“As dificuldades uniram-nos ainda mais e estivemos sempre próximos”

A Direção Regional das Comunidades e Cooperação Externa tem feito um trabalho importante para apoiar os madeirenses em todo o mundo em tempos de pandemia

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Proximidade e acompanhamento. Estas são as duas palavras que melhor definem o trabalho realizado pelo Diretor Regional das Comunidades e Cooperação Externa, Rui Abreu, que, apesar das limitações criadas pela pandemia de Covid-19, nunca deixou de estar perto dos madeirenses espalhados pelo mundo.

Em tempos difíceis, Rui Abreu encontrou grandes oportunidades em ferramentas digitais para manter um diálogo constante com a Diáspora. De facto, embora muitos possam acreditar que o trabalho foi reduzido, na realidade aconteceu exatamente o contrário: a Direção Regional das Comunidades e Cooperação Externa (DRCCE) adaptou-se ao contexto e colocou todos os seus esforços no sentido de cumprir os objetivos estabelecidos no início do mandato.

A chegada de venezuelanos à Região trouxe uma nova dinâmica à ilha, sendo a DRCCE uma aliada fundamental para aqueles que decidem estabelecer-se na Madeira.

Do ponto de vista de Rui Abreu, os portugueses vindos da Venezuela e os seus descendentes são pessoas dinâmicas, capazes, trabalhadoras que se integram bem nas sociedades.

Numa entrevista ao CORREIO da Venezuela, o Diretor Regional das Comunidades e Cooperação Externa faz um balanço do trabalho realizado até à data e partilha o seu ponto de vista sobre várias questões que afetam à diáspora madeirense.

Falemos do momento em que foi nomeado Diretor Regional das Comunidades e Cooperação Externa.

Foi com elevada honra, motivação e empenho, que abracei o desafio lançado pelo presidente do Governo Regional da Madeira, o Dr. Miguel Albuquerque, para acompanhar as Comunidades Madeirenses espalhadas pelo Mundo e promover a Cooperação Externa. Estávamos em dezembro de 2019, quando fui nomeado.

Um mês depois assumi funções, com muita serenidade. Isto porque conheço a força, a coragem, e a resiliência dos nossos emigrantes, pelos quais nutro o maior respeito e admiração. Para além de conseguirem ultrapassar as dificuldades inerentes à circunstância da emigração, os madeirenses levam o nome da nossa Terra mais além, e de forma muito positiva.

O Madeirense é muito bem visto nas comunidades de acolhimento. Por um lado, integra-se plenamente em qualquer sociedade, e por outro, é reconhecido pela grande capacidade de trabalho. Há outra característica muito própria da nossa Diáspora, nunca esquece as suas raízes, e quer sempre visitar os seus familiares, a sua Terra. É um orgulho fazer parte desta Madeirensidade.

A sua proximidade com as Comunidades Madeirenses é recente, ou já vem de outros tempos?
A minha proximidade com a Diáspora vem de longe. Tal como a maioria dos madeirenses, eu também vi familiares meus engrossaram as fileiras dos emigrantes, nos anos 60/70 do século passado, que agora já estão nas segundas e terceiras gerações.

Também, a nível profissional sempre estive próximo dos emigrantes madeirenses, primeiro na Câmara Municipal do Funchal, enquanto chefe de gabinete durante as presidências do Professor João Dantas, do Professor Virgílio Pereira, do Dr. Miguel Albuquerque. Depois como chefe de gabinete do presidente do Governo Regional, o Dr. Miguel Albuquerque, e em seguida como deputado na Assembleia Legislativa na Madeira, onde sempre defendi os direitos dos emigrantes.

É claro que como diretor regional aprofundei este laço que me une às Comunidades Madeirenses.

Nota-se que há uma nova dinâmica na Direção Regional das Comunidades e Cooperação Externa (DRCCE). Quais foram as alterações ao nível das Comunidades?

De facto, a nova Direção Regional, criada em janeiro de 2020, que deu continuidade ao Centro das Comunidades Madeirenses e Migrações fundado em 1977, representa um alargamento das suas competências e simultaneamente um maior compromisso do Governo Regional com a Diáspora.

