Antonio Salvado

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António Forte Salvado nasceu em Castelo Branco, mas precisamente na Rua d’Ega, a 20 de Fevereiro de 1936. Desde muito jovem mostrou interesse pela poesia e pela literatura em geral. Foi assim que publicou a sua primeira obra aos anos de idade. Depois dedicou-se ao estudo de Filologia Românica e licenciou-se pela Universidade de Lisboa.

Salvado é um escritor cuja obra é extensa não apenas no capítulo de poemas como também em ensaios e antologias. Cabe ressaltar que a Universidade Pontifícia de Salamanca e as suas cátedras de Poética e de Português apresentam-no com a antologia dos seus poemas.

Já foi premiado em numerosas ocasiões por instituições nacionais e internacionais. Por exemplo, a 6 de Fevereiro de 2010 foi honrado com o grau de Comendador da Ordem Militar de Sant’Iago da Espada. Também é guarda como um prémio o reconhecimento do público pelos seus poemas aparentemente simples mas carregados de uma grande sensibilidade, como A Flor e a Noite (1955), Recôndito (1959), Na Margem das Horas (1960), Narciso (1961), Difícil Passagem 1962), Equador Sul (1963), Anunciação (1964), Cicatriz (1965), Jardim do Paço (1967), Tropos (1969), Face Atlântica (1972), Estranha Condição (1977), Interior à Luz (1982), entre outros.

Memória

I

 Na cristalina, líquida presença,

 crescente lua no abismo enquanto

 o mar se cala, desconheço a margem

 onde me espera no desejo

 esguio do poente a deusa branca…

 À ínfima visão dum lírio encosto

 o meu soluço! O espaço é grande…

 Não invoco o lugar mas a verdade

 surge aquém da espera…

 Gaivotas sussurrantes, deixo a música

 morrer, pegadas frescas, desperdícios

 quentes na relva da minha alma…

 II

 Quando se oculta julgando a noite

 indefesa enorme, a fugidia

 estrela me ilumina e desce!

 Vem até mim, quebrada a natural

 cadência do seu mundo, e cresce… cresce…

 Tentáculos de luz me envolvem. Comovido,

 aperto em minhas mãos o elanguescente

 ardor do seu chegar…

 III

 Reconquisto agora o teu rosto, um horizonte,

 silêncio de grito suspenso, labirinto,

 mais desfeito

 no hálito das nuvens…

 Me surges tão sem ti

 que envolve o dia a espessura deste longe…

 E afogo assim na íntima, na única

 beleza do teu rasto,

 o meu soluço de água…

António Salvado, «Recôndito»

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