Atletas lusos rumam aos mundiais de pista coberta a mirar pódios “com realismo”

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A comitiva que irá representar Portugal nos Mundiais de atletismo em pista coberta partiu hoje com o objetivo realista de bons resultados, nos quais assenta a esperança de pódios para Pedro Pablo Pichardo, Patrícia Mamona e Auriol Dongmo.

“Temos expectativa de muito bons resultados, com a possibilidade de ter três atletas no pódio com bastante realismo. Essa é a perspetiva mais sólida que temos, com os nossos três ‘cabeças de cartaz’. Temos outros de quem esperamos bons resultados, num campeonato do mundo que sirva para se habituarem cada vez mais à alta-roda e conseguirem aqui a pontinha de resultado que gera uma maior autoconfiança para o futuro”, lançou o presidente da Federação Portuguesa de Atletismo (FPA), Jorge Vieira.

Na segunda maior delegação portuguesa de sempre para Mundiais em pista coberta, apenas superada pela participação caseira em Lisboa, em 2001 (17 atletas), constam da lista de convocados 12 portugueses, seis atletas femininas e seis atletas masculinos, com destaque para os nomes de Pedro Pablo Pichardo, campeão olímpico do triplo salto, Patrícia Mamona, vice-campeã olímpica da mesma categoria, e Auriol Dongmo, detentora da melhor marca mundial do ano no lançamento do peso (19,90 metros).

“Sinto-me muito bem. Temos de esperar que chegue sexta-feira, o dia da prova, para ver o que sai. Tive uma pequena lesão, mas já estou recuperado e consegui fazer grandes saltos no treino”, afirmou Pedro Pablo Pichardo, na chegada ao aeroporto.

Campeão europeu em pista coberta, em 2021, tal como as compatriotas Mamona e Dongmo, nas respetivas vertentes do atletismo, o luso-cubano deixou para trás o ‘ouro’ em Tóquio2020, ambicionando agora novas conquistas e objetivos em 2022.

“É um ano novo e quero sempre conquistar títulos. Sinto-me muito orgulhoso por representar o país que me apoiou e me deu oportunidade de continuar. É sempre bom contar com o apoio dos portugueses. Para mim, é muito gratificante”, frisou o atleta.

Já Patrícia Mamona tem em mente melhorar a sua melhor classificação de sempre em Mundiais de pista coberta – quarto lugar -, realçando que as expectativas “são altas” e que o recente triunfo no ‘meeting’ de Paris lhe deu confiança para abordar esta prova.

“Paris deu-me uma experiência diferente. Queixei-me muito e a pista era esquisita. O facto de, em condições muito difíceis, ter conseguido um salto nos 14 metros e ganhar o ‘meeting’, dá-me certamente alguma confiança para Belgrado, que é uma pista que também não gosto muito, mas não me vai impedir de saltar muito”, explicou a atleta.

Auriol Dongmo chega aos Mundiais poucos dias depois de vencer a Taça da Europa de lançamentos, em Leiria, num excelente momento de forma que pretende consolidar.

“Quero ganhar uma medalha. Penso que a minha preparação foi excelente. Agora, é só chegar lá, lançar e rezar para que as coisas corram bem. O meu objetivo, desde sempre e para este ano também, é ultrapassar os 20 metros”, disse a atleta luso-camaronesa.

Estes Mundiais estão envoltos num ambiente diferente, com a proibição de atletas russos e bielorrussos de participarem, devido à ofensiva militar lançada pela Rússia na Ucrânia, iniciada em 24 de fevereiro, que originou sanções de organismos desportivos.

“Que esta competição sirva para que os atletas se sintam unidos, em paz, a colaborar uns com os outros, obter resultados, mas sempre com esta ideia de que a paz tem de ser preservada. Espero que, através da imagem do desporto, ainda haja bom senso de passar mensagens de equilíbrio, paz e entendimento entre povos”, pediu Jorge Vieira.

Por outro lado, Patrícia Mamona manifestou o seu “sentimento de solidariedade” para com todos os atletas ucranianos, mas também os russos e bielorrussos que, “se calhar, estão contra a guerra e perdem a oportunidade de representar o país e eles próprios”.

“Neste momento, estão também muitos atletas ucranianos a sofrer e muitos deles decidiram não ir a este campeonato para proteger e lutar pela sua independência. Como atletas, temos de nos focar no que realmente podemos fazer e tentar que as coisas exteriores não nos afetem, pelo menos naquele momento”, referiu a triplista.

Além de Pichardo, Mamona e Dongmo, a comitiva portuguesa conta, na vertente feminina, com Jéssica Inchude (lançamento do peso), Cátia Azevedo (400 metros), Lorene Bazolo e Rosalina Santos (60 metros), bem como, nos masculinos, com Abdel Larrinaga (60 metros barreiras), Carlos Nascimento (60 metros), Francisco Belo (lançamento do peso), Isaac Nader (1.500 metros) e Tiago Luís Pereira (triplo salto).

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