Ana Luísa Amaral sente «pena infinita» por ver os jovens partir

Escritora sente uma "pena infinita" ao assistir à emigração de jovens portugueses, que "nunca mais vão voltar"

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CORREIO/LUSA

A escritora Ana Luísa Amaral, que acaba de publicar o novo livro de poemas «E Todavia», disse à Lusa sentir uma «pena infinita» ao assistir à emigração de jovens portugueses, que «nunca mais vão voltar».

Em entrevista publicada em 30 de Abril último, Ana Luísa Amaral afirmou ter «uma pena infinita» por quem o país está a perder e recordou que Portugal já viu ocorrer uma emigração em larga escala na década de 1960 e que a situação é tanto mais grave quanto é o «próprio Governo [que] incentiva e até apresenta, como alternativa louvável, a saída do país».

«Dificilmente viveria fora do meu país. O meu país precisa das pessoas aqui, caso elas consigam cá ficar, porque, por vezes, as circunstâncias são tão insuportáveis», disse a poeta.

Ana Luísa Amaral, que foi até há pouco professora na Faculdade de Letras da Universidade do Porto, onde ainda mantém a ligação ao Instituto de Literatura Comparada Margarida Losa, reconheceu que «é fácil dizer isto se as pessoas têm opções», mas que o mesmo não acontece quando elas faltam.

«Gosto de Portugal, gosto dos portugueses, gosto do meu país, não gosto do resto. Da forma como ele é tratado, como ele é governado. Que é semelhante àquilo que está a acontecer na Europa», disse a escritora que mantém a esperança de que as novas gerações contribuam para uma mudança do sistema.

Ana Luísa Amaral, que, em 2013, encabeçou a lista do Bloco de Esquerda à Assembleia Municipal do Porto, realçou que «o sistema tem de mudar», mas que os mecanismos para que tal aconteça — além do voto – ainda «precisam de ser criados».

No entanto, esses mecanismos poderão ser «auxiliados pela palavra, pelo não-silêncio, gritar, ir para a rua, falar, escrever».

«Tenho de acreditar que, todavia, pode haver algo a mudar e acho que a mudança, a existir, vai estar nesta novíssima geração. Talvez esta novíssima geração – estes muito mais jovens -, consiga fazer aquilo que a minha geração já não consegue, porque está cansada, e que a geração dos 30 também já não faz, porque está completamente desalentada», referiu a poeta.

A poesia não podia deixar de desempenhar a sua parte neste contexto: «A poesia pode `salvar`, não é no sentido religioso do termo, mas pode ter um papel importantíssimo nisto, justamente, porque trabalha com a imaginação».

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