As leituras de Salomão

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Continua fresca a visita de Ricardo Salomão (Lisboa, 1956), investigador do Centro de Estudos de Filosofia da Ciência da Universidade de Lisboa e professor da Universidade Aberta. Quando conversámos com ele pensámos que, por ser um perito da língua, a primeira coisa que chamaria a sua atenção num livro seria o domínio da linguagem demonstrado pelo autor.

Sendo certo que isto o motiva a ler escritores como o romancista Mário Cláudio, também é verdade que Salomão vai mais além. “A gramática e a construção perfeita dos discursos são importantes, mas não são tudo. Quando a história te cativa, vais te deixando levar pelas ideias e o resto passa para segundo plano”, o que é excelente sobretudo no momento de ler um autor noutro idioma “porque a má tradução é frequente, mas isso não consegue afastar-me do livro”.

Esta ligação com o significado da obra ocorreu com “Paul Auster (Nova Jersey, Estados Unidos, 1947), que mostra uma aproximação à realidade que me encanta. Há um inglês que tem uma concepção particular do romance, incluindo regras cientificas, por exemplo, com Albert Einstein e a sua teoria da relatividade, entre outros elementos”.

Salomão declara-se “amante da poesia” e ressalta o legado “de dois grandes autores portugueses que morreram há pouco tempo: Herberto Helder de Oliveira (Madeira, Portugal, 1930 – Cascais, 2015) e António Víctor Ramos Rosa (Faro, 1924 – Lisboa, 2013), que me tocaram profundamente”.

Também reconhece “o talento da nova geração de escritores na língua portuguesa e o valor de expoentes como Gonçalo M. Tavares (Luanda, Angola, 1970) que leio bastante porque é muito filosófico e gosto disso. Também José Luís Peixoto (Ponte de Sor, Portugal, 1974) e a sua forma de encarar a realidade.”

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