Para atingirmos estas metas apostamos em duas áreas essenciais. Primeiro, abrimos um balcão na Loja do Cidadão para podermos responder à crescente procura quer de emigrantes quer de imigrantes, e mantivemos os atendimentos na Direção Regional para processos mais complexos.

Realizámos um protocolo com o Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF), no sentido de fazermos a ponte entre os imigrantes e os serviços centrais. Assim, temos conseguido agilizar os atendimentos dos imigrantes junto do SEF, o que implica que estes estrangeiros vêm a sua situação regularizada de forma mais célere. Afinal a sociedade, como um todo, beneficia com a integração plena dos imigrantes.

De salientar que nos nossos serviços, quer na DRCCE, quer na Loja do Cidadão, garantimos o acesso à informação, fazemos o encaminhamento correto. Só desta forma conseguimos garantir que os direitos e os interesses de todo os cidadãos ficam assegurados.

Por outro lado, incrementámos a proximidade às Comunidades, através de reuniões regulares com os Conselheiros da Diáspora Madeirense. Sempre que havia questões mais delicadas, como no caso da pandemia e das vagas que atingiam os países de acolhimento em timings diferentes, ou como o caso da violência na África do Sul, era criado um grupo de trabalho em rede e os contactos com emigrantes e conselheiros eram permanentes e constantes.

E que medidas foram introduzidas para promover uma maior dinâmica a nível da Cooperação Externa?

Temos apostado na captação de investimento da Diáspora, o que tem resultado na criação de novos negócios e empresas na Madeira, e consequentemente um aumento da riqueza regional. Isto acontece na sequência de um conjunto de contactos e de reuniões com empresários da Diáspora. Temos auxiliado na utilização dos mecanismos de apoio ao investimento e ao funcionamento, procurando apresentar novas soluções de atração de investimento na Região.

Também cimentámos novas oportunidades de negócio, de geminação, com o Estado Norte-Americano do Hawai e o país irmão da Guiné Bissau.

A sua gestão tem sido caracterizada pela proximidade da diáspora madeirense nos quatro cantos do mundo, como classifica o trabalho realizado e quais foram as suas maiores lições aprendidas?

Tem sido um grande desafio. Repare, comecei o meu mandato em janeiro de 2020 e passados apenas dois meses, o mundo fechou-se. A pandemia era a palavra mais ouvida. Fomos obrigados a estarmos isolados, a estarmos separados uns dos outros. Escolas fecharam, serviços e comércio não essenciais encerraram portas. Espaços aéreos foram fechados. Viajar era impossível. As restrições eram muitas e diferenciavam-se de de país para país. Timidamente as escolas, o comércio os serviços reabriram, sob apertadas medidas sanitárias.

Curiosamente quanto mais a pandemia nos tentava separar, mais ela nos unia. Essa foi a grande lição: Os laços entre os Madeirenses falaram mais alto! A Madeirensidade sobrepôs-se a todas as dificuldades!

Rapidamente tratamos de contornar toda a distância, através das novas tecnologias. Passamos a fazer reuniões por videoconferência com os Conselheiros da Diáspora de uma forma muito regular. Acompanhámos as nossas comunidades e as vagas pandémicas que chegavam em momentos diferentes aos diferentes países de acolhimento das Comunidades.

As dificuldades uniram-nos ainda mais e estivemos sempre próximos, respondendo em tempo real. A distância física deu-nos ainda mais força para combatermos um inimigo comum.

Neste momento já podemos começar a pensar em estar fisicamente próximos das Comunidades. Já estivemos em Londres e nos Açores. Muito em breve estaremos na África do Sul e na ilha de Jersey, desde que seja possível viajar.

E quando é que o diretor regional estará na Venezuela?

Já tivemos uma data marcada para maio de 2020. A primeira visita era a Venezuela, acompanhando o Presidente do Governo, mas não foi possível, foi cancelada.

Neste momento ainda não temos uma data para visitar Venezuela e a Comunidade Madeirense, mas espero que esta viagem seja para breve. Não há voos diretos entre Portugal e a Venezuela por uma falha gravíssima da TAP. Esta é uma situação inaceitável. A TAP é uma companhia aérea detida maioritariamente por capitais do Estado, e como tal, tem a obrigação de servir não só o País, mas também a Diáspora.

