto com a Argentina e a Colômbia, um dos países que lidera nesta área”, diz. Hoje é reconhecida por ser pioneira no uso do dispositivo de produtos clínicos GPS na Medicina Estética. “Todos os anos actualizo-me e vou a algum congresso (…) Acho que me diferencio de outros médicos pela minha vontade de lutar e de seguir em frente.”

A especialista já se prepara, aliás, para a apresentação de trabalhos relacionados com a Medicina Estética no Congresso Venezuelano, que decorre de 23 a 25 de Junho, no hotel Eurobuilding.

Eva de Abreu impulsionou ainda a revista ‘Dermacare’, envolvendo-se na busca de publicidade e de entrevistados, uma tarefa que a apaixona. “Sou muito optimista, não me posso deixar ficar e pensar em algo triste, então trato de levar esse optimismo a todos os meus pacientes, do interno ao externo. Tudo se pode melhorar.”

Ligação a terras lusas
A 11 de Dezembro de 2010, regressou a Coro para casar com o médico Jesús Bastidas, depois de dois anos de relação amorosa. “O nosso segredo é a conversa, a boa comunicação é vital”, diz, satisfeita. Sem tempo para desfrutar de uma lua-de-mel prolongada, ambos anseiam viajar em breve para Portugal. “O meu irmão mudou-se para a Madeira e está fascinado. Todos os dias me pede que vá para lá e monte um Dermacare”, brinca.

Das tradições portuguesas que ainda se conservam na sua família, recorda os costumes da Semana Santa. “Por algum motivo, durante esse tempo a minha mãe dedicava-se a preparar pratos típicos da Ilha da Madeira”.

Ainda que não domine o idioma dos pais, aprecia os detalhes da cultura lusa. “Nunca falta música portuguesa no meu carro”, e recorda com humor uma ocasião na qual mandou fazer um nascimento em massa flexível com características lusa. “Pelas minhas veias corre sangue português mas respiro ar venezuelano”, finaliza.

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