Andrea Imaginario dá concerto em Caracas

A luso-venezuelana prepara-se para o lançamento do seu quarto disco de estúdio

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A cantora venezuelana Andrea Imaginario dá um concerto a 21 de maio no Centro Cultural BOD para prestar homenagem a Lisboa. A lusodescendente prepara-se para estrear um tema do seu quarto e próximo disco, unicamente a voz e piano, que bautizará “a solo” e que conterá canções de Simón Díaz, Billo Frómeta, César Portillo de la Luz, Eladia Blázquez, Juan Luis Guerra e Joan Manuel Serrat.

Os interessados podem desfrutar de diferentes temas que vão desde o fado corrido, o fado menor, o fado canção, o fado marcha e o fado mouraria, prestando assim homenagem à alma latina. Assim assegurou numa recente entrevista ao jornal El Universal, onde explicou que a sua paixão por este género musical se iniciou aos catorze anos, logo depois do seu pai lhe ter explicado o significado da canção “Tudo isto é fado”.

«Transformei essa canção numa espécie de leit motiv da minah vida, não só porque era a favorita do meu pai, mas porque conta a história dos meus sentimentos, da minha forma de ser. Muitas das coisa que estão ali, assim, como estão ditas, foram sentidas por mim», reconheceu no encontro com Simón Villamizar.

«Neste fado, há um conjunto de temas que se repetem constantemente e um deles é a cidade. «Porque? Porque na cidade passa-se a vida nocturna que deu origem ao fado. Por exemplo: no caso de Lisboa, que vamos prestar homenagem no concerto, é uma cidade de porto, onde ocorrem muitas coisas desde o ponto de vista do trânsito, do comércio, da consciência do limite e dos perfis. E tudo isto tem um impacto na cultura. Outros temas que têm impacto no fado são o amor, vivido com um destino, trágico ou não. E, como todo o destino, é uma carga, um fardo. Os valores tradicionais da vida quotidiana, onde entra precisamente a família, também são muito importantes», destaca a entrevista.

«Quando uma pessoa canta o fado, por exemplo, está a participar da tradição de um povo que tem sofrido muito. O fado começa a se cultivar na segunda metade do século XIX, um período económico muito difícil para Portugal porque teve que se desprender do ideal do império. Portugal, que tinha sido um país imenso, intercontinental, “acorda” de repente numa pobreza muito dura que ocorreu sobretudo no contexto da II Guerra Mundial. Porque ainda não participou da mesma forma sofreu as consequências. Foi nesta época que muitos portugueses vieram para a Venezuela. Tudo isto, as migrações, as separações familiares que a Venezuela experimenta agora pela primeira vez, já Portugal passou, por tudo, e com muita dor na primeira metade do século XX. As próprias dificuldades políticas da Nação, inerentes a este processo de ditadura; a procura de um projeto que se debate entre ser monarquia e ser república; tudo isto acumulou dor. E quando alguém interpreta isto, transpomo-nos através dessa carga espiritual que está ai», explica a artista.

Imaginario afirmou sentir-se influenciada por Amália Rodrigues, Dulce Pontes, Paulo de Carvalho e Ricardo Ribeiro, apesar de ter a sua própria linguagem. «O público venezuelano está totalmente aberto a este género. Para mim tem sido uma grande surpresa ver como o público se envolve cada vez no fado e é muito genuíno o seu interesse. Muitos venezuelanos convidam-me a fazer isto. E isso para mim tem muito significado. Por isso, casa coisa que faço destina-se ao público e venezuelano e ao português», acrescentou.

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