A TAP falhou com as Comunidades. Abandonou, há muitos anos, a ligação com a África do Sul, e prometeu um único voo semanal para a Venezuela que não se concretizou. Esta é uma clara estratégia da TAP de abandono das Comunidades, reveladora de falta de seriedade, e de desresponsabilização por parte do Estado, que deveria garantir a circulação dos seus cidadãos, entre Portugal e os países de acolhimento da Diáspora Portuguesa. Companhias aéreas espanholas estão a fazer diversos voos nesta altura do ano para a Venezuela. A TAP também poderia organizar alguns.

E como é que este impasse da TAP poderia ser resolvido?

Cabe a Lisboa assumir as suas responsabilidades e defender os direitos dos portugueses, sejam eles residentes em território nacional, ou no estrangeiro.

Entendo que a TAP deveria servir de forma séria e leal todos os portugueses: aqui e além-mar!

Neste momento, o modelo não funciona e a TAP não serve o propósito da sua existência

Qual é a sua opinião sobre a crescente comunidade de venezuelanos que vivem na Madeira e como vê a sua integração na região?

Cerca de 9.000 luso-venezuelanos regressaram à Madeira desde 2007. A maioria é madeirense, mas também temos muitos descendentes de madeirenses. Olho para este regresso com muito bons olhos. São pessoas dinâmicas, capazes, trabalhadoras, que se integram bem na sociedade. A comunidade luso-venezuelana trouxe vários benefícios para a Região. Primeiro preencheu uma lacuna que existia na área do comércio, um sector em que a mão-de-obra era escassa: Os luso-venezuelanos souberam aproveitar essa oportunidade. Em segundo lugar, houve entrada de alunos luso-venezuelanos nas escolas madeirenses, o que veio beneficiar os estabelecimentos de ensino que têm sofrido uma quebra acentuada no número de estudantes. Em terceiro lugar, muitos deles investiram em negócios na Madeira, contribuindo para o crescimento da nossa economia.

Que medidas tem implementado o Governo Regional da Madeira para esta comunidade?

À semelhança daquilo que acontece com outras comunidades estrangeiras residentes na Região, o Governo Regional acompanha de perto os regressados e os luso-venezuelanos.

A estratégia de apoio à Comunidade Venezuelana é transversal a todos os sectores. Vai desde a Habitação, à Saúde, passando pelo Desporto, pelo Ensino, até a Segurança Social. Porque o grande objetivo é a integração plena dos regressados, dos luso-descendentes e de todos os estrangeiros que escolheram a Madeira para viver e trabalhar. Só assim é que os seus direitos e deveres serão plenamente cumpridos. Os madeirenses que regressam não têm mais nem menos direitos do que os residentes. Procuramos a sua integração plena na sociedade.

Qual é a sua opinião sobre a comunidade madeirense que vive na Venezuela?

Somos cerca de 400 mil madeirenses e descendentes de madeirenses na Venezuela, uma das maiores comunidades da Diáspora, pela qual temos o maior respeito e admiração.

A comunidade madeirense é muito bem vista na Venezuela pela sua grande capacidade de trabalho, de empreendedorismo e de resiliência. Cresceu e fez crescer a Venezuela, sem nunca esquecer as suas raízes. Levou o nome da Madeira além-fronteiras, bem como os costumes, as tradições, a gastronomia. Graças à nossa Comunidade na Venezuela há um grande movimento associativo que permite que as nossas tradições se mantenham vivas naquele país, onde ganharam raízes.

O Correio está a celebrar o seu 22º Aniversário, como avalia o trabalho realizado por este meio de comunicação social da diáspora portuguesa na Venezuela?

Em primeiro lugar gostaria de dar os parabéns ao Correio da Venezuela pelo seu 22º aniversário. O Correio da Venezuela faz um trabalho fundamental, essencial de ligação entre as duas margens do Atlântico, assumindo-se, tantas vezes, como o garante da partilha de informações, vivências, atualidades sobre os madeirenses que vivem na Venezuela, e dos seus familiares, onde se incluem as de segundas e de terceiras gerações, algumas das quais regressaram à Madeira.

Já estive presente em muitos aniversários do Correio da Venezuela, em Caracas. Espero que proximamente isso se possa repetir.

Um bem-haja ao Correio da Venezuela a todos os colaboradores! Que continuem a nos brindar com a excelência do Vosso trabalho!

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